Quantos livros de autores negros você leu em 2025? A pergunta, direta e desconfortável, revelou um hábito comum a muitos leitores — mesmo os mais assíduos. Apesar de consumirmos literatura com frequência, ainda é pequeno o espaço dado a vozes negras nas listas de leitura, nos clubes do livro e até nas recomendações espontâneas. Esse cenário não está ligado à falta de qualidade ou relevância, mas a um histórico de invisibilização no mercado editorial e na formação do nosso repertório cultural.
Pequeno manual antirracista, de Djamila Ribeiro
Um ponto de partida direto e necessário. Com linguagem clara e objetiva, a autora apresenta reflexões práticas sobre como reconhecer e combater o racismo no dia a dia, tornando o livro uma leitura essencial para tempos de debate social intenso.

Torto Arado, de Itamar Vieira Junior
Um romance poderoso que atravessa gerações no sertão baiano, explorando temas como ancestralidade, desigualdade, trabalho e resistência. A narrativa sensível e contundente transformou o livro em um dos mais importantes da literatura brasileira contemporânea.

Quarto de Despejo, de Carolina Maria de Jesus
Permanece atual mesmo décadas após sua publicação. O diário cru e honesto da autora sobre a vida na favela expõe desigualdades estruturais e revela uma voz literária única, que resiste ao tempo e continua provocando incômodo e reflexão.

O avesso da pele, de Jeferson Tenório
Aborda racismo, violência e identidade a partir da relação entre pai e filho. É um romance intenso, que dialoga com o Brasil contemporâneo e convida o leitor a encarar feridas ainda abertas na sociedade.

Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves
Uma obra monumental que revisita a história do Brasil a partir da perspectiva de uma mulher negra africana. O livro mistura ficção e pesquisa histórica, oferecendo uma narrativa profunda sobre escravidão, memória e pertencimento.

Sejamos todos feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie
É curto, direto e extremamente atual. A autora nigeriana propõe reflexões sobre gênero, igualdade e cultura, conectando experiências pessoais a debates globais.

Kindred – Laços de sangue, de Octavia Butler
Une ficção científica e crítica social ao narrar a história de uma mulher negra que viaja no tempo e é levada ao período da escravidão. A obra é impactante, original e provoca reflexões profundas sobre herança histórica e identidade.

Conclusão
Quantos livros de autores negros você leu em 2025? Se a resposta foi poucos ou nenhum, 2026 oferece uma nova oportunidade. A literatura tem o poder de ampliar mundos, e esses mundos ficam incompletos quando vozes importantes ficam de fora.
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