Tribunal Regional Eleitoral do Ceará condena Ciro Gomes por violência política de gênero após declarações contra Janaína Farias. Pena foi substituída por indenizações.
O ex-ministro e pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes, foi condenado pela Justiça Eleitoral do Ceará pelo crime de violência política de gênero contra a atual prefeita de Crateús, Janaína Farias. A decisão foi proferida nesta terça-feira pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.
A condenação teve como base declarações públicas feitas por Ciro contra Janaína, que à época exercia o cargo de senadora suplente. Segundo a Justiça Eleitoral, as manifestações tiveram conteúdo discriminatório e buscaram desqualificar o exercício do mandato da então parlamentar com base em referências de cunho sexista.
Inicialmente, a pena fixada foi de 1 ano e 4 meses de prisão. No entanto, por ser réu primário e possuir bons antecedentes, a Justiça autorizou a substituição da pena privativa de liberdade por medidas alternativas. Com isso, Ciro Gomes deverá pagar indenização correspondente a 20 salários mínimos à prefeita e outros 50 salários mínimos destinados a entidades de proteção aos direitos das mulheres no Ceará.
A decisão judicial também manteve medidas cautelares que impedem o ex-ministro de mencionar o nome de Janaína Farias, direta ou indiretamente, em pronunciamentos públicos ou em redes sociais.
Durante o processo, a Justiça analisou falas feitas por Ciro Gomes em entrevistas e manifestações públicas. Em uma das declarações citadas na ação, o ex-ministro afirmou que Janaína seria uma “assessora para assuntos de cama”. Em outras ocasiões, também a chamou de “cortesã” e fez referências a supostos “serviços particulares” ligados ao senador Camilo Santana, de quem Janaína era suplente.
Na decisão, o juiz eleitoral Edson Feitosa entendeu que as declarações ultrapassaram os limites da crítica política e atingiram diretamente a reputação da então senadora suplente por meio de referências associadas ao gênero e à sexualidade.
Ao justificar a condenação, o magistrado afirmou que a liberdade de expressão não é absoluta e não pode ser utilizada para legitimar discursos discriminatórios ou ataques baseados em gênero. Segundo o juiz, o histórico político do réu e eventuais políticas públicas voltadas às mulheres não afastam a análise objetiva das declarações feitas no caso específico.
Na decisão, o magistrado destacou que, mesmo considerando que o objetivo principal das críticas pudesse atingir adversários políticos, as declarações acabaram atingindo diretamente a imagem e a legitimidade do mandato exercido por Janaína Farias.
A defesa de Ciro Gomes sustentou no processo que as críticas tinham como alvo o senador Camilo Santana e argumentou que as falas estavam protegidas pela liberdade de expressão e pelo debate político. Os advogados também afirmaram que o ex-ministro, durante sua trajetória política, criou políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, o que demonstraria ausência de intenção discriminatória.
Após a decisão, a assessoria de Ciro Gomes informou que ele irá recorrer da condenação. Em manifestação enviada à imprensa, o ex-ministro afirmou acreditar que instâncias superiores analisarão o caso “fora do calendário de interesses eleitorais”.
Nas redes sociais, Janaína Farias afirmou que a decisão representa uma vitória para as mulheres. A prefeita declarou que foi vítima de misoginia e afirmou que esse tipo de conduta não deve ser relativizado no ambiente político.
Leia mais: Dionísio Cerqueira mantém cronograma de limpeza urbana e recolhimento de galhos nos bairros

Lara Gabriely escreve sobre assuntos locais, mas também sobre assuntos relacionados à política dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de outros fatos interesse regional.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
Sugestões de pauta: Entre em contato via WhatsApp: (49) 3644 1724.
🚀 Aproveite e nos siga no Google Notícias: Clique aqui para seguir o Jornal da Fronteira




