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Jaqueta de Dinho, dos Mamonas Assassinas, é encontrada intacta após 30 anos

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Três décadas após o trágico acidente aéreo que vitimou os integrantes dos Mamonas Assassinas, um fato chamou a atenção durante a exumação do corpo de Dinho, vocalista da banda. A jaqueta azul colocada como homenagem sobre o caixão do cantor, no momento do sepultamento em 1996, foi encontrada praticamente intacta. O episódio gerou surpresa e levantou questionamentos nas redes sociais, mas a explicação para a preservação da peça está longe de qualquer interpretação mística.

A banda Mamonas Assassinas morreu em março de 1996, em um acidente aéreo que marcou a história da música brasileira. No dia do enterro, familiares, amigos e membros da equipe prestaram homenagens. Entre elas, uma jaqueta azul utilizada pela equipe técnica do grupo, estampada com o emblema da banda, foi colocada sobre o caixão de Dinho como símbolo de carinho e reconhecimento.

Recentemente, os corpos dos integrantes estão passando por exumação. Parte das cinzas será destinada a um projeto no Jardim BioParque Memorial, em São Paulo. Foi durante a abertura da área onde Dinho estava sepultado que a peça de roupa reapareceu, surpreendendo familiares e profissionais presentes.

A conservação da jaqueta por 30 anos tem uma explicação científica clara: o material. A peça era confeccionada em nylon, uma fibra sintética derivada do petróleo. Diferentemente de tecidos naturais como algodão, linho ou lã, que são biodegradáveis e se decompõem com maior rapidez, o nylon pertence à categoria dos plásticos e apresenta alta durabilidade.

De acordo com especialistas da área têxtil, o nylon é um dos materiais mais resistentes amplamente utilizados na indústria da moda. Sua estrutura química é estável e pouco suscetível à ação de microrganismos. Isso significa que, mesmo sob condições ambientais adversas, o processo de degradação ocorre de maneira extremamente lenta.

O professor Fabrício Stocker, pesquisador da cadeia produtiva da moda, destaca que roupas feitas com esse tipo de fibra podem levar até 200 anos para se decompor completamente. Em ambientes naturais, a exposição ao sol, à umidade, ao oxigênio e à ação de bactérias influencia no ritmo de desgaste. Ainda assim, o período estimado é de séculos.

No caso da jaqueta de Dinho, as condições eram ainda mais favoráveis à preservação. Enterrada e protegida da luz solar direta, a peça permaneceu em um ambiente relativamente isolado, sem grande circulação de ar e sem exposição contínua à umidade variável. Esses fatores contribuíram para retardar ainda mais o processo de deterioração. Segundo especialistas, dentro desse contexto, 30 anos representam um intervalo curto.

A descoberta reacendeu discussões sobre a durabilidade dos materiais sintéticos e seus impactos ambientais. Nylon e poliéster, ambos derivados do petróleo, continuam entre as fibras mais utilizadas na indústria têxtil global. Embora sejam valorizados por resistência, leveza e versatilidade, apresentam um desafio significativo quando descartados, pois permanecem no ambiente por décadas ou séculos.

Mesmo em aterros sanitários, onde há compactação e interação química entre resíduos, a decomposição de fibras sintéticas ocorre lentamente. A falta de oxigenação adequada e as condições controladas podem alterar o processo, mas não aceleram substancialmente a degradação de plásticos como o nylon.

A situação evidencia uma realidade pouco discutida: muitas peças de roupa sobrevivem muito além da vida útil planejada ou mesmo da vida de seus proprietários. A indústria da moda opera com ciclos rápidos de tendências, mas os materiais utilizados não acompanham esse ritmo no meio ambiente.

No caso específico da jaqueta dos Mamonas Assassinas, o simbolismo do objeto se soma à explicação científica. O que parecia, à primeira vista, um fenômeno incomum, revela-se consequência direta das propriedades químicas do nylon e das condições de conservação subterrânea.

O episódio também reforça o debate sobre sustentabilidade na moda e o destino de resíduos têxteis. Especialistas apontam a necessidade de ampliar pesquisas sobre fibras biodegradáveis e incentivar práticas de consumo mais conscientes.

Trinta anos após a perda que marcou o país, a lembrança material preservada sob a terra reacende memórias de uma banda que conquistou o Brasil com irreverência e carisma. A jaqueta intacta não representa um mistério, mas sim um exemplo concreto da longevidade dos materiais sintéticos — um fenômeno científico que atravessa gerações.

Enquanto o processo de exumação segue conforme planejado, o achado reforça como ciência e memória podem se cruzar em circunstâncias inesperadas. O que permaneceu preservado não foi apenas uma peça de roupa, mas também um capítulo da história cultural brasileira.

Jaqueta de Dinho, dos Mamonas Assassinas, é encontrada intacta após 30 anos

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