O Japão enfrenta um aumento no número de imóveis abandonados em diferentes regiões do país. Dados divulgados em 2023 pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações apontam que o país possui mais de 9 milhões de residências vazias, o equivalente a 13,8% de todos os imóveis japoneses.
Segundo informações publicadas pelo The Hustle, a projeção indica que até 2038 uma em cada três casas poderá estar desocupada.
O problema é observado tanto em áreas rurais quanto em grandes centros urbanos como Tóquio, Osaka e Nagoya. Muitas dessas propriedades abandonadas são conhecidas no país como “akiya”.
A situação está relacionada principalmente à crise demográfica enfrentada pelo Japão nas últimas décadas. O país registra redução populacional contínua, causada pela queda no número de nascimentos e pelo envelhecimento acelerado da população.
Atualmente, cerca de 30% dos japoneses têm mais de 65 anos. Com menos jovens e um processo intenso de migração para grandes centros, diversas cidades pequenas perderam moradores e passaram a acumular imóveis vazios.
Na localidade de Nagoro, por exemplo, a população caiu de mais de 300 habitantes para menos de 30 moradores. Para amenizar a sensação de abandono, moradores espalharam bonecos em tamanho real pelas ruas e diante das casas vazias.
Outro fator apontado para o crescimento dos imóveis abandonados é a cultura imobiliária japonesa. Diferentemente de países ocidentais, casas antigas costumam perder valor rapidamente no Japão, favorecendo a demolição e reconstrução de imóveis.
Atualmente, a vida útil média de uma residência japonesa é estimada em 32 anos. Nos Estados Unidos, a média é de 55 anos, enquanto no Reino Unido chega a 77 anos.
Especialistas também relacionam o problema às construções erguidas após a Segunda Guerra Mundial, quando milhares de moradias foram construídas rapidamente para atender à demanda habitacional. Em muitos casos, os imóveis apresentavam baixa durabilidade estrutural.
O tema voltou a ganhar atenção após o terremoto de magnitude 9 registrado em 2011, que destruiu mais de 130 mil casas e danificou aproximadamente 1 milhão de edifícios no país.
Aspectos culturais também influenciam a permanência das propriedades abandonadas. Muitas residências possuem altares familiares conhecidos como butsudan, dedicados aos antepassados, o que leva algumas famílias a evitarem a venda ou demolição dos imóveis.
Mesmo sem moradores, as casas continuam gerando custos aos proprietários. Além disso, a legislação tributária japonesa favorece a construção de novas residências em terrenos vazios, reduzindo impostos e incentivando novas obras mesmo diante da redução da demanda habitacional.
Apesar do cenário, o aumento das casas abandonadas abriu espaço para investidores estrangeiros e projetos ligados ao turismo. Plataformas especializadas oferecem imóveis por valores inferiores a US$ 10 mil.
Governos locais também passaram a criar programas conhecidos como “bancos de akiya”, que conectam compradores a imóveis vazios. Algumas regiões oferecem subsídios para reformas e, em determinados casos, disponibilizam casas gratuitamente para pessoas interessadas em morar nas localidades.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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