O inverno de 2026 começa oficialmente neste domingo, 21 de junho, no Hemisfério Sul, em meio à expectativa de queda acentuada nas temperaturas em parte do Brasil. A estação deve ter início com avanço de ar frio pelo Centro-Sul do país, possibilidade de geada em áreas mais altas e maior frequência de chuva na Região Sul.
De acordo com a Climatempo, os primeiros dias da estação devem ser marcados por uma massa de ar polar que avança pelo interior do país entre os dias 22 e 30 de junho. O sistema deve atingir principalmente os estados do Sul, áreas do Sudeste e parte do Centro-Oeste. O ar frio também pode provocar friagem em Rondônia, no Acre e no sul do Amazonas.
A previsão indica que o frio será mais concentrado no início da estação, especialmente entre o fim de junho e o mês de julho. Ao longo do trimestre, o Sul deve registrar chuva acima da média, enquanto Sudeste e Centro-Oeste podem ter pancadas fora de época, mesmo em um período normalmente mais seco nessas regiões.
Segundo o meteorologista César Soares, da Climatempo, o início do inverno deve ter maior frequência de massas de ar de origem polar. Ele explica que esses sistemas podem avançar pelo país e provocar quedas bruscas de temperatura, inclusive em áreas mais ao norte do território brasileiro.
Julho deve ser o mês mais frio do inverno. A previsão aponta a chegada de duas massas de ar polar mais fortes, uma na metade do mês e outra no fim de julho. Esses sistemas podem provocar temperaturas abaixo de zero em áreas de maior altitude do Sul e também levar frio intenso a pontos do Sudeste.
Em alguns episódios, o ar polar poderá avançar até áreas de Goiás, Distrito Federal, norte de Minas Gerais e extremo sul da Bahia. A neve, fenômeno raro no Brasil, tem maior possibilidade de ocorrer nas serras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, especialmente nos primeiros dias da estação e durante julho.
A partir da segunda quinzena de agosto, a tendência é de enfraquecimento das massas de ar frio. Com isso, as temperaturas devem voltar a subir em várias regiões, inclusive com possibilidade de marcas acima da média histórica no Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. Em setembro, últimas semanas do inverno, aumenta o risco de ondas de calor, principalmente no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
No comportamento das chuvas, o principal destaque será a Região Sul. A passagem mais frequente de frentes frias deve manter o tempo mais úmido que o normal, com volumes acima da média em alguns pontos. O sudoeste do Paraná aparece entre as áreas com possibilidade de acumulados mais elevados.
Apesar da previsão de mais chuva, os temporais devem ocorrer de forma mais localizada. A expectativa não é de um cenário tão abrangente quanto o observado em períodos de instabilidade mais intensa dos últimos anos. Ainda assim, episódios pontuais de chuva forte, vento e descargas elétricas não estão descartados.
No Sudeste e no Centro-Oeste, o inverno costuma ser marcado por tempo seco, mas a previsão indica possibilidade de pancadas isoladas em diferentes momentos da estação. Mesmo com essas ocorrências, muitos dias devem continuar com baixa umidade relativa do ar, céu aberto e grande diferença de temperatura entre o início da manhã e a tarde.
No Norte e no Nordeste, o cenário predominante será de calor e tempo seco em boa parte das áreas. A faixa leste nordestina e o extremo norte do país podem registrar chuva abaixo da média. A combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e vegetação seca mantém o alerta para queimadas, especialmente na região do Matopiba, que inclui áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.
O El Niño também deve influenciar o comportamento climático do país, principalmente na segunda metade do inverno. O fenômeno, associado ao aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, tende a favorecer maior irregularidade nas chuvas e pode reforçar padrões diferentes entre as regiões brasileiras.
Na Região Sul, a previsão é de inverno mais chuvoso que a média. As temperaturas devem ficar próximas do normal para a estação, mas o frio pode ser interrompido por períodos de chuva e maior nebulosidade. Em cidades como Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis, os dias mais gelados devem se alternar com momentos de instabilidade. Nas áreas serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, há chance de geada e possibilidade pontual de neve.
No Sudeste, as chuvas devem ficar próximas da média em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, acima do normal no centro-sul de São Paulo e abaixo da média no Espírito Santo. As temperaturas devem permanecer acima do normal na maior parte da região, embora São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro possam registrar frio nos primeiros dias da estação e em julho. Áreas de maior altitude podem ter risco de geada em momentos de ar polar mais intenso.
No Centro-Oeste, o calor deve predominar, com temperaturas acima da média em parte da região. Brasília, Goiânia e Cuiabá podem sentir quedas passageiras de temperatura entre o fim de junho e julho, quando o ar polar consegue avançar pelo interior do país. Ainda assim, a tendência para agosto e setembro é de retorno das temperaturas elevadas, com aumento do risco de calor mais intenso na reta final da estação.
No Nordeste, o inverno será marcado por predomínio de tempo seco e quente em boa parte da região. A chuva deve ficar abaixo da média em várias áreas, principalmente na faixa leste. Maranhão, oeste do Piauí e oeste da Bahia podem registrar temperaturas acima do normal. Recife e Salvador devem ter dias quentes, com chuva mais concentrada em períodos específicos do litoral.
Na Região Norte, depois de um outono mais chuvoso em algumas áreas, a tendência é de entrada no período mais seco do ano. A chuva deve ficar abaixo da média em quase toda a região, enquanto o calor ganha força. Belém e Manaus ainda podem registrar pancadas no início da estação, mas a tendência é de redução gradual das chuvas. Rondônia, Acre e sul do Amazonas, por outro lado, podem sentir episódios de friagem quando as massas de ar frio avançarem a partir do Sul.
Para os próximos dias, a previsão indica avanço de uma frente fria pela Região Sul, com aumento das condições para chuva, trovoadas e rajadas de vento. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná devem ter instabilidade, principalmente nas áreas do oeste, sul e centro-sul. Há risco de temporais isolados, com chuva moderada a forte em alguns momentos.
No sábado, a chuva deve perder força no Rio Grande do Sul, mas ainda pode atingir áreas de Santa Catarina e do Paraná, especialmente no norte e no leste paranaense. Com a entrada de ar frio, as temperaturas mínimas podem ficar próximas de 3°C na faixa de fronteira com o Uruguai e nas áreas serranas entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Também há possibilidade de geada na Campanha Gaúcha.
No Sudeste, o frio deve ser mais sentido nas áreas altas. As serras de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro podem registrar temperaturas próximas de 4°C. O sul paulista e o sul mineiro também devem ter mínimas baixas, entre 5°C e 10°C. A chuva deve avançar para São Paulo e pode atingir áreas do sul de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.
No Centro-Oeste, há previsão de aumento de nebulosidade e pancadas de chuva em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. As instabilidades chegam a partir do Paraguai e podem provocar chuva forte em áreas isoladas. Com a entrada de ar frio, o sul e o oeste de Mato Grosso do Sul podem registrar mínimas entre 8°C e 10°C.
No Norte, a chuva ainda deve ocorrer em áreas de Roraima, Amazonas, Acre, Rondônia, Pará e Amapá. Tocantins deve manter tempo mais seco, com calor intenso e máximas que podem variar entre 34°C e 38°C em algumas áreas.
No Nordeste, a chuva deve se concentrar no litoral da Bahia, em Sergipe, Alagoas e no centro-leste de Pernambuco. Também podem ocorrer pancadas isoladas em estados como Maranhão, Piauí, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O interior da região deve seguir mais seco, especialmente no centro-oeste da Bahia e no sul do Maranhão e do Piauí.
A estação, portanto, deve começar com frio relevante em parte do país, mas não deve manter temperaturas baixas de forma constante até o fim. A tendência é de inverno dividido entre episódios intensos de ar polar no início, chuva mais frequente no Sul e retorno gradual do calor a partir de agosto.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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