A confirmação de dois casos do vírus Nipah na Índia colocou autoridades de saúde em estado de vigilância máxima e desencadeou medidas de contenção que já alcançam outros países da Ásia. Cerca de 190 pessoas foram colocadas em quarentena por precaução, segundo dados oficiais, enquanto governos vizinhos reforçaram protocolos de triagem para viajantes que passaram pelo país.
Em Hong Kong, o Serviço de Proteção da Saúde anunciou o endurecimento dos controles nos aeroportos. Equipes passaram a medir a temperatura de passageiros nos portões de desembarque, avaliar sintomas compatíveis com a doença e encaminhar casos suspeitos para unidades hospitalares. Macau adotou medidas semelhantes e recomendou que a população evite viagens à região indiana afetada, especialmente áreas da Bengala Ocidental.
O movimento de reforço sanitário ocorre diante das características preocupantes do vírus, que apresenta elevada taxa de mortalidade e ainda não possui vacina ou tratamento específico aprovado, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O que é o vírus Nipah
O Nipah é classificado como um vírus zoonótico, transmitido de animais para humanos. A infecção pode ocorrer pelo contato direto com animais infectados, pelo consumo de alimentos contaminados ou ainda por transmissão entre pessoas.
O patógeno foi identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia. Desde então, episódios foram registrados em países como Bangladesh, Índia, Filipinas e Singapura. Os morcegos frugívoros são considerados os principais reservatórios naturais do vírus.
Em regiões do sul da Ásia, investigações indicam que a contaminação pode ter ocorrido por meio da ingestão de frutas ou produtos atingidos por saliva ou urina desses animais.
Sintomas e evolução da infecção
A manifestação clínica do vírus Nipah pode variar amplamente. Há casos assintomáticos, mas também quadros que evoluem rapidamente para formas graves.
Os sintomas iniciais incluem febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Com a progressão, podem surgir tontura, sonolência, confusão mental e alterações neurológicas. Em situações mais severas, há registros de pneumonia atípica, insuficiência respiratória aguda e encefalite.
Nos casos críticos, o paciente pode apresentar convulsões e entrar em coma entre 24 e 48 horas após o agravamento do quadro. O período de incubação costuma variar entre quatro e 14 dias, embora existam relatos de até 45 dias.
A taxa de letalidade estimada oscila entre 40% e 75%, dependendo da rapidez no diagnóstico, da resposta médica e das condições de atendimento. Sobreviventes podem enfrentar sequelas neurológicas permanentes.
Tratamento e medidas de contenção
Segundo a OMS, não há medicamentos específicos nem vacina aprovada para combater o vírus Nipah. O tratamento é baseado em suporte clínico intensivo, com foco no controle das complicações respiratórias e neurológicas.
Diante desse cenário, autoridades de saúde reforçam a necessidade de vigilância epidemiológica rigorosa, identificação precoce de casos suspeitos, isolamento imediato e adoção de medidas preventivas, especialmente em regiões onde já houve registro de surtos.
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