IA é usada para simular comida estragada e forçar reembolsos

IA é usada para simular comida estragada e forçar reembolsos

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A popularização da inteligência artificial abriu novas possibilidades para diversos setores, mas também vem ampliando o alcance de golpes digitais. O mais recente alvo são os aplicativos de entrega de comida, que passaram a registrar um aumento significativo de fraudes baseadas em imagens manipuladas. Consumidores estão usando ferramentas de IA para alterar fotos de refeições e simular pratos crus, deteriorados ou até com insetos, com o objetivo de obter reembolsos indevidos.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal New York Post, plataformas como Uber Eats e DoorDash identificaram um crescimento no número de reclamações acompanhadas por imagens falsas. As fotografias, geradas ou editadas com inteligência artificial, apresentam defeitos visuais convincentes o suficiente para burlar os sistemas automáticos de verificação utilizados pelas empresas.

Fraudes se espalham por diferentes países e plataformas

O problema não se limita aos Estados Unidos. Casos semelhantes têm sido registrados em serviços de entrega na Europa e no Reino Unido, envolvendo aplicativos como Deliveroo, Uber Eats e Just Eat. Nesses mercados, usuários recorrem a softwares de edição e IA para transformar refeições normais em alimentos aparentemente impróprios para consumo, reforçando reclamações e exigindo o estorno do valor pago.

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Foto: Reprodução/Nini’s Kitchen

No Reino Unido, especialistas em direito classificam a prática como crime, enquadrada nas legislações locais contra fraude. Mesmo assim, o uso dessas ferramentas tem se disseminado rapidamente, impulsionado pela facilidade de acesso a aplicativos de geração e manipulação de imagens cada vez mais sofisticados.

Em alguns casos, os próprios golpistas passaram a divulgar as fraudes nas redes sociais. Há relatos de usuários que afirmam ter alterado imagens de hambúrgueres ou carnes para parecerem mal cozidas, obtendo reembolsos expressivos e até mensagens de desculpas das plataformas. Um dos exemplos citados envolve a edição de uma coxa de frango, que resultou em um estorno de US$ 26,60.

A repercussão, no entanto, não tem sido positiva. Muitos internautas criticaram abertamente a prática, apontando que o prejuízo costuma recair principalmente sobre restaurantes parceiros, que arcam com os custos dos pedidos contestados, enquanto os grandes aplicativos absorvem menos impacto financeiro.

Manipulação também atinge o lado dos entregadores

As fraudes com inteligência artificial não se restringem aos clientes. Segundo o New York Post, um entregador da DoorDash tentou comprovar a entrega de um pedido enviando ao consumidor uma imagem gerada por IA. Embora o golpe tenha sido identificado, o caso acendeu um alerta adicional sobre a fragilidade dos mecanismos de confirmação baseados exclusivamente em fotos.

Procuradas pela reportagem do New York Post, Uber Eats e DoorDash não se manifestaram sobre as medidas que pretendem adotar para conter esse tipo de fraude. Enquanto isso, especialistas alertam que as plataformas precisarão investir em tecnologias mais avançadas de detecção e em processos de análise mais rigorosos para evitar prejuízos e preservar a confiança no serviço.

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Foto: Reprodução/thomascoretv

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