Humanos passeiam na praia há 90.000 anos e as pegadas ficam para a eternidade

Numa revelação surpreendente, pesquisadores descobriram pegadas humanas com 90.000 anos de idade numa praia marroquina, formando um dos maiores e mais bem preservados conjuntos de pegadas antigas já encontrados. Publicado em 23 de janeiro na revista Scientific Reports, esse achado oferece uma janela única para o passado distante da humanidade.

A descoberta aconteceu quando a equipe liderada por Mouncef Sedrati, professor associado de dinâmicas costeiras e geomorfologia na Universidade do Sul da Bretanha, na França, explorava uma praia próxima enquanto estudava rochas. “Entre as marés, decidimos explorar outra praia ao norte”, contou Sedrati à Live Science. A surpresa veio com a identificação da primeira pegada, inicialmente incerta, mas que logo revelou-se parte de um caminho maior.

Utilizando a técnica de luminescência opticamente estimulada, a equipe determinou a idade das pegadas baseando-se nos grãos finos de quartzo que compõem a areia da praia. Estabeleceu-se que um grupo multigeracional de Homo sapiens caminhou pela praia há aproximadamente 90.000 anos, durante o Pleistoceno Superior, também conhecido como última era glacial.

As análises revelaram dois trajetos contendo um total de 85 pegadas humanas, feitas por pelo menos cinco indivíduos, incluindo crianças, adolescentes e adultos. “Medimos no local o comprimento e a profundidade das impressões”, explicou Sedrati. Isso permitiu aos pesquisadores estimar a idade aproximada dos indivíduos.

A excelente preservação das pegadas deve-se a vários fatores, incluindo a disposição da praia e a extensão das marés. “O excepcional é a posição da praia numa plataforma rochosa coberta de sedimentos argilosos”, disse Sedrati. Esses sedimentos criaram condições favoráveis para preservar os rastros na areia, enquanto as marés enterravam rapidamente a praia.

Ainda é incerto o que o grupo da era glacial estava fazendo na praia. Análises futuras do local podem revelar essa informação. Contudo, há urgência, pois o colapso contínuo da plataforma rochosa pode levar à eventual perda das pegadas preservadas.

Esta descoberta não apenas acrescenta um capítulo significativo à história da humanidade, mas também destaca a importância da pesquisa arqueológica e da preservação de sítios históricos. À medida que os pesquisadores continuam a estudar este sítio único, esperamos aprender mais sobre a história total desse grupo de humanos e suas atividades naquela época distante.

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