Silenciosa, curável e cercada de desinformação, a hanseníase segue presente e exige atenção à saúde pública
Apesar de ser uma doença conhecida há séculos, a hanseníase continua cercada de mitos, preconceito e desinformação. Muitos acreditam que ela pertence ao passado, mas os números mostram outra realidade: o Brasil segue entre os países com maior número de casos registrados no mundo, atrás apenas da Índia.
A hanseníase é uma enfermidade infecciosa, de evolução lenta, que pode causar danos sérios quando não diagnosticada e tratada corretamente. Por se manifestar de forma discreta no início, ela costuma passar despercebida, o que contribui para diagnósticos tardios e sequelas evitáveis.
Entender o que é hanseníase, suas causas, sintomas e tratamento não é apenas uma questão de informação médica, mas também de saúde coletiva. Conhecimento é uma das principais ferramentas para combater o estigma e interromper a cadeia de transmissão da doença.
O que é hanseníase e por que ela ainda existe
A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Ela afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo atingir também olhos, mucosas e outros órgãos, dependendo da evolução do quadro.
Trata-se de uma doença antiga, historicamente conhecida como lepra, termo que hoje não é mais utilizado oficialmente devido à carga de estigma associada. A mudança no nome reflete um esforço para reduzir o preconceito e estimular a busca por diagnóstico e tratamento.
Embora seja totalmente curável, a hanseníase ainda persiste por fatores sociais, econômicos e estruturais. A transmissão está relacionada a condições de vida, acesso limitado à saúde e desconhecimento sobre os sinais iniciais da doença.
Como a hanseníase se desenvolve no organismo
A bactéria responsável pela hanseníase tem crescimento lento. Isso significa que o período entre o contágio e o aparecimento dos primeiros sintomas pode levar anos. Durante esse tempo, a pessoa pode não apresentar sinais evidentes, dificultando a identificação precoce.
O principal alvo da bactéria são os nervos periféricos. À medida que a infecção avança, ocorre inflamação desses nervos, o que pode provocar perda de sensibilidade, formigamentos, fraqueza muscular e, em casos mais graves, deformidades físicas.
Esse caráter silencioso faz com que muitas pessoas só procurem atendimento quando os sintomas já estão avançados, reforçando a importância da informação e da vigilância em saúde.
Dados atuais sobre a hanseníase no Brasil e no mundo
Segundo dados recentes da Organização Mundial da Saúde, mais de 200 mil novos casos de hanseníase são registrados anualmente no mundo. O Brasil responde por uma parcela significativa desse número, com dezenas de milhares de diagnósticos todos os anos.
A maior concentração de casos ocorre em regiões com desigualdade social, dificuldade de acesso a serviços de saúde e baixa cobertura de diagnóstico precoce. Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam índices mais elevados.
Gráficos epidemiológicos mostram que, apesar da redução gradual ao longo das décadas, a taxa de detecção permanece estável em alguns territórios, indicando transmissão ativa e necessidade de políticas públicas contínuas.
Causas da hanseníase e formas de transmissão
A hanseníase é causada exclusivamente pela bactéria Mycobacterium leprae. Diferente do que muitos imaginam, ela não é altamente contagiosa. A maioria das pessoas tem imunidade natural contra a bactéria e nunca desenvolverá a doença, mesmo após contato.
A transmissão ocorre principalmente por meio das vias respiratórias, através de gotículas eliminadas por pessoas não tratadas ao falar, tossir ou espirrar. O contágio exige convivência próxima e prolongada, como ocorre em ambientes familiares.
Quem tem maior risco de contrair hanseníase
O risco é maior entre pessoas que convivem por longos períodos com pacientes não tratados. Condições como desnutrição, baixa imunidade e falta de acesso a serviços de saúde também aumentam a vulnerabilidade.
Crianças e adolescentes merecem atenção especial, pois a presença de casos nessa faixa etária indica transmissão ativa na comunidade.
Importante destacar que, após o início do tratamento, a pessoa deixa de transmitir a doença rapidamente, o que reforça a eficácia das estratégias de controle.
Mitos comuns sobre o contágio
A hanseníase não é transmitida por aperto de mão, abraço, uso compartilhado de objetos, roupas ou alimentos. Também não se pega a doença em contatos rápidos ou eventuais.
Esses mitos, ainda muito difundidos, contribuem para o isolamento social de pacientes e atrasam a procura por atendimento médico.

Sintomas da hanseníase e sinais de alerta
Os sintomas da hanseníase variam conforme a resposta imunológica do organismo. Em geral, os primeiros sinais são discretos e indolores, o que dificulta a percepção inicial.
O sinal mais característico é o aparecimento de manchas na pele com alteração de sensibilidade. Essas manchas podem ser claras, avermelhadas ou amarronzadas e costumam não coçar nem doer.
Principais sintomas iniciais
Entre os sintomas mais comuns estão perda ou diminuição da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor e ao toque, especialmente em áreas da pele afetadas. Dormência e formigamento em mãos e pés também são frequentes.
Outro sinal importante é a redução da força muscular, que pode dificultar movimentos simples, como segurar objetos ou caminhar longas distâncias.
Sintomas em fases mais avançadas
Sem tratamento, a hanseníase pode causar lesões nos nervos, levando a deformidades nas mãos, pés e rosto. Podem ocorrer feridas que não cicatrizam, queda de pelos em áreas afetadas e ressecamento da pele.
Em casos mais graves, a doença pode comprometer os olhos, resultando em diminuição da visão ou até cegueira, além de alterações nas mucosas do nariz.
Essas complicações não são inevitáveis. Elas surgem principalmente quando o diagnóstico é tardio.
Diagnóstico e tratamento da hanseníase
O diagnóstico da hanseníase é clínico, baseado na avaliação dos sintomas e no exame da pele e dos nervos. Em alguns casos, exames laboratoriais auxiliam na confirmação.
O tratamento é feito gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde e utiliza a poliquimioterapia, uma combinação de antibióticos que elimina a bactéria de forma eficaz.
Como funciona o tratamento
O tempo de tratamento varia de seis meses a um ano, dependendo da forma clínica da doença. O esquema é simples, seguro e altamente eficaz quando seguido corretamente.
Logo nas primeiras doses, a pessoa deixa de transmitir a hanseníase, o que permite vida social normal durante o tratamento.
Importância do diagnóstico precoce
Quanto mais cedo a hanseníase é identificada, menores são as chances de sequelas. O diagnóstico precoce interrompe a transmissão, protege os nervos e preserva a qualidade de vida do paciente.
Campanhas de conscientização e capacitação de profissionais de saúde são fundamentais para reduzir o impacto da doença.
Perguntas Frequentes
Hanseníase tem cura?
Sim. A hanseníase tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS.
Hanseníase é contagiosa?
A transmissão ocorre apenas por contato próximo e prolongado com pessoas não tratadas. Após iniciar o tratamento, não há mais risco de contágio.
Quais são os primeiros sinais da hanseníase?
Manchas na pele com perda de sensibilidade, formigamento e dormência são os sinais mais comuns.
Quanto tempo dura o tratamento?
O tratamento dura de seis meses a um ano, dependendo do tipo da doença.
Hanseníase causa deformidades?
Somente quando não tratada. Com diagnóstico precoce, as sequelas podem ser evitadas.
Qualquer pessoa pode contrair hanseníase?
Sim, mas a maioria das pessoas tem imunidade natural e nunca desenvolverá a doença.
Onde buscar atendimento?
Unidades básicas de saúde estão capacitadas para diagnosticar e tratar a hanseníase gratuitamente.
Conclusão
A hanseníase é uma doença antiga, mas ainda atual, silenciosa e totalmente curável. Informação correta, diagnóstico precoce e tratamento adequado são as principais armas para combater não apenas a doença, mas também o estigma que a acompanha.
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