Eliminar a gordura abdominal está entre os objetivos mais recorrentes de quem busca melhorar a saúde e a estética corporal. A chamada “barriga” incomoda por razões visuais, mas também merece atenção por estar associada a riscos metabólicos importantes, como diabetes tipo 2, hipertensão e doenças cardiovasculares. Diante desse cenário, não é raro que muitas pessoas cogitem procedimentos cirúrgicos na expectativa de uma solução rápida. No entanto, nem toda intervenção estética garante redução efetiva da gordura abdominal, especialmente quando hábitos diários permanecem inalterados.
De acordo com o cirurgião plástico Alexandre Kataoka, a base para diminuir a medida da cintura continua sendo a combinação entre alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos. Segundo ele, antes de pensar em qualquer procedimento, é essencial ajustar o estilo de vida. “A perda de gordura abdominal depende de um conjunto de fatores. Sem mudança alimentar e atividade física consistente, os resultados tendem a ser limitados”, explica.
Entre as principais orientações destacadas pelo especialista estão três pilares fundamentais: aumento do consumo de proteínas, ingestão adequada de fibras e adoção de uma rotina de exercícios regulares.
O primeiro ponto envolve a inclusão estratégica de proteínas na dieta. Considerado um dos macronutrientes mais relevantes no processo de emagrecimento, o consumo proteico adequado contribui para maior saciedade e controle do apetite. Estudos indicam que dietas com maior teor de proteína podem reduzir significativamente os desejos alimentares, além de promover discreto aumento do gasto calórico diário.
A explicação está no efeito térmico dos alimentos e na ação da proteína sobre hormônios ligados à fome e à saciedade. Ao consumir fontes proteicas de qualidade, o organismo tende a permanecer satisfeito por mais tempo, o que diminui a ingestão calórica ao longo do dia. Além disso, a proteína ajuda na preservação da massa muscular durante o emagrecimento, fator importante para manter o metabolismo ativo.
Entre as fontes recomendadas estão ovos, peixes, carnes magras, laticínios, leguminosas e oleaginosas. A variedade é essencial para garantir equilíbrio nutricional. A simples inclusão de uma porção adicional de proteína em refeições principais pode representar mudança relevante na composição corporal ao longo dos meses.
O segundo pilar envolve as fibras alimentares. Presentes principalmente em alimentos de origem vegetal, as fibras não são digeridas pelo organismo, mas desempenham papel decisivo no funcionamento intestinal e no controle do apetite. Pesquisas associam o aumento do consumo de fibras à redução espontânea da ingestão calórica diária.
Em termos práticos, adicionar cerca de 14 gramas de fibra por dia pode estar relacionado a diminuição significativa de calorias consumidas e consequente perda de peso gradual. Esse processo ocorre porque as fibras aumentam a sensação de saciedade e retardam o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de estômago cheio.
Frutas, verduras, legumes e leguminosas estão entre as principais fontes naturais. Cereais integrais, como aveia, também contribuem de forma importante. A recomendação, segundo especialistas, é priorizar alimentos in natura e minimizar ultraprocessados, que geralmente apresentam baixo teor de fibras e alta densidade calórica.
O terceiro ponto destacado por Alexandre Kataoka diz respeito à prática regular de exercícios físicos. Embora muitas pessoas concentrem esforços apenas em exercícios abdominais, a redução de gordura localizada não ocorre de forma isolada. O corpo perde gordura de maneira global, conforme o balanço energético se torna negativo.
Treinamentos de força, como musculação, auxiliam na manutenção e no ganho de massa muscular, o que favorece maior gasto energético basal. Já as atividades aeróbicas — como caminhada, corrida, ciclismo e natação — estão associadas à redução do percentual de gordura corporal, incluindo a região abdominal.
A combinação entre exercícios cardiovasculares e treino resistido tende a apresentar resultados mais consistentes. A regularidade é determinante. Sessões distribuídas ao longo da semana, respeitando orientação profissional, contribuem não apenas para a estética, mas também para prevenção de doenças crônicas.
O cirurgião ressalta que intervenções cirúrgicas podem ter indicação em casos específicos, mas não substituem hábitos saudáveis. Procedimentos como lipoaspiração, por exemplo, removem gordura localizada, porém não impedem o acúmulo futuro caso não haja mudança comportamental.
Outro aspecto relevante é o acompanhamento profissional. Antes de alterar a dieta ou iniciar suplementação, é recomendável consultar médico ou nutricionista. Cada organismo possui necessidades individuais, e estratégias devem ser adaptadas à realidade clínica de cada paciente.
A busca por resultados rápidos frequentemente conduz a soluções extremas, mas a ciência aponta que a constância supera a pressa. Ajustes graduais na alimentação, aumento do consumo de proteína e fibras e rotina consistente de exercícios formam a base para redução sustentável da gordura abdominal.
Perder medidas na região da barriga não depende de fórmulas milagrosas, mas de disciplina e orientação adequada. Ao compreender que o processo envolve metabolismo, composição corporal e hábitos diários, torna-se possível alcançar resultados duradouros com segurança e equilíbrio.

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