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Gaúchos mantêm tradição do churrasco e do chimarrão em meio à neve na Noruega

Mais de 11 mil quilômetros separam o Rio Grande do Sul da Noruega, mas a distância não impediu um grupo de gaúchos de manter costumes tradicionais em território europeu. Em Oslo, capital norueguesa, brasileiros criaram uma comunidade voltada à preservação de práticas culturais ligadas ao tradicionalismo gaúcho.

O grupo, conhecido como Vikings de Bombacha, reúne gaúchos que vivem na Noruega há quase uma década. Entre as atividades organizadas estão encontros tradicionalistas, acampamentos farroupilhas e churrascos realizados em meio à neve durante o inverno europeu.

O comunicador Herbert Meregali, natural de Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, explicou que o sentimento de saudade foi um dos fatores que contribuíram para a formação da comunidade.

“Ao fim, ao cabo, é sempre sobre saudade. É isso que aflora quando a gente está longe de casa”, afirmou.

Herbert se mudou para a Noruega em 2019 após a esposa receber uma proposta profissional para atuar na empresa Yara Fertilizantes, companhia norueguesa que possui forte atuação no Brasil.

Segundo ele, os primeiros encontros aconteceram de forma simples, mas cresceram ao longo dos anos com a participação de mais gaúchos residentes na Europa.

“Quando tivemos a ideia de fazer o primeiro acampamento farroupilha, que não foi mais do que um churrasco no dia 20 de setembro, éramos apenas 16 gaúchos aqui. Hoje, a gente já reúne 150 pessoas na data”, disse.

Com a repercussão das atividades nas redes sociais, brasileiros que vivem em outros países europeus passaram a viajar até Oslo para participar dos encontros promovidos pelo grupo. Entre os participantes, há pessoas vindas do Reino Unido, Irlanda, Portugal, Itália, Alemanha e Holanda.

Uma das principais atividades organizadas pelos Vikings de Bombacha é o churrasco na neve. Durante o inverno no Hemisfério Norte, integrantes do grupo viajam até regiões montanhosas localizadas a várias horas de Oslo para preparar costelas assadas em ambientes com temperaturas negativas.

Ao comentar a experiência, Herbert destacou as dificuldades enfrentadas para manter o fogo aceso em temperaturas extremas.

“A gente vai para as montanhas e acaba fazendo esse assado que se tornou uma celebração mesmo. O maior desafio, com certeza, é manter o calor. Estamos falando de temperaturas de menos 12 graus Celsius. Então, é muita lenha e muita paciência”, afirmou.

Além das condições climáticas, os integrantes também enfrentam dificuldades para encontrar produtos típicos do Rio Grande do Sul na Noruega.

Herbert relatou que a erva-mate costuma ser rara nos mercados locais e possui valor elevado.

“Dificilmente a gente encontra nos mercados uma erva-mate gaúcha para comprar aqui. E, quando encontra, o valor supera os 100 reais o quilo”, comentou.

Outro desafio mencionado pelo grupo é a dificuldade para encontrar cortes tradicionais utilizados no churrasco gaúcho.

Segundo Herbert, foi necessário negociar diretamente com açougueiros locais para conseguir adaptar os cortes ao padrão tradicionalmente utilizado no Rio Grande do Sul.

“Isso foi com muito diálogo: mostrar foto, vídeo, descobrir um açougueiro que estivesse disposto a cortar uma janela de costela, como a gente está acostumado. Até porque a carne aqui é um item muito caro”, explicou.

Ele também comentou as diferenças culturais relacionadas ao consumo de carne entre brasileiros e noruegueses.

“Uma sorte é que a costela acaba sendo uma carne de segunda para eles, utilizada em ensopados. E a carne limpa com os melhores preços é a picanha. Eles têm uma alimentação mais regrada do que nós brasileiros, não gostam de muita gordura”, afirmou.

Mesmo distante do Brasil, o grupo afirma que as atividades ajudam a manter vínculos culturais e aproximar os gaúchos que vivem fora do país.

“A gente consegue colocar em prática muitas dessas atividades mais campeiras, que a gente realizava no Rio Grande do Sul. Da nossa forma, do nosso jeito, com as nossas limitações, mas sobretudo com essência, com orgulho de ser quem somos”, concluiu Herbert.

Gaúchos mantêm tradição do churrasco e do chimarrão em meio à neve na Noruega
Foto: Vikings de Bombacha/Divulgação

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