Gatos laranja são mais engraçados? Ciência investiga a fama dos felinos ruivos

Gatos laranja são mais engraçados? Ciência investiga a fama dos felinos ruivos

Os gatos de pelagem laranja ganharam forte presença nas redes sociais por comportamentos considerados engraçados, imprevisíveis ou agitados. Vídeos de felinos dessa cor saltando de móveis, derrubando objetos ou interagindo de forma incomum com outros animais ajudaram a reforçar a ideia de que eles seriam os “engraçadinhos” do mundo felino.

A percepção popular, no entanto, ainda não significa uma conclusão científica. Gatos laranja não formam uma raça específica. A cor pode aparecer em animais de diferentes raças e perfis genéticos, o que torna mais difícil associar a pelagem a um padrão único de comportamento.

O que a ciência já descobriu

No início de 2025, pesquisadores identificaram o gene associado à coloração laranja em gatos. Ele se chama ARHGAP36 e está ligado ao cromossomo X. A descoberta ajudou a explicar por que gatos laranja são, em sua maioria, machos.

As fêmeas possuem dois cromossomos X e precisam herdar duas cópias relacionadas à coloração para apresentar a pelagem laranja. Já os machos, que têm cromossomos XY, precisam de apenas uma cópia para desenvolver essa cor.

Esse ponto é importante porque alguns pesquisadores observam que gatos machos podem apresentar comportamento mais extrovertido em determinadas situações. Ainda assim, essa relação não comprova que todos os gatos laranja sejam mais brincalhões, sociáveis ou engraçados.

Gatos laranja são mais engraçados? Ciência investiga a fama dos felinos ruivos

Estudos analisaram percepção dos tutores

Em 2015, um estudo publicado na revista “Anthrozoös” usou uma pesquisa online anônima para avaliar como as pessoas percebiam gatos de diferentes cores. O levantamento indicou que os participantes eram mais propensos a atribuir simpatia aos gatos laranja.

No mesmo ano, outro estudo publicado no “Journal of Veterinary Behavior” também encontrou sinais de que a cor da pelagem poderia estar associada a algumas diferenças comportamentais. Segundo Carlo Siracusa, cientista clínico da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a maioria das diferenças observadas estava relacionada à raça, mas também havia variações ligadas à cor.

Essas pesquisas, porém, dependem em parte da percepção dos tutores. Isso significa que os resultados podem ser influenciados por expectativas, experiências pessoais e até pela fama que determinados gatos já têm na cultura popular.

A genética pode influenciar o comportamento?

A relação entre cor e comportamento em animais é estudada há anos, mas ainda exige cautela. Um gene responsável por determinada característica física pode estar relacionado a outras funções no organismo, dependendo de como atua no desenvolvimento.

No caso do ARHGAP36, estudos em humanos e camundongos indicam que o gene pode ter expressão no cérebro e em glândulas hormonais. Além disso, as células pigmentares, responsáveis pela cor dos pelos e da pele, têm origem em estruturas embrionárias que também podem dar origem a neurônios e células endócrinas.

O geneticista Hiroyuki Sasaki, professor emérito da Universidade de Kyushu, no Japão, afirma que é possível especular que uma mutação nesse gene tenha algum efeito sobre temperamento e comportamento. Ele ressalta, no entanto, que essa hipótese ainda não está comprovada.

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Nem todo gato laranja se comporta igual

Mesmo que futuras pesquisas confirmem alguma ligação entre genética, cor da pelagem e comportamento, especialistas destacam que sempre haverá exceções. Cada gato tem uma combinação própria de genética, ambiente, criação, socialização, saúde e experiências ao longo da vida.

Siracusa afirma que, na rotina clínica, é comum encontrar tutores que escolhem um animal por causa de uma expectativa associada à raça ou à cor e depois se surpreendem com um comportamento completamente diferente. Isso reforça que a pelagem pode até despertar hipóteses, mas não define sozinha a personalidade do felino.

O ambiente também tem papel importante

O comportamento de um gato não depende apenas da genética. A convivência com humanos, o espaço disponível, a presença de outros animais, a rotina da casa, a oferta de estímulos e a forma como o tutor interage com o felino influenciam diretamente seu modo de agir.

Um gato laranja pode ser brincalhão e sociável, mas também pode ser reservado, calmo ou independente. Da mesma forma, gatos de outras cores podem apresentar comportamentos intensos, curiosos ou considerados engraçados pelos tutores.

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Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.

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