Fraudes ligadas à Copa crescem no Brasil e acendem alerta antes do Mundial de 2026

Fraudes ligadas à Copa crescem no Brasil e acendem alerta antes do Mundial de 2026

Levantamentos apontam aumento de golpes relacionados à Copa do Mundo, com fraudes em redes sociais, Pix, ingressos, produtos falsificados e figurinhas.

As tentativas de fraude relacionadas ao futebol e à Copa do Mundo aumentaram no período que antecede o Mundial de 2026, que começa em 11 de junho e segue até 19 de julho, conforme calendário oficial da Fifa. O avanço dos golpes ocorre em meio à maior circulação de ofertas, produtos, ingressos, serviços e conteúdos vinculados ao evento, que terá 48 seleções e 104 partidas.

Levantamento divulgado pela NordVPN aponta que 34% dos brasileiros entrevistados relataram ter se deparado com golpes online relacionados ao futebol. No ciclo da Copa do Mundo de 2022, 19% afirmaram ter encontrado golpes ligados ao evento. A pesquisa foi encomendada pela empresa e realizada pela Syno International entre 3 e 10 de novembro de 2025, com mil participantes no Brasil, de 18 a 64 anos.

O aumento das fraudes ocorre em um ambiente de maior sofisticação das abordagens digitais. Especialistas do setor de segurança apontam que o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa reduziu o tempo necessário para a criação de páginas falsas, mensagens personalizadas, anúncios fraudulentos e documentos adulterados. Com isso, ações que antes exigiam mais conhecimento técnico passaram a ser estruturadas em períodos menores.

No Procon-SP, os registros envolvendo produtos, ofertas ou serviços relacionados à Copa do Mundo também cresceram. De acordo com o órgão, foram 238 reclamações desde março de 2026. O número passou de 19 registros em março para 63 em abril e chegou a 156 em maio. Entre os principais problemas relatados estão atraso ou não entrega de produtos, oferta não cumprida, venda enganosa e entrega de item incompleto ou diferente do anunciado.

As reclamações também envolvem produtos colecionáveis, especialmente álbuns e figurinhas da Copa. Segundo o Procon-SP, as queixas sobre esse tipo de item passaram de zero em março para 34 em abril e 109 em maio. O órgão informou que parte dos problemas está relacionada a anúncios enganosos, falsificações, vendas em marketplaces, perfis de redes sociais e grupos de mensagens.

Segundo a NordVPN, as redes sociais e os aplicativos de mensagens aparecem entre os principais canais usados para disseminar golpes relacionados ao futebol. Entre os entrevistados que relataram contato com esse tipo de fraude, 51% citaram o Instagram, 48% o WhatsApp, 35% o Facebook e 26% o TikTok. A pesquisa também aponta maior frequência de golpes envolvendo apostas, ingressos falsos e mercadorias falsificadas.

A atuação dos criminosos não se limita a campanhas genéricas. Segundo especialistas em prevenção a fraudes, dados pessoais vazados, como CPF, e-mail, telefone e histórico de compras, podem ser usados para tornar as abordagens mais convincentes. A partir dessas informações, golpistas enviam ofertas personalizadas, simulam atendimentos de empresas conhecidas e criam páginas com aparência semelhante à de lojas legítimas.

Para Marcelo Souza, vice-presidente de Produto da Certta, empresa de verificação inteligente e soluções antifraude, a principal diferença entre os ciclos de 2022 e 2026 está na velocidade de produção das fraudes.

“Hoje, com ferramentas de inteligência artificial generativa acessíveis a qualquer pessoa, esse ciclo caiu para poucas horas”, afirma Marcelo Souza.

O executivo também avalia que os meios de pagamento alteraram o cenário das fraudes. Segundo ele, o Pix passou a ocupar posição central nas tentativas de golpe, principalmente pela rapidez da transferência e pela dificuldade de reversão após a confirmação da operação.

“O Pix também muda a equação de forma bastante concreta. A instantaneidade e a irreversibilidade da transação eliminam a janela de reação”, destaca.

Além de páginas falsas e ofertas enganosas, criminosos têm criado marcas fictícias que se apresentam como parceiras oficiais do evento. Há também relatos de perfis infiltrados em grupos de torcedores, colecionadores e consumidores de produtos ligados à Copa, com o objetivo de ganhar confiança antes da oferta de ingressos, figurinhas, camisetas, pacotes de viagem ou supostos itens promocionais.

Empresas de segurança digital também monitoram a criação de domínios associados ao Mundial. Relatório da FortiGuard Labs, da Fortinet, aponta que mais de 13 mil domínios temáticos relacionados à Copa do Mundo de 2026 foram registrados entre janeiro e maio deste ano, e parte deles foi classificada como maliciosa ou suspeita a partir de análises de padrão e atividade fraudulenta.

Para Marcelo Souza, a popularização de ferramentas capazes de gerar imagens, vídeos e documentos falsos amplia a dificuldade de verificação por parte dos consumidores e das empresas.

“Imagens, vídeos e documentos já não são sinônimo de verdade na internet, isso gera uma crise de confiança digital”, afirma.

O executivo defende que empresas adotem sistemas mais avançados de autenticação e monitoramento de comportamento para identificar tentativas de fraude em tempo real.

“Se os cibercriminosos alteram suas táticas em questão de horas, por que muitas companhias ainda levam semanas ou meses para atualizar regras de prevenção?”, questiona.

Segundo Souza, a prevenção dependerá cada vez mais da verificação de identidade e da capacidade de identificar comportamentos fora do padrão durante a navegação, a compra ou a tentativa de acesso a serviços digitais.

“A confiança real se constrói na camada de identidade, no reconhecimento do usuário e na capacidade de reagir de forma proporcional quando algo foge do padrão”, conclui.

O Procon-SP orienta os consumidores a verificarem a reputação de lojas e vendedores antes da compra, desconfiarem de preços muito abaixo da média, conferirem CNPJ, endereço, canais de atendimento, prazo de entrega, política de troca e condições da oferta. O órgão também recomenda guardar anúncios, comprovantes de pagamento e conversas, além de procurar o Procon mais próximo em caso de problema.

No caso de figurinhas, álbuns e produtos colecionáveis, a recomendação é confirmar se o item é oficial e se o fornecedor está identificado de forma clara. Compras feitas em redes sociais, marketplaces e grupos de mensagens exigem atenção adicional, principalmente quando o vendedor pressiona por pagamento imediato, oferece desconto fora da plataforma ou aceita apenas Pix.

Especialistas em segurança digital também recomendam cautela diante de sites recém-criados, páginas sem histórico de atendimento, ofertas com contadores regressivos e promoções que simulam urgência. Outro ponto de atenção é o uso de CNPJ sem relação com o setor de varejo ou comércio de produtos esportivos, prática comum em páginas falsas que utilizam dados de empresas sem vínculo com a oferta anunciada.

A orientação geral é que o consumidor evite clicar em links recebidos por mensagens, confirme ofertas nos canais oficiais das empresas e dê preferência a meios de pagamento que permitam contestação. Em caso de suspeita de golpe, a recomendação é registrar boletim de ocorrência, comunicar a instituição financeira e reunir provas da transação, como prints, comprovantes, mensagens e dados do vendedor.

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Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.

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