Frascos coletados por Charles Darwin há quase 200 anos são analisados sem serem abertos

Frascos coletados por Charles Darwin há quase 200 anos são analisados sem serem abertos

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Quase duzentos anos após as expedições científicas que marcaram a história da biologia, frascos lacrados contendo espécimes coletados por Charles Darwin voltaram ao centro das atenções. Guardados desde o século XIX, esses recipientes históricos passaram por uma investigação inédita conduzida por pesquisadores do Museu de História Natural de Londres — e o mais surpreendente: sem que precisassem ser abertos.

Durante sua jornada a bordo do HMS Beagle, entre 1831 e 1836, Darwin reuniu uma vasta coleção de organismos, especialmente nas Ilhas Galápagos. Mamíferos, répteis, peixes, águas-vivas e crustáceos foram preservados em líquidos e armazenados em frascos que atravessaram gerações. Agora, a ciência contemporânea lança um novo olhar sobre esse material, combinando preservação patrimonial e tecnologia de ponta.

Tecnologia a laser revela composição sem romper lacres

A equipe britânica aplicou um método avançado baseado em espectroscopia a laser para examinar 46 frascos históricos. A técnica, conhecida como Espectroscopia Raman com Deslocamento Espacial (SORS), permite identificar a composição química de substâncias mesmo quando estão dentro de recipientes fechados.

Frascos coletados por Charles Darwin há quase 200 anos são analisados sem serem abertos
Foto: Wikimedia Commons

O funcionamento é preciso: um feixe de laser atravessa o vidro do frasco e interage com o líquido conservante. Ao retornar, a luz sofre pequenas alterações no comprimento de onda. Essas variações são analisadas por sensores capazes de mapear a assinatura química do conteúdo interno, sem contato direto com o material.

Essa abordagem elimina a necessidade de abrir os recipientes — procedimento que poderia comprometer a integridade das amostras por evaporação, contaminação ou exposição ao ambiente.

Métodos de preservação variavam conforme o organismo

As análises revelaram que os métodos de conservação empregados no século XIX não seguiam um padrão único. Mamíferos e répteis, por exemplo, eram frequentemente tratados com formalina antes de serem armazenados em etanol. Já os invertebrados apresentavam maior diversidade de soluções preservativas, incluindo misturas tamponadas e líquidos com aditivos específicos.

Essa variação sugere que as técnicas adotadas na época consideravam características biológicas distintas dos organismos coletados. Além disso, o estudo indicou que o tipo de recipiente — vidro ou plástico — também pôde ser identificado por meio da tecnologia aplicada.

Os pesquisadores conseguiram determinar corretamente os fluidos utilizados em cerca de 80% das amostras examinadas, um índice considerado significativo diante da complexidade histórica do material.

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