Fotógrafos e moradores da Serra Catarinense têm enfrentado temperaturas abaixo de zero para registrar imagens da geada durante o inverno. A rotina começa ainda de madrugada, antes do nascer do sol, quando as condições climáticas favorecem a formação de gelo sobre campos, vegetação, cercas, animais e outras superfícies.
A região, conhecida por registrar algumas das menores temperaturas do país, voltou a chamar atenção nesta semana com a chegada de uma onda de frio que atingiu diversas cidades brasileiras. Em municípios como São Joaquim e Bom Jardim da Serra, as temperaturas negativas transformaram a paisagem e atraíram profissionais, moradores e turistas interessados nos registros do fenômeno.
Em São Joaquim, o fotógrafo Michel é um dos moradores que acompanham de perto a formação da geada. A rotina dele começa por volta das 5h, quando monitora os pontos mais frios da região para identificar onde o gelo deve aparecer com maior intensidade. Antes de sair, ele precisa lidar com situações comuns no inverno rigoroso da Serra, como descongelar o vidro do carro com água morna.
O trabalho faz parte de uma rotina repetida mais de 140 vezes por ano. Ao chegar aos vales, o fotógrafo encontra campos cobertos de branco, animais com cristais de gelo sobre o pelo e até teias de aranha congeladas. As imagens são usadas em registros fotográficos e vídeos que mostram as condições do inverno na região.
A geada ocorre quando há temperaturas abaixo de zero, céu limpo e ausência de vento. Nessas condições, o vapor de água presente no ar entra em contato com superfícies frias, como plantas e gramados, e congela, formando cristais de gelo. Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a geada não cai do céu, mas se forma diretamente sobre as superfícies.
Michel afirmou que o reconhecimento das imagens e o impacto no turismo da região são fatores que o motivam a continuar registrando o fenômeno.
“Chego e vejo que as imagens saíram dos principais jornais do Brasil e do mundo. Vejo os turistas indo para cá. Então isso me dá muito orgulho”, afirmou.
A relação de Michel com as geadas começou nos anos 1990, quando ele assistiu a uma reportagem sobre o frio em São Joaquim. Desde então, passou a acompanhar o fenômeno e a registrar imagens em diferentes pontos da Serra Catarinense. Em algumas ocasiões, ele já deitou sobre lagos congelados, fotografou em temperaturas extremas e produziu imagens que ganharam repercussão nas redes sociais.
O trabalho também influenciou outros moradores da região. Em Bom Jardim da Serra, o produtor de maçãs Sérgio passou a registrar as paisagens congeladas após observar que São Joaquim era frequentemente citada nas reportagens sobre o frio, enquanto outras cidades próximas também apresentavam temperaturas baixas e cenários semelhantes.
Há oito anos, Sérgio percorre áreas da região a pé para registrar a geada em diferentes pontos do município. O trabalho já resultou em imagens exibidas em telejornais nacionais, incluindo registros feitos no dia mais frio do ano até agora no Brasil, quando os termômetros marcaram 9,2°C abaixo de zero.
Sérgio afirmou que as condições enfrentadas durante os registros podem ser extremas, principalmente por causa da perda de sensibilidade nas mãos durante as gravações.
“Já teve situações de eu ter que parar de filmar porque não conseguia segurar o celular. Perdi a sensibilidade das mãos”, relatou.
Os registros feitos por moradores e fotógrafos ajudam a divulgar as paisagens de inverno da Serra Catarinense e mostram uma realidade climática pouco associada ao Brasil por parte do público de outras regiões. A busca pelas imagens, no entanto, exige preparo, deslocamento em horários de frio intenso e exposição prolongada a temperaturas negativas.


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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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