O pai informou que foi até o local onde o filho estava trabalhando e encontrou a colheitadeira ligada, mas Almir não estava lá
A Polícia do Paraguai está procurando por um agricultor, filho de brasileiros, que desapareceu no Departamento de Caaguazú, a aproximadamente 150 km da fronteira com o Brasil. Almir Brum, de 32 anos, é produtor rural e desapareceu quando estava trabalhando no campo. A família informou que não tem notícias dele desde o dia 21 de fevereiro. A principal suspeita é de que ele tenha sido sequestrado pelo grupo terrorista Exército do Povo Paraguaio (EPP).
O pai informou que foi até o local onde ele trabalhava e encontrou a colheitadeira ligada, mas Almir não estava lá. No local, eles encontraram um panfleto que seria atribuído ao autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP).
Durante uma coletiva de imprensa realizada na segunda-feira (23), a polícia do Paraguai informou que as buscas foram intensificadas e a prioridade do governo é encontrar Almir vivo. A operação de buscas está sendo realizada pela Polícia Nacional e pelas Forças Armadas.
A região, que há anos é rota internacional do tráfico de drogas e território disputado por facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital), passou a ser também área de atuação de grupos guerrilheiros paraguaios. E a presença deles naquela área já virou tema de preocupação para autoridades brasileiras, incluindo policiais federais e diplomatas.
Existem no Paraguai duas guerrilhas de origem comum e linhas de atuação semelhantes. Ambas têm cerca de cem membros cada, segundo autoridades paraguaias. O EPP (Exército do Povo Paraguaio) foi fundado em 2008. Já o ACA-EP (Agrupamento Camponês Armado – Exército do Povo) foi criado em 2019 por dissidentes do EPP.
Os dois grupos lutam, em tese, pela distribuição de terras a camponeses no Paraguai e são contra, entre outras coisas, que brasileiros detenham parte das áreas agricultáveis de seu país – hoje, cerca de 60% das fazendas de soja do leste do Paraguai pertencem a brasileiros.
Os guerrilheiros transitam principalmente por estados da região nordeste do Paraguai cobrando “impostos” de grandes agricultores ou realizando sequestros e pedindo resgates para se financiarem.
Segundo o diplomata Carlos Alberto Simas Magalhães, que chefiou a embaixada brasileira no Paraguai entre 2017 e 2019, a EPP, especificamente, intensificou suas ações contra brasileiros que vivem no Paraguai no fim de 2018. “Em relação à guerrilha autodenominada ‘Exército do Povo Paraguaio’ (EPP), nota-se, a partir de novembro de 2018, intensificação de ações contra cidadãos brasileiros, especialmente empresários do ramo agropecuário, nos departamentos próximos à fronteira com o Mato Grosso do Sul”, escreveu.

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(As informações são do g1 e CNN Brasil)



