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Ex-piloto da Air Canada é acusado de comandar mais de 900 voos sem licença exigida

Um ex-piloto da Air Canada foi acusado por autoridades canadenses de comandar mais de 900 voos domésticos e internacionais sem possuir a licença exigida para atuar como comandante de aeronaves comerciais de grande porte. O caso envolve Geoffrey Wall, de 59 anos, morador de Barrie, na província de Ontário, que trabalhou na companhia aérea por quase três décadas.

Segundo a Polícia Regional de Peel, Wall ingressou na Air Canada em 1998 como copiloto e passou a atuar como comandante a partir de 2009. As acusações indicam que ele teria exercido a função até 2025 sem a Licença de Piloto de Transporte Aéreo para Aviões, documento necessário para comandar voos comerciais de passageiros em aeronaves de maior porte.

A investigação aponta que o ex-piloto possuía uma licença comercial válida, mas não a habilitação de nível superior exigida para a função de comandante. Durante o período investigado, ele teria operado voos nacionais e internacionais, transportando milhares de passageiros em aeronaves como os modelos Boeing 767, 777 e 787.

Em coletiva de imprensa realizada na terça-feira, 9 de junho, o vice-chefe da Polícia Regional de Peel, Nick Milinovich, afirmou que o caso chamou a atenção pela extensão das supostas irregularidades.

Segundo Milinovich, os detalhes da investigação “parecem o roteiro de um filme”.

O detetive Chad Michell explicou que a função de comandante envolve responsabilidade direta sobre a condução do voo e a segurança da aeronave.

“Como comandante, o acusado era considerado o piloto comandante e era o responsável final pela operação e segurança da aeronave durante o voo”, afirmou.

As suspeitas começaram após uma verificação de rotina de documentação no Terminal 1 do Aeroporto Internacional Pearson, em Toronto, localizado em Mississauga, Ontário. Durante a fiscalização, foram identificadas inconsistências nas credenciais apresentadas pelo piloto.

De acordo com Michell, a análise inicial foi conduzida pelo Ministério dos Transportes do Canadá, antes de o caso ser encaminhado à polícia.

Na coletiva, o detetive afirmou que “foram detectadas anomalias na documentação da licença de piloto que apresentou”.

A Polícia Regional de Peel informou que iniciou a investigação criminal em janeiro de 2026, após receber informações do Ministério dos Transportes do Canadá sobre as conclusões da análise regulatória. O trabalho foi conduzido pelo setor de fraudes da corporação e recebeu o nome de Project Icarus.

As autoridades afirmam que, embora Geoffrey Wall tivesse algumas qualificações para atuar na aviação comercial, ele nunca obteve a licença específica exigida para comandar os aviões de passageiros que pilotava. A investigação também aponta que ele teria acumulado milhões de dólares canadenses em salários durante o período em que exerceu a função de comandante.

O ex-piloto foi acusado de crimes que incluem fraude acima de 5 mil dólares, uso de documentos falsificados, posse de marca falsificada e perturbação da ordem pública. Ele deverá comparecer ao tribunal no dia 29 de junho.

Em comunicado divulgado após a revelação do caso, a Air Canada afirmou que a segurança dos passageiros não foi comprometida. A companhia declarou que seus pilotos passam por treinamentos recorrentes obrigatórios a cada seis meses e por verificações anuais de voo com profissionais certificados pela Transport Canada.

A empresa afirmou ainda que o ex-funcionário possuía licença comercial válida e cumpriu as exigências de treinamento operacional ao longo do período em que trabalhou na companhia.

“Durante todo o seu período de trabalho na Air Canada, o indivíduo em questão era um piloto totalmente qualificado, detentor de uma Licença de Piloto Comercial válida, e cumpriu ou superou com sucesso a formação recorrente exigida, demonstrando um elevado nível de competência para operar aeronaves de grande porte em segurança”, afirmou a Air Canada.

A companhia também informou que o caso foi comunicado voluntariamente ao órgão regulador canadense após a identificação das irregularidades. Segundo a Air Canada, uma auditoria interna não encontrou outros casos semelhantes entre seus pilotos.

O caso segue sob investigação e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça canadense.

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