Estudo sugere que o microbioma da pele pode ser aproveitado como repelente de mosquitos

A luta contra as doenças transmitidas por mosquitos pode estar prestes a ganhar um aliado inesperado: o microbioma da pele humana. Uma pesquisa recente sugere que manipular os micróbios que habitam nossa pele para produzir certos odores pode repelir mosquitos de maneira eficaz, oferecendo uma nova estratégia para prevenir picadas e a propagação de doenças graves.

Cientistas já sabiam que os mosquitos são atraídos pelo odor único dos seres humanos, mas a novidade reside na descoberta de que o microbioma da pele pode gerar químicos que repelam esses insetos. O estudo, publicado na revista Scientific Reports, identificou compostos voláteis produzidos pela pele que têm o potencial de afastar o Aedes aegypti, vetor de doenças como dengue, febre amarela e Zika.

A motivação para esta pesquisa veio da necessidade urgente de novas ferramentas para combater a resistência aos inseticidas e a ineficácia de repelentes sintéticos. Com a possibilidade de algumas populações de mosquitos e parasitas tornarem-se resistentes às abordagens tradicionais, a equipe liderada por Iliano Vieira Coutinho-Abreu, da Universidade da Califórnia em San Diego, buscou soluções inovadoras no microbioma da pele humana.

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Explorando a ideia de que alterar a composição do microbioma da pele poderia modificar os sinais olfativos humanos, os pesquisadores cultivaram cepas bacterianas comuns na pele e analisaram os compostos voláteis por eles liberados. Três voláteis específicos mostraram-se repelentes aos mosquitos: ácido 2-metil butírico, ácido 3-metil butírico e geraniol. Essas substâncias, comuns em frutas e óleos essenciais, poderiam ser a chave para uma proteção duradoura contra mosquitos.

Curiosamente, o estudo também confirmou a atração dos mosquitos pelo ácido lático, um conhecido atrativo. Alguns voláteis, como o octanol e o ácido acético, não atraíram mosquitos a menos que combinados com ácido lático, sugerindo que este ácido desempenha um papel central na atração dos insetos pela pele humana.

Os resultados preliminares indicam que é possível modificar geneticamente as bactérias residentes na pele para que deixem de produzir ácido lático ou para que produzam compostos repelentes. Experimentos em camundongos mostraram que a aplicação de bactérias com a via de síntese de ácido lático desativada reduziu significativamente o número de mosquitos atraídos. Estes achados abrem caminho para testes em humanos e o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção contra doenças transmitidas por mosquitos.

A pesquisa sobre o potencial repelente do microbioma da pele representa um avanço promissor na luta contra doenças transmitidas por mosquitos. Ao focar na fonte dos sinais que atraem esses insetos, os cientistas estão abrindo novos caminhos para prevenir picadas de maneira segura e natural. Embora ainda haja etapas a serem cumpridas antes que essas descobertas possam ser aplicadas em larga escala, a possibilidade de uma solução biológica para um problema de saúde pública global é uma perspectiva empolgante.

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