Estudo descobre espécie que viveu há 233 milhões de anos no Rio Grande do Sul

Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) revelou a existência de uma espécie que viveu há aproximadamente 233 milhões de anos no estado do Rio Grande do Sul. Batizado de Santagnathus mariensis, o animal pertence ao grupo dos cinodontes, ancestrais dos mamíferos. A descoberta foi feita a partir de fósseis encontrados por um morador de Santa Maria entre 2004 e 2005, que posteriormente foram doados ao Laboratório de Paleontologia de Vertebrados da UFRGS.

O estudo, liderado por Maurício Rodrigo Schmitt, doutorando do Programa de Pós-graduação em Geociências da UFRGS, teve início em 2019 e resultou na identificação de mais de 200 ossos preservados de quatro animais diferentes. Os fósseis incluem mandíbulas de diferentes tamanhos, o que sugere a existência de variações de tamanho dentro da espécie. Os espécimes encontrados têm aproximadamente 1,20 a 1,50 metros de comprimento e pesavam entre 9,8 e 16 kg. Ainda não é possível determinar o tamanho que esses animais atingiriam na fase adulta, pois todos os exemplares encontrados eram jovens.

A descoberta de quatro indivíduos juntos sugere a possibilidade de que tenham vivido em grupos ou apresentado algum tipo de comportamento social, como cuidado parental. A análise dos fósseis também permitiu inferir informações sobre a forma de locomoção e a alimentação desses animais. Com base na articulação do esqueleto, foi possível reconstruir o modo de locomoção, enquanto o formato largo e profundo dos dentes indica que Santagnathus mariensis era uma espécie herbívora, pertencente ao grupo Traversodontidae, conhecido por suas características alimentares.

Além dos fósseis de Santagnathus mariensis, os pesquisadores também encontraram uma maxila de Hyperodapedon sp., pertencente ao grupo dos Rincossauros. A presença desses dois grupos de fósseis na mesma área sugere uma “Zona de Associação”. Para determinar a idade em que Santagnathus mariensis habitou a região, os cientistas realizaram datações com isótopos, uma metodologia semelhante à datação por Carbono 14. A datação realizada na Zona de Associação de Hyperodapedon indicou que a espécie Santagnathus mariensis viveu cerca de 233,2 milhões de anos atrás.

A descoberta de Santagnathus mariensis contribui para um melhor entendimento da fauna pré-histórica da região do Rio Grande do Sul. Esses animais herbívoros, pertencentes ao grupo dos cinodontes, desempenharam um papel importante na evolução dos mamíferos e sua presença nos fósseis encontrados evidencia a riqueza e diversidade da vida pré-histórica que habitava a região há milhões de anos atrás.

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