Estresse pode alterar temporariamente o DNA? A ciência explica

Estresse pode alterar temporariamente o DNA? A ciência explica

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A sensação de estresse é familiar a qualquer pessoa. Prazos apertados, problemas financeiros, conflitos pessoais ou profissionais acionam no corpo uma reação automática de alerta. O que pouca gente imagina é que esse estado de tensão não afeta apenas o humor ou a pressão arterial. Estudos recentes indicam que o estresse pode provocar mudanças temporárias na forma como o DNA funciona dentro das células, influenciando processos biológicos de maneira mais profunda do que se supunha.

Essa descoberta não significa que o estresse “muda” o código genético de alguém. O que ocorre é algo mais sutil e igualmente relevante: alterações na maneira como determinados genes são ativados ou silenciados em resposta ao ambiente.

Como o estresse conversa com o DNA

O corpo humano possui mecanismos sofisticados para reagir a situações de ameaça. Quando o cérebro identifica perigo ou pressão, libera hormônios como cortisol e adrenalina. Esses hormônios não apenas preparam o organismo para a reação imediata, como também enviam sinais químicos que alcançam o núcleo das células.

É nesse momento que entra a epigenética, área da ciência que estuda como fatores externos podem modificar a expressão dos genes sem alterar a sequência do DNA. O estresse é um dos principais agentes capazes de desencadear essas modificações temporárias.

Estresse pode alterar temporariamente o DNA? A ciência explica

Epigenética: a chave para entender a mudança

A epigenética funciona como um sistema de “interruptores” biológicos. Certos marcadores químicos podem ligar ou desligar genes conforme a necessidade do organismo. Sob estresse intenso ou prolongado, alguns desses marcadores são ativados, alterando a produção de proteínas essenciais ao equilíbrio do corpo.

Essas mudanças podem impactar o sistema imunológico, o metabolismo, o sono e até o comportamento emocional. O mais importante é que, na maioria dos casos, essas alterações são reversíveis quando o nível de estresse diminui.

Pesquisas apontam que pessoas submetidas a estresse crônico apresentam maior inflamação no organismo e alterações na resposta imunológica. Isso ocorre porque genes relacionados à defesa do corpo passam a se comportar de forma diferente.

Ao mesmo tempo, o excesso de cortisol pode modificar a forma como outros genes atuam, interferindo no equilíbrio hormonal. Esse processo ajuda a explicar por que o estresse prolongado está associado a doenças cardiovasculares, distúrbios do sono e problemas digestivos.

O corpo registra experiências

Uma das descobertas mais intrigantes é que o organismo “registra” experiências de estresse por meio dessas alterações epigenéticas. Isso não significa memória consciente, mas sim uma adaptação biológica às condições enfrentadas.

Esse registro, no entanto, não é permanente. Quando o indivíduo retorna a um estado de equilíbrio, parte dessas modificações tende a desaparecer, restaurando o padrão original de funcionamento celular.

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