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Esporotricose: a zoonose que cresce em Santa Catarina e exige atenção redobrada de tutores de gatos

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A esporotricose é uma infecção fúngica que tem chamado a atenção das autoridades de saúde em Santa Catarina pelo aumento de registros em humanos e, principalmente, em felinos. A doença é causada por fungos do gênero Sporothrix, presentes no solo, em plantas e em matéria orgânica em decomposição, e encontra nos gatos um importante elo de transmissão.

Municípios como Itajaí e Joinville concentram parte relevante dos casos recentes. O cenário reúne fatores ambientais e sociais que favorecem a circulação do fungo, como clima quente e úmido, alta densidade populacional e grande número de gatos vivendo soltos ou em situação de abandono.

Segundo o infectologista Fábio Gaudenzi, da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina, a falta de diagnóstico precoce e o abandono de animais doentes estão entre os principais elementos que impulsionam a disseminação da doença no estado.

Como a doença aparece nos gatos

Nos felinos, a esporotricose costuma se manifestar por meio de feridas na pele que não cicatrizam. As lesões são mais frequentes na face, nas orelhas, nas patas e na região do focinho. Muitas vezes, essas feridas apresentam secreção e podem aumentar de tamanho com o passar dos dias.

Casos de esporotricose aumentam em Santa Catarina, sobretudo em Itajaí e Joinville. Entenda como a doença se transmite, quais são os sinais em gatos e humanos e como prevenir.
Foto: Divulgação ES1

Além das alterações cutâneas, o animal pode apresentar apatia, perda de peso e mudanças no comportamento. Por serem naturalmente curiosos e exploradores, os gatos que têm acesso à rua entram em contato com outros felinos infectados, ampliando o ciclo da transmissão.

O agente mais associado à forma zoonótica da doença é o Sporothrix brasiliensis, que possui alta capacidade de disseminação entre os gatos e destes para os humanos.

Como ocorre a transmissão para as pessoas

A transmissão para humanos acontece, quase sempre, pelo contato direto com as lesões do gato doente. Arranhões, mordidas e contato com secreções são as principais vias de infecção.

Nos seres humanos, a esporotricose provoca feridas na pele, geralmente em braços, mãos e rosto, que podem evoluir ao longo dos vasos linfáticos, formando nódulos endurecidos e áreas inchadas. O contágio entre pessoas é considerado extremamente raro.

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Foto: Divulgação Marise Mattos

Esse aspecto reforça o papel central dos gatos na cadeia de transmissão e evidencia a importância de cuidados específicos com os animais domésticos.

Por que os casos aumentaram em Santa Catarina

O crescimento dos registros no estado está ligado a uma combinação de fatores. O clima úmido favorece a sobrevivência do fungo no ambiente. A circulação de gatos nas ruas facilita o contato entre animais doentes e saudáveis.

Outro elemento decisivo é o abandono de felinos com lesões, que passam a atuar como disseminadores da infecção. A falta de informação sobre a doença também contribui para que muitos tutores demorem a procurar atendimento veterinário.

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina tem reforçado a necessidade de conscientização da população para interromper o ciclo de transmissão.

O que fazer para prevenir a esporotricose

A prevenção depende, em grande medida, de atitudes simples no dia a dia. Manter os gatos exclusivamente dentro de casa é uma das medidas mais eficazes para evitar o contato com animais infectados.

Ao notar qualquer ferida que não cicatriza no animal, o tutor deve procurar imediatamente orientação veterinária. Durante o manuseio de gatos com lesões suspeitas, recomenda-se o uso de luvas.

Também é fundamental não abandonar animais doentes. O tratamento existe, é eficaz quando iniciado precocemente e reduz drasticamente a chance de transmissão.

Pessoas que apresentarem lesões na pele após contato com gatos devem buscar atendimento médico para avaliação.

Saúde animal e saúde humana caminham juntas

A esporotricose é um exemplo claro da interligação entre saúde animal e saúde pública. O controle da doença passa necessariamente pela informação, pelo cuidado responsável com os pets e pelo acompanhamento das orientações das autoridades sanitárias.

Campanhas educativas, diagnóstico precoce e tratamento adequado são os pilares para reduzir os casos no estado. Proteger os gatos é, ao mesmo tempo, proteger as famílias e a comunidade.

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