Os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) de 2025 trouxeram um retrato detalhado da qualidade dos cursos de medicina no Brasil e acenderam um alerta para parte das instituições. A análise foi divulgada nesta segunda-feira, 19 de janeiro, pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Ministério da Saúde (MS) e envolveu 351 cursos de medicina participantes em todo o país.
Do total avaliado, 304 cursos pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que reúne universidades federais e instituições privadas. Nesse grupo, 204 cursos, o equivalente a 67,1%, alcançaram conceitos considerados satisfatórios no Enade, entre 3 e 5. Outros 99 cursos, cerca de 32%, ficaram nas faixas 1 e 2, abaixo do patamar mínimo de desempenho esperado, e serão submetidos a ações de supervisão por parte do MEC.
O Enamed é uma modalidade específica do Enade voltada à medicina e tem papel estratégico por permitir o aproveitamento dos resultados nos processos seletivos da residência médica. Os resultados individuais dos participantes foram divulgados em dezembro de 2025, e a nota final utilizada no Exame Nacional de Residência Médica (Enare) será publicada em 21 de janeiro de 2026.
Segundo o MEC, o objetivo central do exame é funcionar como instrumento de diagnóstico da formação médica no país. O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que os dados permitem identificar tanto os cursos que apresentam bom desempenho quanto aqueles que precisam de correções estruturais. Para ele, a avaliação é essencial para assegurar a qualidade da formação dos futuros médicos, com impacto direto no atendimento prestado à população em hospitais, unidades básicas de saúde e UPAs.
Um dos dados que mais chamaram atenção foi o desempenho das instituições municipais. De acordo com o ministro, cerca de 85% dos cursos de medicina mantidos por municípios tiveram resultados considerados insatisfatórios. Santana também ressaltou que mais de 80% dos cursos de medicina no Brasil são oferecidos por instituições privadas e que a cobrança de mensalidades deve vir acompanhada de qualidade acadêmica, infraestrutura adequada e corpo docente qualificado.
As medidas de supervisão previstas atingem cursos vinculados a 93 instituições de ensino superior. As ações são aplicadas de forma escalonada, conforme o percentual de concluintes considerados proficientes no exame. Quanto menor o desempenho, mais rigorosas são as medidas. O MEC afirma que o foco não é punir estudantes ou instituições, mas induzir melhorias e garantir a formação de médicos aptos a atuar no sistema de saúde.

Entre os cursos com conceito 1, oito apresentaram menos de 30% de concluintes proficientes e terão suspensão de novos ingressos. Outros 13 cursos, com desempenho entre 30% e 40%, sofrerão redução de 50% na oferta de vagas. Já na faixa 2, 33 cursos com proficiência entre 40% e 50% terão corte de 25% das vagas. Esses grupos também ficam impedidos de ampliar vagas e terão suspensa a participação em programas federais como o Fies.
Há ainda 45 cursos classificados na faixa 2 com mais de 50% de concluintes proficientes que, por ora, sofrerão apenas a proibição de aumento de vagas. Todas as instituições notificadas poderão se manifestar em até 30 dias e solicitar prazo para corrigir as deficiências apontadas. As medidas permanecem válidas até a divulgação do Conceito Enade 2026.
O balanço geral do exame, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostra que 89.024 estudantes e profissionais de medicina participaram da avaliação. Do total, 75% alcançaram desempenho considerado proficiente. Entre os concluintes dos cursos de medicina, a taxa de proficiência foi de 67%, enquanto entre médicos já formados inscritos no Enare o índice chegou a 81%.
A distribuição dos cursos por conceito revelou que 24 cursos ficaram no conceito 1, 83 no conceito 2, 80 no conceito 3, 114 no conceito 4 e 49 atingiram o conceito máximo, 5. Apenas um curso ficou sem conceito por ter menos de dez estudantes avaliados.
A análise por categoria administrativa indicou diferenças significativas. Instituições federais e estaduais apresentaram os melhores resultados, com taxas de proficiência acima de 80%. Já instituições municipais tiveram menos da metade dos estudantes com desempenho considerado adequado. No setor privado, instituições sem fins lucrativos tiveram resultados superiores às com fins lucrativos.
Além de avaliar os cursos, o Enamed também fortalece o Enare, exame que unifica o acesso à residência médica. Em 2025, o Enare registrou crescimento expressivo, com 262 instituições participantes, 87.035 inscritos e 7.197 vagas ofertadas, números bem superiores aos registrados em edições anteriores.
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