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Blue Monday: mito, emoções de janeiro e o que realmente explica a sensação de tristeza no início do ano

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O termo Blue Monday costuma voltar ao debate todos os anos no mês de janeiro, principalmente na terceira segunda-feira do mês, frequentemente apontada como o dia mais triste do ano. A expressão surgiu em 2005, criada pelo psicólogo Cliff Arnall durante uma campanha publicitária, e rapidamente se espalhou, passando a fazer parte do imaginário popular. Desde então, a data é associada a sentimentos de desânimo, tristeza e cansaço emocional típicos do início do ano.

Janeiro, de fato, costuma ser percebido como um mês mais longo e exigente. Após o período das festas de fim de ano, marcado por encontros, pausas na rotina e expectativas positivas, o retorno ao cotidiano pode provocar um contraste emocional significativo. Obrigações profissionais, compromissos financeiros e a retomada de responsabilidades deixam menos espaço para descanso e lazer, o que contribui para uma sensação de esgotamento logo nas primeiras semanas do ano.

Apesar da popularidade do conceito, não há comprovação científica de que exista um dia específico que concentre mais tristeza do que os outros. Emoções não seguem fórmulas matemáticas nem se manifestam da mesma forma para todas as pessoas. O chamado Blue Monday funciona mais como um rótulo simbólico para um estado emocional que já vinha se acumulando, do que como um fenômeno psicológico mensurável.

Para compreender melhor esse contexto, a psicóloga Catarina Lucas, diretora dos Centros Catarina Lucas, explica que a tristeza não deve ser encarada apenas como algo negativo. Segundo ela, trata-se de uma emoção informativa, que pode indicar limites ultrapassados, necessidades ignoradas ou desejos que ficaram em segundo plano ao longo do tempo. Em vez de ser evitada a qualquer custo, a tristeza pode funcionar como um sinal de alerta para ajustes necessários na vida pessoal ou profissional.

A especialista aponta que janeiro tende a ser um período mais sensível do ponto de vista emocional porque exige adaptação. Com o fim das festas, há uma quebra brusca de estímulos positivos e um retorno a uma rotina mais rígida. Esse processo pode gerar frustração, sensação de vazio ou desmotivação, especialmente quando as expectativas criadas no fim do ano não se concretizam imediatamente.

Outro fator que influencia o estado emocional nesse período é o clima. Em muitos países, janeiro é marcado por dias mais curtos, menos luz natural, frio e chuva. Essas condições podem afetar os níveis de energia e contribuir para sensações de cansaço, apatia e introspecção. O corpo reage às mudanças ambientais, e respeitar um ritmo mais lento pode ser uma forma saudável de atravessar o mês.

Para lidar melhor com esse momento, a orientação é reduzir a pressão interna. Evitar metas grandiosas logo no início do ano e priorizar pequenos objetivos diários ajuda a tornar o período mais administrável. Manter rotinas simples, cuidar do sono, da alimentação e reservar momentos de prazer, ainda que breves, são atitudes que contribuem para o equilíbrio emocional.

Também é importante não invalidar a própria tristeza nem tentar forçar uma alegria que não corresponde ao que se sente. Comparações constantes com outras pessoas, especialmente nas redes sociais, podem intensificar a sensação de inadequação. O isolamento total, por outro lado, tende a agravar o sofrimento. A tristeza pede escuta, acolhimento e compreensão, não negação.

Diversos fatores podem estar associados ao aumento da tristeza em janeiro, como estresse acumulado, dificuldades financeiras após as festas, conflitos pessoais, solidão ou expectativas frustradas em relação ao novo ano. Geralmente, esse estado emocional não surge por causa de um único evento, mas como resultado de um conjunto de experiências vividas ao longo do tempo.

É fundamental diferenciar tristeza de depressão. A tristeza é uma emoção comum, faz parte da experiência humana e, na maioria dos casos, é passageira. A depressão, por sua vez, é uma condição mais profunda e persistente, que interfere no funcionamento diário, na motivação, no sono, no apetite e nas relações sociais. Quando o sofrimento se prolonga ou se intensifica, buscar ajuda profissional é um passo essencial e deve ser encarado como autocuidado.

O apoio de amigos e familiares também desempenha papel relevante nesse processo. Sentir-se ouvido, sem julgamentos, pode aliviar o peso emocional e ajudar a ganhar perspectiva sobre o que está sendo vivido. Compartilhar sentimentos não resolve todos os problemas, mas reduz a sensação de solidão.

Nesse sentido, janeiro e o próprio conceito de Blue Monday podem ser vistos como um convite à reflexão. Sem a pressão por mudanças radicais ou resultados imediatos, o período pode servir para observar emoções, rever prioridades e planejar o futuro de forma mais realista. Respeitar o próprio tempo e reconhecer limites pode transformar um mês considerado difícil em uma oportunidade de maior autoconhecimento e cuidado emocional.

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