Dom Casmurro completa 125 anos: 10 razões que fazem dele um clássico universal da literatura

Completando 125 anos de existência, Dom Casmurro não é apenas uma joia da literatura brasileira — é um fenômeno universal. Escrito por Machado de Assis e publicado originalmente em 1899, o romance permanece vivo como poucos. Não é exagero dizer que o livro transcende o tempo. Ele ainda provoca, instiga e levanta questões que ninguém consegue responder com certeza. O segredo? Uma combinação única de estilo, estrutura e ousadia narrativa.

Ao longo deste artigo, você vai descobrir os 10 pontos centrais que ajudam a entender por que Dom Casmurro é considerado um dos maiores clássicos da literatura mundial — e por que, mesmo depois de mais de um século, seguimos perguntando: Capitu traiu ou não traiu?

Por que Dom Casmurro é tão importante?

A resposta direta? Porque trata de emoções humanas profundas com uma sofisticação rara. Mas vamos destrinchar.

1. Quem é Dom Casmurro?

Dom Casmurro é Bento Santiago — ou Bentinho, para os íntimos. Um homem que, já velho e amargurado, decide escrever sua autobiografia na tentativa de “atar as duas pontas da vida”. Logo percebemos que essa reconstrução é mais uma justificativa do que uma confissão. E aí mora a genialidade: Bentinho não quer contar a verdade. Ele quer convencer.

2. Por que o narrador é tão intrigante?

Porque ele é tudo menos confiável. Bentinho nos leva pela mão, mas esconde partes da história, omite, exagera, interpreta. Ele escreve para justificar seus próprios ressentimentos. É um tipo de manipulação sutil que nos faz duvidar até de nossas impressões. Um dos primeiros narradores não confiáveis da literatura — e um dos mais bem construídos.

3. Afinal, Capitu traiu ou não traiu?

Aqui está a pergunta de um milhão de reais — e Machado, com maestria, nunca responde. A ambiguidade é o coração do livro. Capitu, com seus “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”, parece tanto inocente quanto culpada. A dúvida é proposital e permanece viva, alimentando ensaios, debates e adaptações até hoje.

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4. Como o estilo de Machado de Assis contribui para o sucesso do livro?

Machado domina a arte do subtexto. Ele diz sem dizer. Sua prosa é afiada, econômica e cheia de ironia. Cada parágrafo é uma armadilha para o leitor desatento. Ele foi um mestre da psicologia disfarçada de literatura, e Dom Casmurro é seu ápice nesse sentido.

5. Que tipo de inovação narrativa o livro traz?

Muito antes de termos James Joyce, Virginia Woolf ou Faulkner, Machado já brincava com estrutura, com o fluxo de pensamento e com a metalinguagem. Em Dom Casmurro, o narrador conversa com o leitor, comenta suas próprias memórias e se contradiz. Isso, em 1899, era pura vanguarda.

6. Quais são os temas universais do livro?

Mesmo sendo profundamente brasileiro, o romance aborda questões universais: ciúmes, amor, amizade, culpa, honra e memória. Temas que atravessam culturas e permanecem atuais. Isso explica por que Dom Casmurro continua relevante, seja lido em português, inglês, francês ou japonês.

7. Por que Capitu é uma personagem tão marcante?

Porque ela foge de todos os estereótipos. Capitu é sagaz, sedutora, misteriosa. Ela não se encaixa nos modelos femininos da época, nem nos de hoje. É mulher antes do feminismo, é múltipla, é resistente. E é por isso que Capitu virou símbolo de liberdade — e de ambiguidade.

8. Qual é o papel da crítica social na obra?

Machado faz crítica social com bisturi. Sem precisar levantar o tom, ele escancara o moralismo, o patriarcalismo, a hipocrisia da elite carioca do século XIX. Tudo isso enquanto nos conta uma história aparentemente simples de amor e ciúmes. A crítica está nas entrelinhas — e é afiada como lâmina.

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9. Como o livro foi recebido fora do Brasil?

Hoje, Dom Casmurro figura em listas internacionais de grandes romances de todos os tempos. É traduzido, estudado e debatido em universidades mundo afora. Comparado a Shakespeare, Flaubert e Dostoiévski, Machado de Assis é reconhecido como um dos grandes nomes da literatura universal — e esse reconhecimento só cresce.

10. Por que cada leitura parece um livro novo?

Porque a genialidade da obra está em sua complexidade. Um adolescente que lê Dom Casmurro pela primeira vez vai entender uma história. Aos 30, verá outra. Aos 60, talvez, enxergue o Bentinho em si mesmo. A experiência de leitura se transforma com o leitor. Poucos livros têm essa capacidade de reinvenção.

Lista com curiosidades para leitores apressados:

  1. Dom Casmurro foi publicado originalmente em forma de folhetim.
  2. O título faz referência ao apelido dado a Bentinho por um poeta do subúrbio.
  3. A casa de Bentinho, chamada de “Casa Engenho Novo”, foi reconstruída por ele em memória ao passado — ou à ilusão dele.
  4. Capitu nunca fala em primeira pessoa — tudo o que sabemos vem da visão de Bentinho.
  5. O nome Capitu é único, provavelmente inventado por Machado.
  6. O livro é dividido em 148 capítulos curtos — quase como posts de blog antes da internet existir.
  7. Foi adaptado diversas vezes para teatro, cinema, televisão e até quadrinhos.
  8. É o romance mais estudado da literatura brasileira.
  9. Inspirou músicas, séries, memes e debates acalorados nas redes sociais.
  10. A dúvida sobre a traição de Capitu já virou tese de doutorado em várias línguas.

Tabela comparativa com outras grandes obras:

ObraAutorAnoTema centralEstilo narrativo
Dom CasmurroMachado de Assis1899Ciúmes, dúvida, memóriaNarrador não confiável
Madame BovaryGustave Flaubert1857Adultério, frustraçãoRealismo psicológico
Crime e CastigoFiódor Dostoiévski1866Culpa, redençãoFluxo de consciência
O Grande GatsbyF. Scott Fitzgerald1925Amor, ilusão, decadênciaNarrador testemunha
HamletWilliam Shakespeare1603Vingança, dúvida existencialTeatro em verso

Conclusão

Ao completar 125 anos, Dom Casmurro segue mais vivo do que nunca. Não é apenas um livro, mas um desafio literário, psicológico e moral. Machado de Assis não nos entregou respostas — nos entregou perguntas eternas. E é justamente essa inquietação que mantém o romance pulsante, renovado a cada geração. É clássico porque resiste ao tempo, ao esquecimento e à certeza.

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Ler Dom Casmurro é entrar num labirinto que se move com você. Cada curva revela um espelho — e nem sempre gostamos do que vemos. É por isso que ele ainda nos persegue. E que bom que é assim.

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