Um veterano norte-americano da Segunda Guerra Mundial tornou-se, aos 100 anos, o doador de órgãos mais velho dos Estados Unidos. Dale Steele faleceu em fevereiro de 2026 após sofrer um traumatismo craniano, mas sua história ganhou repercussão nacional ao comprovar que a idade avançada não é, necessariamente, um impedimento para a doação.
A captação foi conduzida pela organização Live On Nebraska, responsável por coordenar transplantes no estado. Segundo a instituição, o caso reforça que a condição clínica do órgão é mais determinante do que o número de anos vividos pelo doador.
Da Segunda Guerra à história na medicina
Dale Steele ingressou no serviço militar logo após concluir o ensino médio. Durante a Segunda Guerra Mundial, atuou na França, Alemanha, Bélgica e Tchecoslováquia. Entre suas atribuições estavam a identificação de remanescentes do exército nazista e o auxílio a sobreviventes de campos de concentração no retorno para casa.
Promovido a sargento, Steele também foi designado para atuar na guarda de réus durante os julgamentos de Nuremberg. Nesse período, teve contato direto com figuras centrais do regime nazista, como Hermann Göring, um dos principais líderes da Alemanha nazista.
Após o conflito, retornou à cidade de Bassett, em Nebraska, onde construiu vida no campo. Casou-se com Doris e formou uma família com quatro filhos e quatro netos. Trabalhou na criação de gado, administração de cooperativas e venda de equipamentos agrícolas, mantendo rotina ativa ao longo das décadas.

Doação surpreende familiares
Após o traumatismo que levou à sua hospitalização, Steele precisou de suporte vital. Foi nesse momento que a equipe da Live On Nebraska entrou em contato com seu filho, Roger Steele, para avaliar a possibilidade de doação do fígado.
A proposta inicialmente causou surpresa na família, considerando a idade do veterano. No entanto, exames indicaram que o órgão apresentava condições adequadas para transplante. O procedimento foi realizado no dia seguinte e considerado bem-sucedido, beneficiando um receptor que aguardava na fila.
Ciência explica viabilidade do fígado aos 100 anos
Especialistas explicaram que o fígado possui capacidade singular de regeneração celular. Diferentemente de outros órgãos, ele renova constantemente suas células ao longo da vida, o que pode manter sua funcionalidade mesmo em idade avançada, desde que não haja doenças graves associadas.
O diretor médico envolvido no caso ressaltou que, biologicamente, o fígado não “carrega” um século de idade. Sua renovação contínua pode torná-lo comparável ao de pessoas muito mais jovens. Além disso, a utilização de técnicas modernas de perfusão sanguínea quente ajudou a preservar o órgão até o transplante.
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