Um estudo recente baseado em análise de DNA antigo trouxe novas evidências sobre a organização social e os rituais funerários na Coreia do Sul durante a era dos Três Reinos, período que se estendeu entre os séculos IV e VI. A pesquisa amplia o entendimento sobre relações familiares, práticas culturais e estruturas de poder em sociedades antigas do Leste Asiático.
A investigação foi conduzida por uma equipe internacional liderada por Jeong Choong-won, da Universidade Nacional de Seul. Os cientistas analisaram o DNA de 78 indivíduos sepultados em 44 túmulos no complexo funerário de Imdang-Joyeong, um dos mais relevantes sítios arqueológicos do período.
Os resultados indicaram a presença de relações de parentesco entre vários dos indivíduos enterrados, incluindo casos de famílias completas sepultadas no mesmo local. Em alguns túmulos, foram identificados restos mortais de pais e filhos, confirmando a existência de vínculos diretos entre os ocupantes.
Evidências de casamentos entre parentes próximos
Outro aspecto relevante identificado pela pesquisa foi a ocorrência de casamentos entre parentes próximos. Os dados genéticos apontam que uniões dentro de até seis graus de parentesco eram praticadas tanto entre membros da elite quanto entre indivíduos associados aos rituais funerários.
Essa prática sugere uma estrutura social em que alianças familiares eram mantidas de forma restrita, possivelmente para preservar linhagens, status e controle de poder dentro de determinados grupos.

Prática do sunjang e sacrifícios humanos
O estudo também encontrou evidências da prática conhecida como sunjang, que consistia no sepultamento de indivíduos sacrificados junto a membros da elite. Em pelo menos 20 túmulos analisados, foram identificadas câmaras secundárias contendo restos humanos associados a esse ritual.
Em alguns casos, os indivíduos sacrificados apresentavam laços familiares entre si, o que indica que determinadas famílias podem ter sido destinadas, ao longo de gerações, a desempenhar esse papel dentro da sociedade. Essa hipótese reforça a ideia de uma estrutura social hierarquizada e hereditária.
Estrutura dos túmulos
A maioria dos túmulos do complexo de Imdang-Joyeong apresenta uma configuração com câmara principal e câmara secundária. Essa divisão estrutural reflete não apenas diferenças de status entre os indivíduos enterrados, mas também a complexidade dos rituais funerários praticados na época.
Os achados sugerem que os sepultamentos não eram eventos isolados, mas parte de um sistema cultural mais amplo, que envolvia tradição, poder político e organização familiar.
A prática do sunjang foi oficialmente abolida em 502 d.C., durante o reinado do Rei Jijeung, um dos três reinos que compunham a península coreana na época. A decisão marcou uma mudança significativa nas práticas funerárias e refletiu transformações políticas e sociais no período.
Os resultados completos da pesquisa foram publicados na revista científica Science Advances, consolidando novas interpretações sobre a história antiga da Coreia.
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