Uma nova descoberta arqueológica na cidade de York está chamando a atenção de especialistas em história antiga. Pesquisadores da Universidade de York identificaram vestígios de tecidos tingidos com púrpura de Tiro em túmulos de duas crianças romanas que viveram há aproximadamente 1.700 anos.
A descoberta é considerada rara e pode alterar parte da compreensão histórica sobre os costumes funerários da sociedade romana, especialmente em relação ao tratamento dado a bebês após a morte.
O que é a púrpura de Tiro
A chamada púrpura de Tiro era um dos corantes mais valiosos da antiguidade. Produzida a partir de moluscos marinhos do gênero Murex, sua fabricação exigia milhares de conchas para produzir pequenas quantidades de pigmento.
Por causa do alto custo, esse material normalmente era associado a imperadores, membros da aristocracia e famílias de alto status social dentro do Império Romano.
Encontrar esse tipo de pigmento em sepultamentos infantis sugere que algumas famílias da antiga York possuíam acesso a artigos extremamente sofisticados.

Como os pesquisadores identificaram o tecido
Segundo os especialistas, a identificação foi possível graças a uma técnica incomum de preservação. Durante o ritual funerário romano, uma camada de gesso líquido foi aplicada sobre os corpos das crianças envoltas em mortalhas.
Com o endurecimento do material, fragmentos do tecido e da coloração ficaram protegidos por séculos. A partir de análises químicas modernas, os cientistas conseguiram detectar os vestígios do pigmento roxo.
Os restos mortais analisados atualmente estão sob responsabilidade do York Museums Trust.
Descoberta pode mudar a visão sobre o luto na Roma Antiga
Além do valor arqueológico, a descoberta também tem impacto na interpretação histórica sobre relações familiares na Roma Antiga. Durante muito tempo, alguns estudiosos acreditavam que a sociedade romana demonstrava pouco envolvimento emocional diante da morte de bebês.
A arqueóloga Maureen Carroll afirmou que os achados mostram justamente o contrário: famílias estavam dispostas a oferecer despedidas cuidadosas e marcadas por símbolos de prestígio, mesmo em momentos de perda.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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