Com as novas ondas de calor que assolam o Brasil, a produção de ar-condicionado deve registrar um crescimento de 15% em 2025, conforme estimativas de Toríbio Rolon, presidente do Departamento Nacional do Comércio e Distribuição da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
Apesar da expectativa otimista, o setor ainda enfrenta desafios como a alta dos juros e a escassez de mão de obra especializada.
Rolon afirmou que, embora não haja uma previsão exata de vendas para este ano, a estimativa gira em torno de 240 mil unidades por mês.
“A demanda é muito ligada ao calor. Este ano tem sido marcado por altas temperaturas, mas as chuvas frequentes em algumas regiões podem atenuar a sensação térmica, influenciando o volume de compras”, explica.
Crescimento expressivo em 2024 impulsiona previsão para 2025
Os números do setor surpreenderam em 2024. Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) apontam que a produção de aparelhos do tipo split se aproximou de 6 milhões de unidades, um aumento superior a 50% em relação a 2023.
Essa expansão ocorreu paralelamente a uma elevação de 25,7% no preço dos aparelhos em janeiro de 2024, reflexo do desequilíbrio entre oferta e demanda.
Para este ano, no entanto, os desafios econômicos podem frear o crescimento do setor. A alta da taxa de juros e a restrição do crédito para os consumidores são fatores que podem impactar diretamente as vendas. “Com os juros elevados, as famílias têm mais dificuldade para financiar a compra de equipamentos, o que pode influenciar negativamente o volume de vendas”, afirma Rolon.
Escassez de mão de obra é um entrave para o setor
Outro problema apontado pelo presidente da Abrava é a escassez de profissionais capacitados para instalação e manutenção dos equipamentos.
“Nos períodos de pico de calor, o mercado conta com estoque suficiente de aparelhos, mas não encontra mão de obra qualificada para atender à demanda de instalação. Isso pode gerar atrasos e insatisfação entre os consumidores”, alerta.
Mesmo diante desse obstáculo, ele ressalta que outras questões de produção, especialmente no Polo Industrial de Manaus, estão mais estabilizadas, o que deve facilitar o abastecimento do mercado.
Apesar do aumento na demanda, os preços dos aparelhos de climatização registraram uma queda significativa. Segundo o Índice Fipe/Buscapé, os preços de ar-condicionado e ventiladores caíram 6,4% em janeiro de 2025, na comparação anual. O preço dos ventiladores também reduziu 4,6% no mesmo período.
A Fipe indica que a demanda por esses produtos deve crescer à medida que o verão avança, impulsionada por previsões de sensações térmicas que podem atingir até 70°C em algumas regiões do país.
Esse cenário cria um momento propício para aquisição desses itens, antes que uma nova elevação nos preços ocorra devido ao aumento da demanda.
Com o verão mais quente e seco, especialistas indicam que a busca por equipamentos de climatização seguirá alta, incentivando investimentos na indústria nacional e na formação de mão de obra especializada. A tendência é que, mesmo com os desafios econômicos, o setor se mantenha aquecido ao longo de 2025.
Para consumidores, a recomendação é aproveitar o momento de queda nos preços para adquirir aparelhos antes que a demanda crescente volte a pressionar os valores para cima.