A Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, divulgada pela Organização das Nações Unidas, aponta que os oceanos enfrentam uma crise ambiental agravada por mudanças climáticas, poluição, perda de biodiversidade e pressão crescente das atividades humanas sobre áreas costeiras e ecossistemas marinhos.
O documento, elaborado com o apoio de 550 especialistas, reúne dados acumulados ao longo das últimas décadas e descreve impactos diretos sobre a regulação do clima, a vida marinha e as populações que dependem dos oceanos para alimentação, renda, transporte e atividades econômicas.
Segundo o relatório, cerca de 37% da população mundial vivia, em 2024, a menos de 100 quilômetros de regiões costeiras. Essa concentração amplia a pressão sobre os ambientes marinhos, especialmente pelo avanço de moradias, atividades industriais, descarte de resíduos e degradação de habitats naturais.
A ONU afirma que as mudanças climáticas, impulsionadas por atividades humanas, têm acelerado o aquecimento dos oceanos e contribuído para o aumento do nível do mar. Desde 1955, 16% do aumento total da temperatura dos oceanos ocorreu depois de 2018.

No Ártico, o aquecimento ocorre em ritmo ainda mais intenso. De acordo com o levantamento, as temperaturas na região sobem cerca de quatro vezes mais rápido que a média global, o que contribui para o derretimento das calotas polares e altera o equilíbrio de ecossistemas sensíveis.
A taxa de elevação do nível do mar também aumentou nos últimos anos. O relatório indica que o ritmo passou de 1,9 milímetro por ano em 2015 para 4,3 milímetros por ano em 2023. A mudança representa risco para comunidades costeiras, infraestrutura urbana, áreas de produção e ambientes naturais.
Os efeitos também atingem diretamente a biodiversidade marinha. A elevação da temperatura e as alterações na disponibilidade de oxigênio afetam espécies, cadeias alimentares e ecossistemas inteiros. No Caribe, aproximadamente 80% dos recifes de coral desapareceram desde a década de 1970.
A ONU alerta que até 90% dos recifes de coral do mundo podem desaparecer caso o aquecimento global ultrapasse 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. O documento também aponta a redução contínua de ecossistemas costeiros importantes, como manguezais e pradarias marinhas.
A poluição plástica é outro ponto de preocupação. Segundo a organização, mais de 52 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos oceanos, contribuindo para um volume estimado de 24 trilhões de partículas de microplástico espalhadas pelo ambiente marinho.

A maior parte desse material não está visível na superfície ou nas praias. De acordo com comunicado da ONU, o plástico recolhido nesses locais representa apenas de 3% a 4% do total presente nos oceanos. O restante permanece disperso na água, submerso, fragmentado ou em áreas de difícil recuperação.
O relatório reconhece que governos e instituições vêm desenvolvendo medidas para reduzir emissões, ampliar a proteção marinha e restaurar ecossistemas degradados. No entanto, a ONU afirma que a restauração dos ambientes oceânicos responderia por apenas cerca de 2% das metas globais de mitigação das mudanças climáticas.
Para a organização, a resposta à crise dos oceanos depende de ações globais rápidas, coordenadas e sustentadas por acordos internacionais. Entre os pontos considerados prioritários estão a redução da poluição plástica, o controle das emissões de gases de efeito estufa e a ampliação de áreas marinhas protegidas.
O Comitê Intergovernamental de Negociação sobre Poluição Plástica foi criado em 2022 para buscar uma solução global para o problema. Apesar das negociações entre os países-membros da ONU, ainda não houve consenso sobre um acordo internacional capaz de estabelecer regras comuns para reduzir a entrada de plástico nos oceanos.
A avaliação da ONU reforça que os oceanos exercem papel central na estabilidade climática, na biodiversidade e na sobrevivência de comunidades em diferentes regiões do planeta. O avanço dos impactos ambientais, segundo o relatório, exige decisões mais amplas e integradas para evitar perdas maiores nas próximas décadas.
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Apaixonada pela literatura brasileira e internacional, Heloísa Montagner Veroneze é reatora de artigos locais e regionais, com experiência em temas diversos, especialmente sobre livros, arqueologia e curiosidades.
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