Crianças de 10 a 14 anos serão priorizadas na vacinação contra dengue

O Ministério da Saúde do Brasil está adotando uma nova estratégia de vacinação contra a dengue, com um enfoque especial nas crianças de 10 a 14 anos. A decisão foi tomada devido ao número limitado de doses disponíveis e ao aumento das hospitalizações nessa faixa etária. Além disso, 521 municípios, espalhados por 16 estados e o Distrito Federal, foram selecionados para receber a vacina. Este artigo explora os detalhes dessa iniciativa e os desafios enfrentados no combate à dengue.

O Ministério da Saúde anunciou uma mudança significativa em sua estratégia de vacinação contra a dengue, com um foco especial nas crianças entre 10 e 14 anos de idade. A decisão de priorizar essa faixa etária foi motivada pelo número limitado de doses disponíveis e pela crescente preocupação com o aumento das hospitalizações nesse grupo específico. A vacinação para essas crianças está prevista para começar em fevereiro e abrangerá 521 municípios, distribuídos em 16 estados e no Distrito Federal.

Seleção dos Municípios

A escolha dos municípios que receberão a vacina contra a dengue seguiu critérios rigorosos. Foram selecionadas cidades de grande porte, com mais de 100 mil habitantes, que apresentaram alta transmissão da dengue entre 2023 e 2024. Além disso, a predominância do sorotipo 2 da dengue foi um fator determinante na seleção, assim como a definição das regiões de saúde.

Desafios no Combate à Dengue

Embora a vacinação seja um passo importante no enfrentamento da dengue, as autoridades alertam que seus efeitos não serão imediatos. Portanto, o foco em 2024 será em ações combinadas, que incluem o controle do vetor da doença, o mosquito Aedes Aegypti, e a conscientização sobre a eliminação de seus criadouros. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, destacou a importância da vacina, mas enfatizou que seus impactos serão percebidos a longo prazo.

Cenário Epidemiológico Atual

O Brasil enfrenta um cenário epidemiológico desafiador, com um aumento alarmante no número de casos de dengue. Nas três primeiras semanas epidemiológicas deste ano, foram registrados mais de 120 mil casos prováveis da doença, em comparação com os 44 mil do mesmo período no ano anterior. O aumento contínuo dos casos é motivo de preocupação para as autoridades de saúde.

A estimativa do Ministério da Saúde é vacinar 3,2 milhões de pessoas com as 6,5 milhões de doses disponíveis para 2024. O esquema vacinal consistirá em duas doses, com um intervalo de três meses entre elas. Para 2025, já estão contratadas 9 milhões de doses adicionais. O Brasil recebeu uma primeira remessa de 757 mil doses da vacina e aguarda a entrega de mais de 568 mil doses em fevereiro. Além disso, a farmacêutica responsável pela vacina, a Takeda, doará 1,3 milhão de doses.

Perspectivas Futuras

O Ministério da Saúde planeja ampliar a faixa etária elegível para a vacinação nos próximos anos. A ideia é que as pessoas vacinadas em 2024 que completarem o esquema de duas doses não precisem ser revacinadas no ano seguinte. Isso gradualmente exporá uma parcela maior da população ao imunizante.

A vacina contra a dengue foi licenciada com dados sólidos de segurança e eficácia, mas as autoridades de saúde também estão atentas ao seu desempenho ao longo do tempo. O laboratório produtor está acompanhando o comportamento da vacina em indivíduos que participaram dos estudos clínicos nos últimos quatro anos. Isso garantirá que, se necessário, ajustes na estratégia de vacinação possam ser feitos no futuro.

A vacinação contra a dengue, com foco nas crianças de 10 a 14 anos, é uma medida importante no combate a essa doença que afeta milhares de brasileiros todos os anos. No entanto, as autoridades alertam que os resultados da vacinação serão percebidos a longo prazo e enfatizam a importância de continuar com as medidas de prevenção, como o controle do mosquito vetor. O Brasil enfrenta desafios significativos no cenário da dengue, e a vacina é uma ferramenta importante para mitigar esses impactos no futuro.

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