A ideia parece saída de um filme de ficção científica. O corpo humano como uma pequena usina de energia. Neurônios disparando sinais elétricos a todo momento. Células trocando cargas invisíveis para manter a vida em funcionamento. A afirmação de que produzimos eletricidade suficiente para acender uma lâmpada pequena circula com frequência na internet. E desperta curiosidade imediata. Mas será que isso é verdade? Existe mesmo energia elétrica circulando em nosso organismo em quantidade relevante? Ou estamos diante de uma metáfora mal interpretada? Para responder, é preciso entender como a bioeletricidade sustenta cada movimento, pensamento e batimento cardíaco.
A eletricidade que mantém o corpo vivo
O corpo humano funciona, em grande parte, graças a sinais elétricos. Cada pensamento, movimento muscular, sensação tátil ou batimento cardíaco depende de impulsos elétricos que percorrem nervos e células especializadas.
Esses sinais não são iguais à eletricidade que sai da tomada, mas seguem os mesmos princípios físicos. Eles resultam do deslocamento de íons — partículas carregadas — através das membranas das células.
Essa movimentação cria pequenas diferenças de potencial elétrico, fundamentais para a comunicação entre as células.
O papel dos neurônios
Os neurônios são as principais “linhas de transmissão” dessa eletricidade biológica. Quando um neurônio é ativado, ele gera um impulso elétrico chamado potencial de ação.
Esse impulso percorre o neurônio em alta velocidade, transmitindo informações de uma parte do corpo para outra.
Sem esse fluxo elétrico constante, não seria possível mover um dedo, enxergar ou lembrar de um nome.
O coração também é elétrico
O coração possui um sistema elétrico próprio. Pequenas descargas coordenadas fazem com que o músculo cardíaco se contraia ritmicamente.
Tanto é verdade que exames como o eletrocardiograma medem exatamente essa atividade elétrica do coração.
A quantidade de energia gerada
Cada impulso elétrico produzido por uma célula é extremamente pequeno. No entanto, o corpo possui trilhões de células funcionando simultaneamente.
Somando toda a atividade elétrica do sistema nervoso, do cérebro e dos músculos, a potência gerada pode chegar a alguns watts em determinados momentos.
Uma lâmpada LED pequena pode funcionar com cerca de 1 watt.
Então é possível acender a lâmpada?
Na teoria, a soma total da atividade elétrica do corpo pode atingir valores próximos ao necessário para acender uma pequena lâmpada LED.
Mas há um detalhe crucial: essa eletricidade está dispersa, ocorre em escalas microscópicas e não pode ser capturada como a energia de uma tomada.
Ou seja, o corpo gera energia elétrica, mas ela não é utilizável externamente.
A bioeletricidade como base da vida
A eletricidade no corpo não serve para gerar energia, mas para permitir comunicação celular.
Ela é essencial para o funcionamento do sistema nervoso, para a contração muscular e para a manutenção da vida.
Conclusão
O corpo humano realmente produz eletricidade o tempo todo. Essa bioeletricidade é fundamental para a vida e sustenta todas as funções do organismo. A soma dessa atividade pode atingir níveis comparáveis ao consumo de uma pequena lâmpada LED. No entanto, essa energia não pode ser aproveitada externamente. Ela existe para manter a comunicação entre células e órgãos. A curiosidade, embora simplificada, tem base científica real. E revela como somos, de fato, organismos movidos a impulsos elétricos invisíveis.

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