Anúncio foi feito pelo Copom do Banco Central na quarta-feira. Esse é o maior nível da Taxa Selic registrado nos últimos nove anos
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (19), um novo aumento na taxa Selic, elevando-a em um ponto percentual para 14,25%, o maior nível registrado nos últimos nove anos. A decisão segue a trajetória de alta da taxa básica de juros com o objetivo de controlar a inflação, apesar dos apelos por flexibilização monetária para estimular o crescimento econômico.
A elevação da Selic ocorre em um cenário de inflação persistente e desafios econômicos globais. O Copom destacou que o ambiente externo segue pressionado, especialmente devido à política monetária nos Estados Unidos e aos efeitos da volatilidade nos mercados internacionais. No cenário doméstico, a inflação continua em trajetória de alta, exigindo medidas mais rigorosas para conter o avanço dos preços.
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Efeitos do aumento da Selic na economia brasileira
- Crédito mais caro: Com a Selic mais alta, os juros para financiamentos e empréstimos sobem, tornando o crédito mais oneroso para empresas e consumidores.
- Consumo reduzido: A elevação dos juros desestimula o consumo e o investimento, o que pode desacelerar o crescimento econômico.
- Inflação sob controle: O principal objetivo do aumento da Selic é reduzir a pressão inflacionária, tornando o dinheiro mais caro e diminuindo a demanda por bens e serviços.
- Atração de capital estrangeiro: Juros mais altos tornam o Brasil mais atraente para investidores estrangeiros, o que pode fortalecer o real frente ao dólar.
A decisão do Copom ocorre em um momento delicado para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O mandatário tem reiterado críticas à manutenção de juros elevados, argumentando que a política monetária restritiva prejudica o crescimento e o emprego. Pesquisas recentes mostram que a popularidade do governo tem sido impactada pelo cenário econômico desafiador.
Por outro lado, alguns analistas econômicos defendem que o aumento da Selic é necessário para garantir a estabilidade macroeconômica e evitar uma escalada inflacionária mais intensa. O desemprego, que atualmente está em 6,5%, segue em patamares baixos, e o crescimento do PIB em 2024 atingiu 3,4%, o melhor desempenho desde 2021.