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Cooperativas brasileiras entre as maiores do mundo: o que o World Cooperative Monitor 2025 revela sobre o protagonismo do Sul do Brasil

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O cooperativismo brasileiro acaba de ganhar uma chancela internacional de peso. O World Cooperative Monitor 2025, estudo conduzido pela Aliança Cooperativa Internacional (ICA) com apoio científico do Euricse, revelou que 21 cooperativas do Brasil figuram entre as 300 maiores cooperativas do planeta.

O dado, por si só, já impressiona. Mas a análise técnica do documento mostra algo ainda mais relevante para a região de fronteira: o Paraná e Santa Catarina são protagonistas absolutos dessa presença brasileira no ranking mundial.

O relatório não é um levantamento opinativo. Trata-se de um estudo metodológico, comparativo e padronizado, baseado em dados financeiros auditados de 2023, convertidos por critérios internacionais, que mede não apenas faturamento, mas a relevância econômica das cooperativas dentro da riqueza de seus países. É aí que o Brasil aparece com força — e o Sul do país, com ainda mais evidência.

Segundo o documento, as 300 maiores cooperativas do mundo movimentaram US$ 2,78 trilhões em 2023. E, dentro desse universo, o Brasil aparece com 21 organizações, número que coloca o país entre os mais representativos do planeta no modelo cooperativo. wcm_2025_final

O dado que muda a leitura do cooperativismo no Brasil

O relatório apresenta dois rankings: um por faturamento absoluto e outro por uma métrica técnica chamada turnover/GDP per capita — que mede o tamanho da cooperativa em relação à riqueza média do país. Nessa métrica, o Brasil aparece em posição de destaque global.

Um exemplo simbólico é o Sistema Unimed, que figura entre os maiores do mundo quando analisado por essa relação econômica. O mesmo ocorre com sistemas de crédito como Sicredi e Sicoob, que aparecem entre os gigantes globais do setor financeiro cooperativo.

Mas é no setor agroindustrial que o Sul do Brasil literalmente domina a lista.

Paraná: um polo mundial do cooperativismo agroindustrial

Entre as cooperativas brasileiras listadas, o Paraná concentra a maior parte das organizações do setor agroalimentar presentes no ranking mundial:

  • Coamo
  • C.Vale
  • Cocamar
  • Copacol
  • Lar Cooperativa Agroindustrial
  • Integrada
  • Castrolanda
  • Frísia
  • Frimesa
  • Coopavel
  • Agrária Agroindustrial
  • Coop de Consumo

Não se trata de coincidência geográfica. O relatório mostra que 35,7% das maiores cooperativas do mundo pertencem ao setor de agricultura e alimentos. E é exatamente esse setor que molda a economia do Oeste e Sudoeste do Paraná.

Santa Catarina também no mapa global

Santa Catarina aparece com duas gigantes que também figuram na lista internacional:

  • Aurora Alimentos
  • Cooper Alfa

Ambas com forte atuação na cadeia de alimentos, carnes e grãos, reforçando a vocação cooperativista catarinense.

O que o relatório deixa claro (e poucos perceberam)

O documento traz uma leitura que vai além do ranking: ele mostra que as cooperativas são mais resilientes economicamente do que empresas tradicionais, especialmente nos setores de:

  • Agricultura e alimentos (107 entre as 300 maiores)
  • Seguros (95 organizações)
  • Comércio atacadista e varejista (54)
  • Serviços financeiros (29)

Isso explica por que cooperativas brasileiras, mesmo fora dos grandes centros urbanos, atingem dimensões globais. Elas operam justamente nos setores mais fortes do cooperativismo mundial.

Cooperativas não são “empresas locais”. São players globais.

O relatório enfatiza que cooperativas não são apenas modelos sociais, mas estruturas econômicas altamente competitivas, com governança democrática e forte reinvestimento local. O texto destaca que, em muitos países, cooperativas são essenciais para segurança alimentar, estabilidade financeira e proteção social. wcm_2025_final

Quando se observa que cidades do Oeste do Paraná e do Oeste catarinense abrigam sedes dessas organizações, percebe-se algo raro: municípios do interior participando diretamente da economia global por meio do cooperativismo.

Por que isso é estratégico para a região de fronteira

O estudo mostra que cooperativas prosperam onde há:

  • Base produtiva agrícola forte
  • Cultura associativista
  • Integração comunitária
  • Cadeia produtiva completa (campo → indústria → mercado)

A leitura técnica final do relatório

O World Cooperative Monitor conclui que o cooperativismo mundial precisa ganhar mais espaço nas políticas públicas internacionais porque já representa cerca de 10% da economia global. E o Brasil, especialmente o Sul, já ocupa essa cadeira na prática.

O que para muitos ainda parece “modelo alternativo”, para o mundo já é modelo consolidado de desenvolvimento econômico sustentável.

E talvez o dado mais simbólico seja este: enquanto grandes corporações globais se concentram em capitais financeiras, as cooperativas brasileiras que estão entre as maiores do mundo estão sediadas em cidades do interior do Paraná e de Santa Catarina.

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