Passamos cerca de um terço da vida dormindo. O sono é essencial para a memória, o equilíbrio emocional e o funcionamento do organismo, mas a qualidade desse descanso não depende apenas do número de horas na cama. O estado de limpeza do ambiente onde dormimos exerce influência direta sobre a saúde e o bem-estar. Lençóis, fronhas, travesseiros e cobertores acumulam resíduos invisíveis ao longo do tempo, levantando uma dúvida recorrente: qual é a frequência correta de lavagem da roupa de cama?
A resposta envolve microbiologia, hábitos cotidianos e cuidados simples que fazem grande diferença na prevenção de alergias, infecções e problemas respiratórios.
O que o corpo libera enquanto dorme
De acordo com a microbiologista Primrose Freestone, em entrevista ao jornal The Independent, o corpo humano continua ativo durante o sono. Todas as noites, eliminamos centenas de milhares de células mortas da pele, além de óleos naturais produzidos pelas glândulas sebáceas. Mesmo em noites frias ou após um banho antes de deitar, uma pessoa pode liberar cerca de 250 mililitros de suor ao longo do descanso.
Esses resíduos não desaparecem. Ao contrário, são transferidos diretamente para a roupa de cama conforme nos movimentamos durante a noite. Como a pele humana abriga naturalmente bactérias e fungos, esses microrganismos também acabam sendo depositados em lençóis, fronhas, travesseiros e edredons.
Além disso, ao longo do dia, cabelo e pele acumulam poeira, pólen e partículas do ambiente externo. Tudo isso vai parar na cama, contribuindo para a piora da qualidade do ar no quarto e aumentando o risco de reações alérgicas.
Ácaros e fungos: o problema que não se vê
As células mortas da pele formam o principal alimento dos ácaros, organismos microscópicos que se multiplicam com facilidade em ambientes quentes e úmidos. Lençóis, travesseiros e colchões oferecem condições ideais para essa proliferação.
A presença de ácaros está associada a quadros de rinite alérgica, crises de asma, coceiras na pele e agravamento de dermatites, como o eczema. Mesmo pessoas sem histórico alérgico podem desenvolver sintomas quando a exposição é constante.
Os fungos também representam um risco pouco percebido. Estudos já identificaram espécies como o Aspergillus fumigatus no interior de travesseiros usados. Esse fungo pode causar infecções pulmonares graves, sobretudo em idosos, crianças pequenas e pessoas com o sistema imunológico fragilizado.
Qual é a frequência ideal para lavar os lençóis
Segundo a especialista, a recomendação geral é que os lençóis sejam trocados e lavados ao menos uma vez por semana. Esse intervalo ajuda a reduzir significativamente o acúmulo de microrganismos e resíduos orgânicos.
Em situações específicas, a lavagem deve ser ainda mais frequente. Pessoas que transpiram excessivamente, estão doentes, dormem com animais de estimação ou compartilham a cama devem considerar a troca a cada três ou quatro dias.
A temperatura da lavagem também é um fator importante. Sempre que possível, os lençóis devem ser lavados a 60 °C, faixa considerada eficaz para eliminar bactérias e ácaros. O uso do ferro de passar após a lavagem pode reforçar a higienização, reduzindo microrganismos remanescentes.
Cuidados com colchões e travesseiros
Os colchões não devem ser esquecidos. A orientação é aspirar a superfície ao menos uma vez por semana e deixá-los arejar por algumas horas, sempre que possível. O uso de protetores de colchão, especialmente modelos impermeáveis ou antialérgicos, funciona como uma barreira adicional contra suor, ácaros e fungos.
Os travesseiros exigem atenção especial, pois acumulam umidade e resíduos internamente. A recomendação é lavá-los a cada quatro a seis meses, seguindo as instruções do fabricante. Com o tempo, o enchimento pode se tornar um reservatório de bactérias, ácaros e mofo, mesmo quando a fronha é trocada regularmente.
E quanto a cobertores e edredons
Capas de edredons e cobertores devem ser lavadas a cada duas semanas. Esse intervalo pode ser reduzido se houver contato frequente com animais de estimação ou se a pessoa apresentar alergias respiratórias.
Já os edredons, por serem peças mais volumosas, não precisam de lavagem semanal. Em geral, uma higienização a cada três ou quatro meses é suficiente, desde que sejam usados com capa e mantidos em local seco e ventilado. Sempre que possível, a lavagem deve respeitar a temperatura indicada na etiqueta, preferencialmente igual ou superior a 60 °C.
Limpeza que protege o sono e a saúde
Embora a cama possa parecer limpa a olho nu, ela pode abrigar uma grande quantidade de microrganismos invisíveis. Manter a roupa de cama higienizada não é apenas uma questão de conforto ou organização doméstica, mas uma medida preventiva de saúde.
Adotar uma rotina adequada de lavagem ajuda a melhorar a qualidade do sono, reduzir alergias e proteger o sistema respiratório. Pequenos hábitos, quando mantidos com regularidade, fazem uma diferença significativa no descanso e no bem-estar diário.

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