Nem todos os alimentos podem ser consumidos crus com segurança. Embora frutas, verduras e alguns vegetais façam parte da alimentação diária sem necessidade de cozimento, determinados ingredientes exigem preparo térmico ou pasteurização para reduzir riscos à saúde. A presença de bactérias, toxinas naturais e compostos de difícil digestão pode tornar alguns alimentos inadequados para consumo sem o tratamento correto.
Em entrevista ao portal Eating Well, o especialista em ciência dos alimentos Donald W. Schaffner apontou cinco alimentos que merecem atenção antes de serem consumidos. A lista inclui massa crua de bolo ou biscoito, leite não pasteurizado, carne moída malpassada, feijão seco e algumas espécies de cogumelos.
A massa crua de bolo, biscoito ou cookie é um dos exemplos mais comuns. O consumo antes do forno pode parecer inofensivo, especialmente por hábito doméstico, mas apresenta riscos. A preocupação mais conhecida envolve os ovos crus, que podem estar contaminados por Salmonella. No entanto, segundo Schaffner, a farinha também pode carregar microrganismos capazes de causar doenças.
O especialista explicou que a farinha crua pode conter patógenos como Salmonella e E. coli. Por esse motivo, massas preparadas com farinha e ovos devem ser consumidas apenas depois de assadas, quando o calor reduz a possibilidade de contaminação.
Outro alimento citado pelos especialistas é o leite cru, também chamado de leite não pasteurizado. Esse tipo de produto não passa pelo processo térmico destinado à eliminação de microrganismos. A nutricionista Jessica Clancy-Strawn explicou que a pasteurização é a etapa responsável por destruir bactérias como E. coli, Campylobacter, Listeria e Salmonella.
Sem esse processo, o leite pode representar risco, especialmente para crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade comprometida. A recomendação dos especialistas é consumir apenas leite pasteurizado ou produtos lácteos submetidos a controle sanitário adequado.
A carne moída também exige atenção. Carnes cruas ou mal cozidas podem conter bactérias nocivas, mas o risco é maior quando a carne passa pelo processo de moagem. Isso ocorre porque microrganismos presentes na superfície podem se espalhar por toda a massa durante o processamento.
Schaffner afirmou que hambúrgueres malpassados continuam associados a surtos de doenças transmitidas por alimentos. Por isso, a orientação é cozinhar bem a carne moída antes do consumo, garantindo que o interior também atinja temperatura suficiente para reduzir riscos microbiológicos.
O feijão seco aparece na lista por outro motivo. Alguns tipos de feijão contêm compostos naturais chamados fitohemaglutininas, que podem ser tóxicos quando o alimento não é preparado corretamente. A ingestão de feijão cru ou mal cozido pode causar sintomas gastrointestinais e outros problemas de saúde.
De acordo com Schaffner, o cozimento adequado é necessário para inativar essas toxinas. O uso de panela de pressão pode contribuir para que o alimento alcance a temperatura necessária, desde que o tempo de preparo seja respeitado. A orientação é evitar o consumo de grãos crus, parcialmente cozidos ou preparados de maneira insuficiente.
Alguns cogumelos também não devem ser consumidos crus. Espécies selvagens, quando não identificadas com segurança, podem ser tóxicas e representar risco grave. Além disso, cogumelos como shiitake e morel podem causar reações indesejadas quando ingeridos crus ou mal cozidos.
Schaffner explicou que alguns cogumelos apresentam toxicidade leve e precisam ser cozidos para reduzir possíveis efeitos adversos. No caso do shiitake, Jessica Clancy-Strawn afirmou que o consumo cru ou mal cozido pode provocar dermatite flagelada, uma reação associada ao lentinano, composto que é inativado pelo calor.
O cozimento dos cogumelos também auxilia na digestão. Isso ocorre porque o calor ajuda a quebrar a quitina presente nas paredes celulares desses alimentos, facilitando a absorção de nutrientes e tornando o consumo mais seguro.
A recomendação geral dos especialistas é observar o modo correto de preparo de cada alimento. Cozinhar, assar ou pasteurizar não são apenas etapas culinárias, mas medidas de segurança alimentar. No caso de ingredientes com maior risco de contaminação ou presença de toxinas naturais, o preparo adequado reduz a possibilidade de doenças transmitidas por alimentos.
A atenção deve ser maior em refeições preparadas para públicos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças que afetam o sistema imunológico. Nesses casos, alimentos crus ou mal cozidos podem trazer consequências mais sérias.
A orientação é simples: massa crua, leite não pasteurizado, carne moída malpassada, feijão seco sem cozimento adequado e determinados cogumelos devem ficar fora do prato até passarem pelo preparo correto. O cuidado na cozinha continua sendo uma das formas mais eficazes de prevenir intoxicações e preservar a saúde.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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