Cemitério pré-humano de 78 mil anos é descoberto na África do Sul

As cavernas de Sterkfontein, situadas na África do Sul, dentro da área conhecida como “Berço da Humanidade” e reconhecida como Patrimônio Mundial pela UNESCO, guardam segredos ainda mais antigos do que se acreditava. Um estudo recente publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) por Darryl Granger, professor da Universidade de Purdue, e sua equipe, lança nova luz sobre a idade dos fósseis de Australopithecus encontrados neste local, indicando que eles são significativamente mais antigos do que as estimativas anteriores sugeriam.

Até agora, acredita-se que os fósseis de Australopithecus, um gênero de hominídeo que caminhou pela Terra milhões de anos atrás, tinham entre 2 e 2,5 milhões de anos. Contudo, a nova pesquisa aponta para uma idade estimada entre 3,4 e 3,7 milhões de anos, colocando esses fósseis no início da era do Australopithecus, e não mais próximo do fim. Essa descoberta sugere que os fósseis de Sterkfontein são mais antigos do que os de Lucy, até então considerado o fóssil mais famoso do mundo desse gênero.

O avanço nas estimativas de idade veio por meio de um método inovador desenvolvido por Granger, que envolve a espectrometria de massa para medir nuclídeos radioativos nas rochas. Esses nuclídeos são produzidos pela ação de raios cósmicos que bombardeiam a Terra, causando reações nucleares dentro das rochas. Este método permitiu uma datação mais precisa dos sedimentos e, por extensão, dos ossos de Australopithecus que eles contêm.

O estudo também realizou um mapeamento geológico detalhado dos depósitos das cavernas de Sterkfontein, revelando como fósseis de diferentes idades podem ter sido misturados durante as escavações nas décadas de 1930 e 1940. Este mapeamento ajudou a esclarecer anos de confusão e contradições na pesquisa, fornecendo um novo entendimento sobre a distribuição e idade dos fósseis no local.

A significância dessa descoberta transcende as fronteiras da África do Sul, oferecendo novas perspectivas sobre a evolução humana em um contexto global. “O que nossos dados fazem é resolver essas controvérsias. Isso mostra que esses fósseis são antigos – muito mais antigos do que pensávamos originalmente”, afirma Granger. A nova datação dos fósseis de Australopithecus em Sterkfontein não apenas redefine nossa compreensão sobre a linha do tempo da evolução humana, mas também reforça a importância de métodos de datação precisos e confiáveis.

O legado das cavernas de Sterkfontein e seus tesouros paleontológicos é agora ainda mais significativo. Esta pesquisa não só destaca a rica herança pré-histórica da África do Sul, mas também reforça o papel crucial do continente na história da evolução humana. À medida que novas técnicas de datação continuam a evoluir, podemos esperar descobertas ainda mais reveladoras que desafiem e expandam nosso entendimento sobre o passado da humanidade.

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