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Celulite não depende só do açúcar: estresse crônico, salto alto e excesso de sal agravam o problema, alerta especialista

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A celulite costuma ser associada, de forma quase automática, ao consumo de açúcar e ao acúmulo de gordura corporal. No entanto, a realidade é mais complexa. Muitas mulheres mantêm rotina de treinos, seguem alimentação equilibrada e, ainda assim, continuam incomodadas com as ondulações na pele, especialmente em regiões como coxas e glúteos. O que nem sempre é considerado é que fatores cotidianos, aparentemente inofensivos, podem desempenhar papel decisivo na piora do quadro.

De acordo com a dermatologista Denise Ozores, especialista em tratamentos para celulite da Clínica Alpha View Star, um dos equívocos mais frequentes é tratar a celulite como sinônimo de gordura localizada. “A celulite é uma alteração estrutural do tecido. Envolve inflamação, comprometimento da microcirculação e qualidade do colágeno. Não se resume ao peso corporal ou ao nível de atividade física”, esclarece.

Essa condição, conhecida tecnicamente como lipodistrofia ginóide, resulta de modificações no tecido subcutâneo. Há alterações nas fibras de colágeno, que passam a tracionar a pele de maneira irregular, enquanto áreas adjacentes sofrem retenção de líquidos e acúmulo de gordura. O resultado visível são as depressões e ondulações características, popularmente chamadas de “furinhos”.

Entre os fatores menos lembrados está o estresse contínuo. A rotina acelerada, a sobrecarga profissional e a pressão diária mantêm o organismo em estado constante de alerta. Esse cenário favorece o aumento do cortisol, hormônio liberado pelas glândulas suprarrenais em situações de tensão. Quando elevado de forma prolongada, o cortisol pode influenciar diretamente a retenção hídrica, além de impactar a qualidade do tecido conjuntivo.

Segundo Denise Ozores, o estresse crônico interfere na circulação sanguínea e linfática. “Quando o corpo permanece por longos períodos em alerta, há alterações no fluxo sanguíneo periférico. Isso pode comprometer a oxigenação dos tecidos e afetar a firmeza da pele, tornando a celulite mais evidente”, afirma. Além disso, o excesso de cortisol está associado a processos inflamatórios, que também participam da formação das irregularidades cutâneas.

Outro elemento frequentemente negligenciado é o uso constante de salto alto. Embora seja escolha estética comum no ambiente profissional e social, o calçado altera a biomecânica do corpo. A limitação do movimento natural da panturrilha compromete o chamado “mecanismo de bomba muscular”, responsável por auxiliar o retorno venoso e linfático dos membros inferiores.

“A panturrilha atua como uma bomba que ajuda o sangue a retornar ao coração. Quando o movimento é restrito, há maior tendência ao acúmulo de líquidos nas pernas e nos glúteos”, explica a dermatologista. Esse acúmulo favorece o inchaço e, consequentemente, evidencia ainda mais as depressões típicas da celulite.

O consumo excessivo de sal também integra essa equação. O sódio, presente em alimentos industrializados, embutidos e refeições ultraprocessadas, estimula a retenção de líquidos no organismo. Quando o tecido subcutâneo se encontra distendido pelo excesso de líquido, as irregularidades tornam-se mais aparentes.

“O sal potencializa o inchaço do tecido. Com o aumento da retenção hídrica, as áreas onde as fibras de colágeno tracionam a pele ficam mais visíveis”, destaca Denise. Em outras palavras, mesmo que não haja aumento significativo de gordura, o simples desequilíbrio hídrico já pode intensificar o aspecto da celulite.

O problema, segundo a especialista, raramente está em um único fator isolado. A combinação entre estresse, hábitos alimentares inadequados e escolhas mecânicas do dia a dia cria um ambiente propício para alterações estruturais no tecido. “É a soma de inflamação, retenção de líquidos, alteração circulatória e comprometimento do colágeno que agrava o quadro. Muitas mulheres se dedicam à academia, mas não observam que pequenas práticas cotidianas podem interferir no resultado”, pontua.

Além desses aspectos, a predisposição genética também exerce influência. Questões hormonais, especialmente relacionadas ao estrogênio, contribuem para a maior incidência de celulite entre mulheres. Ainda assim, fatores externos modulam a intensidade com que o problema se manifesta.

Especialistas reforçam que o enfrentamento da celulite exige abordagem ampla. Estratégias incluem controle do estresse por meio de técnicas de relaxamento, prática regular de atividades físicas que estimulem a circulação, como caminhada e musculação, redução do consumo de alimentos ricos em sódio e alternância no uso de salto alto. A hidratação adequada e cuidados dermatológicos específicos também podem contribuir para melhora da textura da pele.

O recado central é claro: não se trata apenas de cortar açúcar ou intensificar treinos. A saúde da pele reflete o equilíbrio do organismo como um todo. Ao compreender que a celulite envolve processos inflamatórios, circulação sanguínea, retenção de líquidos e qualidade do colágeno, amplia-se a possibilidade de intervenção eficaz.

Assim, a persistência dos “furinhos” não deve ser interpretada exclusivamente como falha na dieta ou na disciplina física. O corpo responde à soma de estímulos diários, inclusive aos que passam despercebidos. Ajustes simples na rotina podem representar diferença significativa na aparência da pele.

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