A cápsula Dragon, da empresa privada SpaceX, transportando quatro astronautas da missão Crew-12, acoplou-se com sucesso à Estação Espacial Internacional no sábado, restabelecendo o número regular de tripulantes a bordo do laboratório orbital. A chegada ocorre cerca de um mês após o retorno antecipado da missão Crew-11, que deixou a estação operando com equipe reduzida em razão de um problema médico envolvendo um dos integrantes.
A missão foi lançada às 5h17 (horário da costa leste dos Estados Unidos) de sexta-feira, a partir da Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida. Após mais de 30 horas em voo livre, a espaçonave realizou as manobras necessárias para se alinhar e efetuar o acoplamento ao complexo orbital, que opera a aproximadamente 400 quilômetros de altitude.
A agência espacial norte-americana, NASA, contratante dos serviços de transporte da SpaceX no âmbito do Programa de Tripulação Comercial, havia avaliado a possibilidade de antecipar o lançamento em razão da necessidade operacional da estação. Duas janelas previstas para quarta e quinta-feira, no entanto, foram descartadas devido a condições meteorológicas desfavoráveis ao longo da trajetória do foguete.
Segundo Steve Stich, gerente do Programa de Tripulação Comercial da NASA, embora o foguete e a cápsula estivessem prontos antes do prazo inicial, o cronograma final levou em conta também o preparo completo dos astronautas. De acordo com ele, além dos veículos e sistemas, o treinamento da equipe foi fator determinante para a definição da data de lançamento.
Integram a Crew-12 os astronautas da NASA Jessica Meir e Jack Hathaway, a astronauta da Agência Espacial Europeia Sophie Adenot e o cosmonauta Andrey Fedyaev, da Roscosmos. Com a chegada do grupo, a estação volta a operar com número mais próximo do padrão considerado ideal pela agência, que é de sete tripulantes.
Desde meados de janeiro, a Estação Espacial Internacional contava com apenas três integrantes: os cosmonautas russos Sergey Kud-Sverchkov e Sergei Mikayev, além do astronauta da NASA Chris Williams, que viajou ao laboratório orbital por meio de acordo de intercâmbio com a Roscosmos. A redução ocorreu após a Crew-11 retornar à Terra antes do previsto por motivo médico não detalhado oficialmente.
A Crew-11 pousou em 15 de janeiro no Oceano Pacífico, na costa da Califórnia. Os quatro astronautas foram encaminhados ao Scripps Memorial Hospital, em La Jolla, para avaliação. A tripulação era composta por Zena Cardman e Mike Fincke, da NASA, Kimiya Yui, da Agência Espacial Japonesa (JAXA), e Oleg Platonov, da Roscosmos. Posteriormente, participaram de coletiva de imprensa, na qual destacaram os protocolos adotados durante o retorno antecipado.
A NASA tradicionalmente planeja sobreposição entre as tripulações que chegam e as que partem, procedimento que permite período de transição em órbita e pode elevar temporariamente o número de pessoas a bordo para até 11. Em razão da evacuação médica da Crew-11, esse processo não ocorreu. Ainda assim, segundo Jessica Meir, os integrantes da nova missão tiveram reuniões prévias com a equipe anterior em solo, a fim de receber orientações e informações operacionais relevantes.
A agência espacial tem reiterado que a presença de equipe completa é fundamental para maximizar a capacidade científica da estação, cujo custo anual de operação e manutenção é estimado em cerca de 3 bilhões de dólares. A redução temporária do número de tripulantes limita o volume de experimentos e atividades que podem ser conduzidos simultaneamente.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que a condução das últimas missões demonstra capacidade de adaptação operacional da agência, citando o retorno antecipado da Crew-11, a antecipação da Crew-12 e os preparativos paralelos para a missão Artemis II, prevista para ocorrer nos próximos meses e integrar o programa de retorno à órbita lunar.
Durante aproximadamente oito meses de permanência na Estação Espacial Internacional, a Crew-12 deverá realizar uma série de experimentos científicos. Entre as atividades programadas estão exames de ultrassom para avaliar alterações na circulação sanguínea em ambiente de microgravidade, pesquisas farmacêuticas relacionadas a bactérias associadas à pneumonia e uma simulação de pouso lunar destinada a analisar os efeitos de mudanças abruptas de gravidade sobre o organismo e a cognição humana.
A NASA também tem indicado que os resultados das pesquisas conduzidas na estação são considerados estratégicos para o desenvolvimento de futuras estações espaciais comerciais em órbita baixa da Terra. A agência pretende, no longo prazo, concentrar seus esforços em missões de exploração do espaço profundo, enquanto a iniciativa privada assume gradualmente parte das operações em órbita terrestre.




