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Calor intenso eleva risco de AVC no verão

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O aumento das temperaturas no verão não traz apenas desconforto térmico. Especialistas alertam que o calor excessivo pode contribuir para o crescimento do número de casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) nesse período do ano. A combinação entre desidratação, alterações na pressão arterial, mudanças no comportamento das pessoas durante as férias e fatores clínicos pré-existentes cria um cenário favorável para a ocorrência do problema, considerado uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo.

O AVC é classificado em dois tipos. O mais comum é o AVC isquêmico, responsável por cerca de 80% das ocorrências, caracterizado pela obstrução de um vaso sanguíneo cerebral por um coágulo. Já o AVC hemorrágico, menos frequente, acontece quando há o rompimento de um vaso no cérebro. Embora tenham origens diferentes, ambos estão relacionados a alterações no fluxo sanguíneo cerebral e podem ser influenciados pelas condições climáticas típicas do verão.

Segundo explicações médicas, o calor favorece a perda de líquidos pelo organismo, o que torna o sangue mais concentrado e espesso. Esse espessamento facilita a formação de trombos, que são coágulos capazes de bloquear vasos sanguíneos. Como o AVC isquêmico está diretamente ligado à obstrução vascular, esse fator se torna determinante no aumento dos casos durante os meses mais quentes do ano.

Outro aspecto relevante envolve a pressão arterial. Em dias de calor intenso, o corpo promove a dilatação dos vasos sanguíneos para tentar equilibrar a temperatura interna. Esse processo, chamado vasodilatação, pode reduzir a pressão arterial. Essa queda, aparentemente benéfica, pode favorecer alterações cardíacas, como arritmias. Quando o coração passa a bater de forma irregular, há maior chance de formação de coágulos dentro das câmaras cardíacas. Esses coágulos podem entrar na circulação e, como uma parte significativa do sangue bombeado pelo coração é direcionada ao cérebro, o risco de um AVC aumenta consideravelmente.

O comportamento das pessoas durante o verão também entra na equação. O período de férias costuma estar associado a maior consumo de bebidas alcoólicas, alimentação desregrada e abandono de rotinas de cuidados com a saúde. O álcool, além de intensificar a desidratação, pode desencadear arritmias cardíacas. Soma-se a isso o esquecimento ou a interrupção de medicamentos de uso contínuo, como os destinados ao controle da pressão arterial, diabetes e colesterol, ampliando ainda mais o risco.

As doenças típicas da estação também contribuem para o quadro. Problemas gastrointestinais, episódios de diarreia, insolação e esforço físico excessivo em ambientes quentes potencializam a perda de líquidos e sobrecarregam o organismo. Em conjunto, esses fatores criam um ambiente propício para eventos vasculares cerebrais.

O tabagismo permanece como um dos principais agravantes. O cigarro interfere diretamente na saúde dos vasos sanguíneos, reduzindo sua elasticidade e favorecendo processos inflamatórios. A nicotina atua prejudicando proteínas responsáveis pela estrutura vascular, o que pode facilitar tanto o rompimento de vasos, associado ao AVC hemorrágico, quanto a formação de placas e obstruções, relacionadas ao AVC isquêmico.

O estilo de vida moderno, marcado por sedentarismo, alimentação inadequada e doenças crônicas mal controladas, tem feito crescer o número de casos de AVC em pessoas com menos de 45 anos. A doença, antes mais associada à população idosa, hoje atinge uma faixa etária cada vez mais jovem.

Dados hospitalares indicam que, durante o verão, o atendimento a pacientes com AVC pode dobrar em relação a outros períodos do ano. Isso evidencia como as condições sazonais interferem diretamente na saúde vascular da população.

Além da alta taxa de mortalidade, o AVC é responsável por graves sequelas. Quando não leva ao óbito, frequentemente deixa limitações motoras, dificuldades na fala, na visão e na autonomia para atividades básicas. Trata-se de uma condição que impacta não apenas o paciente, mas toda a família, que precisa reorganizar sua rotina para oferecer cuidados permanentes.

A boa notícia é que o AVC pode ser prevenido. A adoção de hábitos saudáveis é a principal medida de proteção. Hidratação adequada, alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, controle rigoroso da pressão arterial e abandono do cigarro são atitudes fundamentais. Manter o uso correto das medicações prescritas também é essencial.

O tratamento evoluiu significativamente nos últimos anos. Atualmente, existem duas abordagens eficazes, desde que o atendimento seja rápido. A primeira consiste na aplicação intravenosa de um medicamento capaz de dissolver o coágulo. Esse recurso, porém, só pode ser utilizado até quatro horas e meia após o início dos sintomas. A segunda alternativa é um procedimento por cateter, realizado pela virilha, que permite aspirar o coágulo diretamente do vaso cerebral. Em casos selecionados, essa técnica pode ser aplicada em até 24 horas após o início do quadro.

Reconhecer os sinais é decisivo. Paralisia súbita de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda parcial da visão, tontura intensa e perda de consciência são indícios claros de AVC. Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação médica é imediata: procurar um hospital sem esperar a melhora espontânea.

O tempo é o fator mais importante no tratamento do AVC. Quanto mais rápido o socorro, maiores as chances de recuperação completa e menores os riscos de sequelas permanentes. No verão, quando o calor e os descuidos aumentam os riscos, a atenção deve ser redobrada.

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