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Cajeta: o doce tradicional de leite que atravessa gerações e fronteiras

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A cajeta é um doce tradicional da culinária mexicana, profundamente ligado à identidade cultural do país e muito apreciado por seu sabor intenso e textura cremosa. Trata-se de uma variação do doce de leite, geralmente preparada com leite de cabra, açúcar e um toque de baunilha, embora versões com leite de vaca também sejam comuns fora do México. Seu nome vem do recipiente de madeira chamado “cajete”, no qual o doce era originalmente armazenado, o que reforça o caráter artesanal dessa receita que atravessou gerações.

Diferente do doce de leite comum, a cajeta costuma apresentar um sabor mais complexo e levemente caramelizado, resultado do uso de açúcar mascavo ou piloncillo, um tipo de açúcar não refinado típico da culinária mexicana. O cozimento é lento e exige atenção constante, mas o resultado final compensa o cuidado: um creme espesso, brilhante e aromático, perfeito para acompanhar pães, bolos, queijos, frutas ou simplesmente ser apreciado puro, à colher, em momentos de pausa e conforto.

Preparar cajeta em casa é um exercício de paciência e afeto. É uma receita que pede tempo, mas devolve em sabor, aroma e memória. O processo transforma ingredientes simples em um doce sofisticado, que carrega história e tradição em cada colherada.

Ingredientes

Para preparar a cajeta tradicional, você vai precisar de poucos ingredientes, mas é importante escolher produtos de boa qualidade, pois eles influenciam diretamente no sabor final do doce.

1 litro de leite integral, preferencialmente leite de cabra para a versão mais tradicional, mas o leite de vaca também pode ser utilizado
300 gramas de açúcar mascavo ou açúcar demerara
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 pau de canela
1 colher de chá de essência de baunilha ou 1 fava de baunilha
1 pitada de sal

O bicarbonato de sódio é um ingrediente essencial nessa receita. Ele reage com o leite durante o cozimento, ajudando a alcançar a coloração caramelizada característica da cajeta e contribuindo para a textura cremosa. Já a pitada de sal não deixa o doce salgado, mas realça os sabores e equilibra a doçura.

Modo de preparo

Em uma panela grande e de fundo grosso, coloque o leite, o açúcar mascavo, o pau de canela e a pitada de sal. Leve ao fogo médio e mexa delicadamente até que o açúcar esteja completamente dissolvido no leite. Esse cuidado inicial evita que o açúcar se acumule no fundo da panela e queime logo no começo do preparo.

Quando a mistura começar a aquecer e apresentar as primeiras bolhas nas bordas, reduza levemente o fogo. Em um pequeno recipiente, dissolva o bicarbonato de sódio em uma colher de sopa de água e adicione lentamente à panela, mexendo com cuidado. Nesse momento, a mistura vai espumar, o que é completamente normal. Por isso, a panela precisa ser grande, para evitar que o líquido transborde.

Após a adição do bicarbonato, mantenha o fogo baixo a médio e mexa constantemente, principalmente o fundo e as laterais da panela. O cozimento da cajeta é lento e pode levar entre 50 minutos e 1 hora e 20 minutos, dependendo da intensidade do fogo e da quantidade de líquido que precisa evaporar.

Com o passar do tempo, você vai notar que o líquido começa a reduzir e ganhar uma coloração mais escura, passando de um tom bege claro para um marrom dourado. A textura também muda gradualmente, ficando mais encorpada e cremosa. É fundamental não abandonar a panela nesse estágio, pois o risco de grudar ou queimar aumenta à medida que o doce engrossa.

Quando a mistura atingir uma consistência semelhante à de um creme espesso, desligue o fogo e retire o pau de canela. Acrescente a essência de baunilha ou as sementes da fava de baunilha e mexa bem para incorporar o aroma ao doce ainda quente.

A cajeta tende a engrossar um pouco mais depois de esfriar. Portanto, evite cozinhar em excesso se quiser um resultado mais cremoso. Caso prefira uma cajeta mais firme, basta manter no fogo por alguns minutos adicionais, sempre mexendo.

Transfira o doce ainda quente para um recipiente de vidro esterilizado, deixe esfriar em temperatura ambiente e depois leve à geladeira. Após fria, a cajeta estará pronta para ser consumida e pode ser armazenada por até duas semanas sob refrigeração.

Conclusão

A cajeta é mais do que um simples doce de leite. Ela representa tradição, cuidado e o prazer de transformar ingredientes básicos em algo especial. Prepará-la em casa é uma experiência que exige atenção e paciência, mas que recompensa com um sabor profundo, acolhedor e marcante, difícil de ser comparado a versões industrializadas.

Ao seguir o preparo com calma, respeitando o tempo do fogo e observando as transformações da mistura, o resultado é um doce artesanal, cheio de personalidade, que pode ser usado de diversas formas na cozinha ou apreciado sozinho, como um pequeno ritual de conforto. A cajeta caseira resgata o valor do preparo manual e mostra que, muitas vezes, o segredo das melhores receitas está justamente no tempo dedicado a elas.

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