Caixa Econômica Federal alcança R$ 1 trilhão na carteira de crédito imobiliário, com avanço dos financiamentos habitacionais e forte presença no Minha Casa, Minha Vida
A carteira de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal chegou pela primeira vez a R$ 1 trilhão, segundo dados divulgados pelo banco nesta quarta-feira (1º). O patamar foi alcançado em junho e consolida a instituição como a principal financiadora da casa própria no Brasil.
De acordo com a Caixa, a carteira imobiliária teve crescimento superior a 14% nos últimos 12 meses. Atualmente, o banco responde por cerca de 68% de todo o crédito imobiliário do país, em um cenário de mudanças nas fontes de financiamento do setor e de maior restrição para a expansão desse mercado entre bancos privados.
O resultado ocorre em meio à ampliação das políticas habitacionais do governo federal, especialmente após a retomada do programa Minha Casa, Minha Vida. Nos últimos meses, o governo elevou o teto de renda do programa, criou uma faixa voltada à classe média e ampliou os limites de valor dos imóveis financiáveis em diferentes regiões do país.
Também foram anunciadas medidas para estimular o crédito habitacional destinado a famílias de renda intermediária. A iniciativa busca reduzir os impactos da perda de força da caderneta de poupança, historicamente uma das principais fontes de recursos para os empréstimos imobiliários.
No primeiro trimestre deste ano, a Caixa liberou R$ 64,2 bilhões em novos financiamentos imobiliários. O valor representa alta de 30,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O presidente da Caixa, Carlos Vieira, afirmou que o desempenho está relacionado à estratégia adotada pelo banco para ampliar o acesso ao financiamento habitacional.
Segundo Carlos Vieira, os números são “reflexo de uma estratégia consistente voltada à ampliação do acesso ao crédito e focada na diversificação das fontes de recursos”.
A instituição vem registrando recordes de concessão desde 2024. Naquele ano, foram financiados R$ 223,6 bilhões, com mais de 800 mil imóveis contratados. Em 2025, o volume subiu para R$ 246,4 bilhões, com aproximadamente 873 mil unidades financiadas.
O Minha Casa, Minha Vida tem papel central nessa expansão. Conforme os dados do banco, cerca de 58,4% da carteira imobiliária da Caixa está vinculada ao programa habitacional. Apenas no último ano, foram financiadas 659,2 mil moradias nessa modalidade.
Na prática, a Caixa concentra a maior parte das operações do Minha Casa, Minha Vida e atua como principal agente financeiro da política de habitação popular no país. O programa atende famílias de diferentes faixas de renda e tem sido uma das bases da ampliação recente do crédito imobiliário.
Ao mesmo tempo, o banco busca aumentar sua participação no financiamento voltado à classe média. Para isso, tem ampliado o uso de linhas lastreadas em recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, o SBPE.
Esse movimento ocorre em um momento de transformação no mercado imobiliário. A desaceleração da captação líquida da poupança reduziu a disponibilidade de recursos para novos financiamentos, o que levou bancos e incorporadoras a buscar alternativas de capitalização.
Entre os instrumentos utilizados pelo mercado estão as Letras de Crédito Imobiliário, conhecidas como LCIs, além de outras formas de captação de recursos. Segundo a Caixa, a estratégia é combinar diferentes fontes de financiamento para manter a oferta de crédito e diminuir a dependência exclusiva da poupança e do FGTS.
A expansão da carteira imobiliária acompanha o crescimento geral dos negócios da instituição. A Caixa encerrou março com R$ 2,4 trilhões em ativos, funding total de R$ 2,03 trilhões e uma base de 159,2 milhões de clientes.
Com esse volume de usuários, o banco permanece como o maior agente financeiro do país em número de clientes. No crédito imobiliário, a marca de R$ 1 trilhão reforça a centralidade da instituição no financiamento habitacional brasileiro e na execução de políticas públicas voltadas à moradia.
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Lara Gabriely escreve sobre assuntos locais, mas também sobre assuntos relacionados à política dos estados do Paraná e Santa Catarina, além de outros fatos interesse regional.
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