Ferramentas de inteligência artificial generativa estão alterando a forma como os usuários pesquisam informações, comparam produtos e tomam decisões na internet.
Em vez de acessar uma lista de resultados e consultar diferentes páginas, parte crescente do público utiliza assistentes como ChatGPT, Gemini e Copilot para receber respostas sintetizadas e recomendações contextualizadas.
Dados atribuídos à consultoria McKinsey indicam que 50% dos consumidores já recorrem a buscas baseadas em inteligência artificial.
A mudança amplia a presença desses sistemas no cotidiano digital e cria novos desafios para empresas, veículos de comunicação, produtores de conteúdo e plataformas que dependem do tráfego proveniente dos mecanismos de pesquisa.
O avanço dos assistentes não representa apenas a adoção de uma nova ferramenta. Ele modifica a relação entre o usuário, a informação e os sites responsáveis pela produção do conteúdo usado para formular as respostas.
Consultas deixam palavras-chave e assumem formato de conversa
A pesquisa tradicional na internet foi construída principalmente com base em palavras-chave. O usuário digitava termos relacionados ao assunto, recebia uma relação de páginas e precisava acessar diferentes endereços para reunir as informações desejadas.
Com os assistentes de IA, as consultas passaram a ser feitas de maneira mais detalhada, em linguagem natural. É possível apresentar uma situação completa, informar preferências e solicitar comparações antes de receber uma resposta organizada.
Para Edson Alves, CEO da Ikatec, essa transformação marca a passagem de uma internet baseada em buscas para um ambiente orientado por respostas.
“Estamos saindo de uma internet baseada em busca para uma internet baseada em respostas. Antes, o usuário fazia uma pergunta, recebia uma lista de links e precisava montar a resposta sozinho.
Agora, ele faz uma pergunta e recebe uma síntese pronta, contextualizada e personalizada”, afirma Alves.
Danilo Fonseca, sócio da Saving, também identifica uma mudança no comportamento dos internautas. Segundo ele, as pesquisas estão mais próximas de uma conversa do que das consultas curtas normalmente realizadas nos buscadores.
“As buscas têm sido cada vez mais em linguagem natural, diferente de como fazíamos no Google. Elas deixaram de ser ‘palavras-chave’ e viraram uma conversa”, declara.
Os modelos de IA podem considerar o contexto apresentado pelo usuário e combinar informações de diferentes fontes.
O resultado é uma experiência semelhante à interação com um assistente digital, capaz de ajustar a resposta conforme novos detalhes são fornecidos.
Respostas prontas reduzem acessos a páginas externas
A conveniência oferecida pelas sínteses automáticas também interfere na circulação de usuários pela internet.
Quando a resposta aparece diretamente na plataforma utilizada para a pesquisa, diminui a necessidade de abrir os sites que deram origem às informações.
Levantamento da Similarweb aponta que a proporção de pesquisas no Google encerradas sem cliques em páginas externas passou de 56% para 69% entre maio de 2024 e maio de 2025.
Dados do Pew Research Center também indicam que usuários expostos a resumos produzidos por IA tendem a acessar menos os links exibidos nos resultados tradicionais.
A redução dos cliques afeta principalmente veículos de comunicação, blogs especializados, portais informativos e outras páginas que dependem da audiência encaminhada pelos buscadores para financiar suas atividades.
De acordo com informações da Chartbeat, pequenos publishers perderam aproximadamente 60% das visitas originadas em mecanismos de busca ao longo de dois anos.
O cenário amplia as discussões sobre a sustentabilidade econômica da produção de conteúdo digital.
“Grande parte da produção de conteúdo foi financiada pelo tráfego gerado pelos buscadores. Se esse tráfego diminuir significativamente, será necessário encontrar novos modelos econômicos para manter a geração de conteúdo de qualidade”, avalia Edson Alves.
Apesar da redução de acessos tradicionais, as próprias plataformas de inteligência artificial começam a funcionar como fontes de audiência.
A Similarweb registrou mais de 1,1 bilhão de visitas encaminhadas por ferramentas de IA em junho de 2025, crescimento de 357% em comparação com o ano anterior.
Os números mostram que o tráfego não desapareceu por completo, mas está sendo reorganizado. A diferença está na capacidade dos sistemas de selecionar quais páginas serão citadas ou apresentadas aos usuários.
Inteligência artificial ganha espaço nas decisões de compra
Os assistentes também avançam sobre o comércio eletrônico. Além de responder dúvidas, as ferramentas podem comparar preços, analisar características técnicas e sugerir produtos de acordo com as necessidades informadas pelo consumidor.
Segundo Alves, a IA está assumindo o papel de um consultor digital, reduzindo a necessidade de visitar várias lojas e páginas antes de uma compra.
O usuário pode solicitar, por exemplo, opções dentro de determinada faixa de preço, comparar equipamentos e apontar características indispensáveis.
Empresas como Google, OpenAI e Microsoft vêm desenvolvendo agentes capazes de pesquisar produtos, comparar alternativas e realizar tarefas solicitadas pelos usuários.
Para Danilo Fonseca, esse movimento indica que as marcas precisarão ser compreendidas e localizadas não apenas por pessoas, mas também por sistemas automatizados.
Dados da Adobe reforçam a participação da inteligência artificial no varejo digital.
O tráfego encaminhado por ferramentas de IA para sites de comércio eletrônico nos Estados Unidos cresceu 393% no primeiro trimestre de 2026.
Durante a temporada de compras do fim de 2025, a alta chegou a 693% em relação ao período equivalente do ano anterior.
Mesmo com expansão expressiva, esse canal ainda convive com buscadores, redes sociais, aplicativos de lojas e acessos diretos. A tendência, no entanto, é que os assistentes ocupem uma posição cada vez mais relevante na descoberta de produtos.
Empresas e produtores de conteúdo precisam rever estratégias
A integração entre inteligência artificial, mecanismos de busca e comércio eletrônico exige adaptações nas estratégias digitais.
Ter uma página bem posicionada em uma pesquisa tradicional pode não ser suficiente quando o sistema oferece uma resposta sem encaminhar o usuário ao conteúdo original.
Empresas e veículos precisarão produzir informações claras, atualizadas, verificáveis e estruturadas de maneira que possam ser corretamente interpretadas pelos modelos.
Autoridade editorial, identificação de fontes, transparência e precisão passam a ter importância também na seleção realizada pelos assistentes.
Nesse contexto, cresce o interesse por estratégias voltadas à presença de marcas e conteúdos nas respostas produzidas por sistemas generativos.
O objetivo não é abandonar as práticas tradicionais de SEO, mas ampliá-las para um ambiente no qual algoritmos resumem informações e indicam poucas fontes.
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A mudança no comportamento das buscas deve continuar pressionando modelos baseados exclusivamente em cliques e visualizações de páginas.
Ao mesmo tempo, o crescimento das referências originadas em plataformas de IA mostra que novas formas de distribuição estão surgindo.
Para produtores de conteúdo e empresas, o desafio será manter relevância em um ambiente no qual a resposta pode chegar ao usuário antes mesmo de ele acessar um site.
Nota Editorial: Este conteúdo faz parte da cobertura jornalística do Jornal da Fronteira, feito por humano com ajuda de ferramentas de inteligência artificial, sob revisão de editor humano.
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