O emprego com carteira assinada segue como a principal preferência entre os brasileiros que buscam uma vaga no mercado de trabalho. É o que indica levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria, realizado em parceria com o Instituto Nexus, com 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. A pesquisa foi conduzida entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025 e divulgada posteriormente.
De acordo com os dados, 36,3% dos entrevistados apontaram o modelo formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), como a opção mais atrativa. O trabalho autônomo aparece em seguida, com 18,7% das preferências, enquanto o emprego informal foi citado por 12,3% dos participantes. O trabalho por plataformas digitais foi indicado por 10,3%, abrir o próprio negócio por 9,3% e atuar como pessoa jurídica por 6,6%. Outros 20% afirmaram não ter encontrado oportunidades consideradas atrativas.
A especialista em Políticas e Indústria da CNI, Claudia Perdigão, comentou os resultados do levantamento. Segundo ela, “Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em contexto de maior flexibilização das relações de trabalho”.
Entre os jovens, a preferência pelo emprego formal é ainda mais evidente. Na faixa etária de 25 a 34 anos, 41,4% indicaram a CLT como escolha principal, enquanto entre jovens de 16 a 24 anos o índice é de 38,1%.
A especialista também destacou a relação entre o emprego formal e a segurança profissional no início da carreira. De acordo com Claudia Perdigão, “o emprego formal traz mais segurança para os jovens, que procuram maior estabilidade no início da carreira profissional”.
O levantamento aponta ainda que o trabalho por meio de plataformas digitais, como atividades de motorista ou entregador, é visto majoritariamente como complemento de renda. Apenas 30% dos entrevistados consideram essa modalidade como principal fonte de sustento.
Os dados indicam elevado nível de satisfação no mercado de trabalho. Entre os entrevistados, 95% afirmaram estar satisfeitos com o emprego atual, sendo que 70% se declararam muito satisfeitos. Por outro lado, 4,6% disseram estar insatisfeitos e 1,6% muito insatisfeitos.
A pesquisa também revela baixa mobilidade entre os trabalhadores. Apenas 20% buscaram outra oportunidade recentemente. Entre os jovens de 16 a 24 anos, esse percentual sobe para 35%, enquanto entre trabalhadores com mais de 60 anos cai para 6%.
O tempo de permanência no emprego também influencia a busca por novas vagas. Entre aqueles com menos de um ano na função, 36,7% procuraram outra oportunidade. Já entre trabalhadores com mais de cinco anos no mesmo emprego, apenas 9% realizaram essa busca.

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