O bocejo frequente, mesmo quando a pessoa não está cansada ou com sono, pode ser um dos primeiros sintomas de uma crise de enxaqueca. De acordo com a neurologista Jessica Lowe, esse sinal pode surgir horas ou até dias antes do início da dor de cabeça.
A enxaqueca é uma condição neurológica caracterizada por episódios recorrentes de dor, geralmente de intensidade moderada a forte, intercalados por períodos sem sintomas. Segundo informações da rede de saúde portuguesa CUF, as crises também podem envolver náuseas e sensibilidade à luz, aos sons e a determinados odores.
Em vídeo publicado no TikTok e repercutido pelo jornal britânico Mirror Online, Jessica Lowe explicou que o bocejo excessivo nem sempre está relacionado ao cansaço.
“Uma curiosidade: bocejar em excesso pode ser um sintoma de enxaqueca, e não necessariamente porque a pessoa está cansada”, afirmou a neurologista.
O sintoma pode fazer parte da fase prodrômica, período que antecede manifestações mais conhecidas da enxaqueca, como a dor de cabeça. Nessa etapa, a pessoa pode apresentar alterações físicas, cognitivas e emocionais.
Ao explicar quando essa fase pode ocorrer, a especialista afirmou que os sinais podem ser percebidos com antecedência.
“Para muitos pacientes, o bocejo frequente faz parte da fase prodrômica, que é o estágio inicial de uma crise de enxaqueca e pode ocorrer horas ou até dias antes do início da dor de cabeça”, explicou.
Segundo Jessica Lowe, o hipotálamo está entre as regiões cerebrais relacionadas ao início da crise. Essa estrutura participa da regulação de diferentes funções automáticas do organismo.
Ao detalhar o papel dessa região do cérebro, a neurologista explicou que ela atua em processos essenciais para o equilíbrio do corpo.
“O hipotálamo ajuda a regular funções como sono, vigília, apetite, temperatura corporal, liberação de hormônios e diversas outras funções automáticas do organismo”, destacou.
A especialista informou ainda que pesquisas identificaram a ativação do hipotálamo nas fases iniciais da enxaqueca, antes mesmo do aparecimento da dor. Essa atividade pode ajudar a explicar parte dos sintomas que antecedem a cefaleia.
Além dos bocejos frequentes, a fase prodrômica pode incluir fadiga, alterações de humor, dificuldade de concentração, aumento da sede, desejo por determinados alimentos e desconforto na região do pescoço. A presença desses sinais, no entanto, pode variar entre os pacientes.
Jessica Lowe também relacionou o bocejo à atuação da dopamina, substância responsável pela comunicação entre células do sistema nervoso e envolvida em diferentes funções cerebrais.
Ao abordar essa relação, a neurologista afirmou que alterações na sinalização da dopamina podem estar associadas à enxaqueca.
“O bocejo também está ligado à dopamina, um neurotransmissor envolvido em processos como recompensa, motivação, movimento e estado de alerta. Quando as vias relacionadas à dopamina são ativadas, o bocejo pode ocorrer — e sabemos que a sinalização da dopamina parece estar alterada em pessoas com enxaqueca”, explicou.
A especialista ressaltou que o bocejo isolado não confirma a ocorrência de enxaqueca, mas sua repetição, especialmente quando acompanhada de outros sintomas, pode ajudar alguns pacientes a reconhecer o início de uma crise.
Ao concluir a explicação, Jessica Lowe destacou que a enxaqueca pode começar antes do surgimento da dor.
“Por isso, vale lembrar que uma crise de enxaqueca não começa necessariamente quando a dor de cabeça aparece”, concluiu.
Pessoas que apresentam dores de cabeça recorrentes, sintomas intensos ou alterações no padrão habitual das crises devem buscar avaliação médica. O acompanhamento profissional permite investigar as causas, confirmar o diagnóstico e definir o tratamento adequado para cada caso.

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Heloisa Lima é redatora de artigos sobre variedades, curiosidades, esportes, culinária e cultura.
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