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Bactéria preservada em gelo por cinco mil anos é identificada na Romênia

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Uma pesquisa científica realizada na caverna de gelo de Scărișoara, na Romênia, identificou uma cepa bacteriana preservada há aproximadamente cinco mil anos com resistência a antibióticos modernos. O estudo foi publicado em 16 de fevereiro na revista Frontiers in Microbiology e analisa as implicações ambientais e sanitárias da descoberta.

A amostra foi retirada de um núcleo de gelo extraído a cerca de 25 metros de profundidade na caverna, um ambiente considerado arquivo natural de material congelado que pode alcançar aproximadamente 13 mil anos. A camada específica analisada pelos pesquisadores foi datada em cerca de cinco mil anos. O microrganismo identificado recebeu a denominação Psychrobacter SC65A.3 e é adaptado a ambientes frios, não sendo capaz de infectar humanos.

Segundo os autores, aproximadamente 20% da superfície terrestre é composta por habitats congelados e de baixas temperaturas, o que torna relevante o estudo de microrganismos adaptados ao frio, especialmente diante das transformações associadas às mudanças climáticas. Esses ambientes funcionam como reservatórios naturais de diversidade genética e novas espécies microbianas.

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Caverna de gelo de Scărișoara, na Romênia Foto: Reprodução/X

Resistência a antibióticos

Em laboratório, a bactéria foi exposta a 28 antibióticos utilizados no tratamento de infecções humanas. De acordo com os resultados, o microrganismo apresentou resistência a dez desses medicamentos, incluindo substâncias empregadas no tratamento de doenças como tuberculose e infecções urinárias. Entre os antibióticos testados estavam rifampicina, vancomicina, ciprofloxacina, trimetoprim, clindamicina e metronidazol.

Os pesquisadores destacam que a resistência observada não está relacionada à intervenção humana recente, mas a processos evolutivos naturais. O estudo reforça a hipótese de que genes de resistência antimicrobiana já existiam muito antes da utilização clínica desses fármacos.

O sequenciamento genético da Psychrobacter SC65A.3 revelou mais de 100 genes associados à resistência antimicrobiana e cerca de 600 genes ainda sem função conhecida, indicando elevado potencial de adaptação biológica.

Riscos associados ao degelo

Especialistas apontam que o aquecimento global e o consequente degelo de áreas congeladas podem favorecer a liberação de microrganismos antigos e, principalmente, de seus genes no ambiente atual. Conforme avaliação de pesquisadores envolvidos no estudo, o risco maior não está necessariamente em infecções diretas causadas por organismos ancestrais, mas na possibilidade de transferência genética para bactérias contemporâneas.

Estudo publicado na revista científica Frontiers in Microbiology revela a descoberta da bactéria Psychrobacter SC65A.3 em caverna de gelo na Romênia. Microrganismo apresenta resistência a antibióticos modernos e reacende debate sobre saúde global e mudanças climáticas.
Caverna de gelo de Scărișoara, na Romênia Foto: Reprodução/Trip Advisor

Esse fenômeno, conhecido como transferência horizontal de genes, permite que microrganismos atuais incorporem características de resistência, contribuindo para o surgimento de cepas mais difíceis de tratar. A circulação global de pessoas, animais e mercadorias amplia o potencial de disseminação desses genes em ambientes hospitalares, comunidades e cadeias produtivas de alimentos.

Monitoramento e estratégias de prevenção

Diante desse cenário, especialistas defendem a adoção de estratégias integradas dentro do conceito de Saúde Única, que considera de forma conjunta a saúde humana, animal e ambiental. Entre as medidas indicadas estão a vigilância em áreas com degelo acelerado, o monitoramento genético de solo, água e fauna, além do uso mais criterioso de antibióticos na medicina humana e veterinária.

Também são apontados como prioritários o investimento em novos medicamentos, terapias combinadas e vacinas, bem como programas educativos destinados a profissionais de saúde e à população para reduzir o uso inadequado desses fármacos.

Potencial científico

Apesar das preocupações relacionadas à resistência antimicrobiana, o estudo identificou aspectos considerados promissores. A análise do genoma da Psychrobacter SC65A.3 revelou a presença de pelo menos 11 genes com potencial para produzir substâncias capazes de inibir o crescimento de bactérias, fungos e vírus. Além disso, foram identificadas enzimas estáveis em baixas temperaturas.

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Bactéria Psychrobacter SC65A.3 Foto: Divulgação/Meteored PT

Essas características podem contribuir para o desenvolvimento de novos antibióticos e aplicações industriais em ambientes frios, além de ampliar o conhecimento sobre a origem e a evolução natural da resistência bacteriana ao longo do tempo geológico.

A descoberta reforça a importância do monitoramento científico de ambientes congelados e do aprofundamento das pesquisas sobre microrganismos preservados em gelo antigo, especialmente diante das transformações ambientais em curso.

Fonte: ND+

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