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Azeite no macarrão ajuda ou piora? O que realmente evita a massa grudenta, segundo especialistas

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O debate é antigo nas cozinhas domésticas: colocar azeite no macarrão depois de escorrido impede que a massa grude? A prática é popular, mas a explicação para a textura pegajosa passa longe do fio de azeite. O verdadeiro vilão, na maioria dos casos, é o excesso de amido liberado durante o cozimento, somado a pequenos equívocos no preparo que comprometem a estrutura da massa. Ajustes simples — quantidade de água, momento do sal, tempo de cocção e a forma de mexer — costumam resolver o problema sem recorrer a atalhos.

Quando o macarrão entra em contato com a água quente, parte do amido da superfície se desprende. Em condições ideais, isso ajuda a formar uma leve camada que contribui para a textura correta e até auxilia na ligação do molho. Porém, se a panela estiver com pouca água, se o cozimento for prolongado demais ou se a massa for manuseada de forma inadequada, o amido se acumula e cria a sensação de grude. A consequência aparece no prato: fios colados, aspecto pesado e dificuldade de incorporar o molho.

A proporção de água é um dos pontos mais negligenciados. A referência prática recomendada por especialistas é usar cerca de dois litros de água para cada 450 gramas de massa. Esse volume dilui o amido liberado e mantém a ebulição estável quando a massa é adicionada. Outro detalhe decisivo é o sal: ele deve entrar apenas quando a água já estiver fervendo. Além de temperar a massa por dentro, o sal contribui para o equilíbrio do cozimento.

O tempo também pesa. Cozinhar além do necessário rompe a estrutura do macarrão, libera mais amido e favorece a textura pegajosa. Retirar antes do ponto, por sua vez, deixa o interior cru e a superfície ainda suscetível a colar. A melhor forma de acertar é provar durante o preparo e buscar o ponto al dente — cozido, porém firme ao morder.

Mexer ajuda, mas a pressa atrapalha. Ao colocar a massa na água fervente, aguardar alguns segundos antes de mexer preserva a camada natural de amido que se forma na superfície. Movimentos muito vigorosos logo no início podem desestabilizar essa película. Depois, mexer com moderação, apenas para garantir que os fios se soltem, é suficiente.

Quanto ao azeite após o cozimento, ele até cria uma película que reduz o contato entre as superfícies, mas traz um efeito colateral indesejado: dificulta a aderência do molho. O resultado é um macarrão “escorregadio”, com sabor menos integrado. Em vez disso, a recomendação é transferir a massa diretamente para a panela do molho, ainda úmida, aproveitando a água do cozimento para ajustar a cremosidade.

Espaguete à carbonara inspirado em Jamie Oliver

Colocar a técnica em prática é a melhor forma de perceber a diferença. A carbonara clássica é um excelente teste, pois depende da textura correta da massa e do uso inteligente da água do cozimento para formar o molho.

Ingredientes

2 fatias de bacon de boa qualidade
Azeite de oliva
2 ovos
30 g de queijo parmesão ralado (mais um pouco para finalizar)
Pimenta-do-reino a gosto
Espaguete na quantidade desejada

Modo de preparo

Doure o bacon em azeite e pimenta. Misture ovos com parmesão. Cozinhe o espaguete al dente em água salgada e leve direto para a frigideira. Incorpore a mistura de ovos e queijo, ajustando a cremosidade com a água do cozimento.
Mexa rapidamente para envolver bem a massa e formar um molho liso e brilhante, sem deixar os ovos talharem.
Sirva imediatamente, finalize com mais parmesão ralado e pimenta-do-reino a gosto.

Dicas práticas

Se não tiver parmesão, é possível usar cheddar, ajustando o sal.
Na falta de ovos, a própria água do cozimento, rica em amido, ajuda a criar uma emulsão cremosa com o queijo e a gordura do bacon.
Nunca lave a massa após escorrer: isso remove o amido que ajudaria o molho a aderir.

A conclusão é direta: o segredo para uma massa soltinha não está no azeite depois de pronta, mas na atenção aos fundamentos do cozimento. Água em quantidade adequada, sal no momento certo, respeito ao tempo e uso consciente da água do cozimento transformam o resultado. Quando a técnica entra em cena, o macarrão deixa de ser pegajoso e passa a ser a base perfeita para qualquer molho — da simplicidade do alho e óleo à elegância da carbonara.

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