Artemis 2 entra na reta final e marca a volta de astronautas ao caminho da Lua após quase 50 anos

Artemis 2 entra na reta final e marca a volta de astronautas ao caminho da Lua após quase 50 anos

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A Nasa vive um de seus momentos mais decisivos das últimas décadas. Quase meio século após a última missão tripulada ao redor da Lua, a agência espacial norte-americana avança para os preparativos finais da Artemis 2, missão que levará quatro astronautas a um voo histórico de aproximadamente dez dias ao redor do satélite natural da Terra. A fase atual concentra testes rigorosos, revisões técnicas e protocolos de segurança considerados essenciais para autorizar o lançamento.

Transição para a plataforma de lançamento

Um marco simbólico desta etapa será a saída do foguete Space Launch System (SLS) e da cápsula Orion do Edifício de Montagem de Veículos, no Centro Espacial Kennedy, na Flórida. Já totalmente integrados, foguete e espaçonave devem ser transportados até a plataforma 39B, onde enfrentarão, pela primeira vez, as condições reais do ambiente de lançamento. O deslocamento, previsto para começar a partir deste sábado (17), cobre pouco mais de seis quilômetros, mas pode levar até 12 horas devido ao cuidado extremo exigido pela operação.

Segundo a Nasa, as equipes trabalham em regime contínuo para manter o cronograma, embora ajustes possam ocorrer caso surjam pendências técnicas ou alterações climáticas. A mudança de ambiente marca a transição definitiva da fase de montagem para a de testes integrados em solo.

Artemis 2 entra na reta final e marca a volta de astronautas ao caminho da Lua após quase 50 anos
Foto: Nasa

Correções e revisões técnicas

Como é comum em sistemas aeroespaciais de grande complexidade, os últimos meses foram dedicados a ajustes finos. Engenheiros identificaram e substituíram um cabo fora das especificações no sistema de terminação de voo, além de corrigirem uma falha em uma válvula relacionada à pressurização da escotilha da cápsula Orion. Também permanece sob monitoramento um vazamento detectado em equipamentos de suporte em solo responsáveis pelo fornecimento de oxigênio gasoso.

De acordo com a agência, esses procedimentos fazem parte da estratégia de redução de riscos. “Ainda temos etapas importantes a cumprir, e a segurança da tripulação continuará sendo nossa prioridade”, afirmou Lori Glaze, administradora associada interina da Diretoria de Missões de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa.

Na plataforma 39B, técnicos irão conectar sistemas elétricos, linhas de combustível, dutos ambientais e toda a infraestrutura necessária para o carregamento de propelentes criogênicos. Será a primeira vez que foguete, cápsula, lançador móvel e estruturas terrestres operarão juntos em condições reais de pré-lançamento. Após essa fase, os astronautas da missão — Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense — realizarão uma inspeção final no local.

O ensaio geral de abastecimento

Um dos testes mais aguardados está previsto para o fim de janeiro: o ensaio geral de abastecimento, conhecido como “ensaio molhado”. Nessa simulação completa de um dia de lançamento, mais de 700 mil galões de hidrogênio e oxigênio líquidos serão carregados no foguete, com contagem regressiva integral e posterior retirada segura do combustível, sem tripulação a bordo.

O teste também serve para treinar equipes de segurança e validar procedimentos de emergência. Atenção especial será dedicada ao manuseio dos propelentes criogênicos e a protocolos atualizados para evitar acúmulo de gases em áreas sensíveis da cápsula, um ponto crítico identificado em testes anteriores.

Datas possíveis e limitações orbitais

Após a conclusão bem-sucedida do ensaio geral, a Nasa realizará a Revisão de Prontidão de Voo, etapa que define se o sistema está apto para decolar. A primeira janela de lançamento pode se abrir já em 6 de fevereiro, mas a data final depende de uma combinação rigorosa de fatores técnicos, operacionais e orbitais.

A trajetória da Artemis 2 exige condições específicas. A Orion precisa entrar inicialmente em uma órbita terrestre alta para testes dos sistemas de suporte à vida antes da injeção translunar. Além disso, a missão prevê um sobrevoo lunar em trajetória de retorno livre, utilizando a gravidade da Lua para trazer a espaçonave de volta à Terra. Limites térmicos e energéticos também restringem as oportunidades, concentradas em janelas de cerca de uma semana por mês.

A Artemis 2 será o primeiro voo tripulado da nova campanha lunar da Nasa e a primeira missão humana além da órbita terrestre baixa desde a Apollo 17, em 1972. Mais do que um retorno simbólico, o voo funcionará como um ensaio geral para a Artemis 3, que tem como objetivo levar astronautas à superfície lunar ainda nesta década.

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