A redescoberta de antigos complexos industriais tem lançado nova luz sobre o papel da mineração e da metalurgia na formação econômica da Europa moderna. No sul do País de Gales, uma equipe de arqueólogos iniciou um minucioso trabalho de investigação em um dos mais emblemáticos centros de produção de cobre do século XIX. O sítio, que durante décadas permaneceu parcialmente esquecido, agora revela detalhes técnicos e estruturais que ajudam a compreender como funcionava a engrenagem industrial em plena Revolução Industrial.
O projeto é conduzido por especialistas da Black Mountains Archaeology, sob coordenação da arqueóloga Libby Langlands. As escavações concentram-se no complexo de Hafod-Morfa, área que integrou um dos principais polos metalúrgicos britânicos. As descobertas recentes ampliam o entendimento sobre os métodos de laminação de cobre e sobre a evolução arquitetônica do espaço fabril ao longo de mais de um século de atividade industrial.
O complexo de Hafod-Morfa está situado na região de Swansea, reconhecida historicamente como um dos maiores centros mundiais de fundição de cobre no século XIX. Durante o auge da Revolução Industrial, o local tornou-se estratégico para o processamento do minério extraído não apenas do País de Gales, mas também importado de outras partes do mundo. A abundância de carvão na região facilitava o funcionamento contínuo dos fornos, elemento essencial para a metalurgia pesada.
Entre as estruturas analisadas estão a Casa de Máquinas Vivian, construída em 1860, e a Casa de Máquinas Musgrave, erguida por volta de 1910. Ambas representam fases distintas da modernização industrial. A primeira simboliza o período de consolidação da laminação de cobre em escala crescente, enquanto a segunda demonstra a adaptação tecnológica do início do século XX, quando a mecanização atingiu novos níveis de eficiência.
Maquinário inédito e engrenagens preservadas
As escavações na Casa de Máquinas Vivian revelaram um conjunto de equipamentos primitivos de laminação de cobre até então desconhecido pelos registros históricos. A descoberta surpreendeu os pesquisadores, pois indica que o sítio pode ter desempenhado um papel mais inovador do que se imaginava no desenvolvimento de técnicas industriais. O maquinário encontrado oferece pistas sobre os métodos empregados para transformar o metal bruto em chapas utilizadas em construções, utensílios e estruturas navais.
Já na Casa de Máquinas Musgrave, os arqueólogos localizaram engrenagens de balanceamento preservadas sob o piso da edificação. O motor original do início do século XX permanece no local, o que possibilita compreender de maneira concreta como funcionava o sistema de laminação em larga escala. A análise dessas peças permite reconstituir o fluxo de produção e identificar a sofisticação mecânica que sustentava a atividade metalúrgica.
Fornos, chaminés e a engenharia do calor
Outro aspecto relevante das escavações foi a identificação de uma rede de fornos de tijolos interligados por chaminés industriais. Esses fornos eram utilizados para aquecer o cobre e torná-lo maleável antes do processo de laminação. O controle da temperatura era determinante para evitar fissuras e garantir a qualidade das chapas metálicas. A disposição das estruturas sugere um planejamento técnico rigoroso, evidenciando a complexidade da engenharia térmica aplicada na época.
Além das edificações principais, foram descobertas paredes de alvenaria anteriores às Casas de Máquinas Vivian e Musgrave. Esses vestígios permitem rastrear o desenvolvimento do complexo desde o início do século XIX, revelando que o local passou por sucessivas ampliações e adaptações estruturais. A evolução arquitetônica reflete as mudanças tecnológicas e o crescimento da demanda global por cobre.
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