Aqueduto subterrâneo de 3000 anos é uma obra-prima da engenharia milenar

A agricultura é a espinha dorsal de inúmeras economias ao redor do mundo, mas também é a maior consumidora de água. Com aproximadamente 70% da água disponível destinada a fins agrícolas, a eficiência no uso desse recurso torna-se crucial, especialmente diante de um cenário de desperdício que chega a 50%. Nesse contexto, práticas milenares como o sistema de qanats surgem não apenas como um testemunho da engenhosidade humana, mas também como soluções atemporais frente aos desafios contemporâneos de sustentabilidade.

O qanat, uma invenção da antiga Pérsia no primeiro milênio a.C., é um sistema de gestão de água que se destaca por sua eficiência em regiões áridas e semiáridas. Esta tecnologia permitiu o transporte e a distribuição da água desde fontes subterrâneas até centros habitacionais e áreas agrícolas sem perdas significativas. A partir de sua origem, o qanat se espalhou por diversas regiões, como Afeganistão, Paquistão, Ásia Central, Oriente Médio, Norte da África e Espanha, adaptando-se a diferentes culturas sob diversos nomes.

O qanat é composto por uma série de poços verticais conectados por túneis subterrâneos que transportam água por gravidade. Este design inteligente minimiza a evaporação, maximizando assim a quantidade de água disponível para uso. A construção e a manutenção dessas estruturas, que podem se estender por dezenas de quilômetros, dependem de técnicas manuais e ferramentas simples, evidenciando uma harmonia entre engenharia e sustentabilidade ambiental.

Hoje, os qanats ainda são vitais em 34 países, com cerca de 40 mil sistemas ativos apenas no Irã. Estes aquedutos não apenas fornecem água para milhões de pessoas, mas também sustentam vastas áreas agrícolas, demonstrando uma gestão eficiente de recursos hídricos. A longevidade de muitos qanats, alguns em uso contínuo por quase 3.000 anos, é um testemunho de sua durabilidade e eficácia.

Em áreas servidas por qanats, a água é um recurso precioso, com disponibilidade per capita extremamente baixa. Isso levou ao desenvolvimento de uma cultura de economia e racionalização no uso da água, princípios que são essenciais para a sustentabilidade ambiental global. O sistema de qanats ensina que, mesmo em condições de escassez, é possível gerir recursos de forma eficaz para atender às necessidades humanas e ambientais.

Entre os muitos qanats, o Ghasabe no Irã destaca-se por sua magnificência e história. Reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, este qanat exemplifica o impacto monumental que tais sistemas podem ter sobre a agricultura e a sociedade, fornecendo água vital para 2 mil hectares de terras agrícolas através de sua extensa rede de túneis e poços.

O sistema de qanats oferece uma lição valiosa sobre a gestão sustentável da água em um mundo que enfrenta crescentes desafios ambientais. Ao olharmos para o passado, encontramos soluções inovadoras que não só podem ser adaptadas mas também aprimoradas para enfrentar os desafios do presente e do futuro.

A adoção e adaptação de tecnologias como o qanat podem desempenhar um papel crucial na promoção da sustentabilidade e na garantia de que recursos vitais como a água sejam preservados para as gerações futuras.

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