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O que acontece com o corpo quando ficamos muito tempo sentados

Quando sentar vira um problema silencioso

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Sentar-se é um gesto cotidiano, automático e, à primeira vista, inofensivo. No trabalho, no carro, no sofá, diante do celular ou da televisão, passamos horas nessa posição. O corpo humano, no entanto, não foi projetado para longos períodos de imobilidade. A ciência já não trata o excesso de tempo sentado como um simples hábito moderno. Hoje, ele é considerado um fator de risco à saúde. Os efeitos vão muito além de dores nas costas. Eles envolvem circulação, metabolismo, músculos, cérebro e até emoções. Muitas dessas alterações ocorrem de forma lenta e quase imperceptível.

Pouca gente percebe, mas o corpo entra em um verdadeiro “modo de economia” quando permanecemos sentados por horas. Os músculos grandes das pernas, responsáveis por impulsionar o sangue de volta ao coração, ficam praticamente inativos. Essa redução de movimento compromete a circulação e desencadeia uma série de adaptações negativas. O sedentarismo postural, como especialistas têm chamado, não depende de a pessoa ser ou não fisicamente ativa em outros momentos do dia. Mesmo quem faz exercícios regularmente pode sofrer consequências se passa tempo demais sentado.

O problema não está apenas na postura em si, mas na duração contínua. O corpo humano precisa de variação, alternância de posições e estímulos constantes. Quando isso não ocorre, sistemas inteiros começam a funcionar de maneira menos eficiente. E o impacto se acumula ao longo do tempo, silencioso, mas persistente.

Circulação mais lenta e o esforço extra do coração

Ao sentar por longos períodos, o fluxo sanguíneo nas pernas diminui significativamente. O sangue tende a se acumular nos membros inferiores, dificultando o retorno venoso ao coração. Com isso, o sistema cardiovascular precisa trabalhar mais para manter a circulação adequada. Esse esforço adicional, repetido diariamente, pode contribuir para o aumento da pressão arterial e para a sensação de pernas pesadas e inchadas ao final do dia.

A falta de movimento também favorece a formação de microestagnações na circulação. Em casos mais extremos, especialmente em pessoas com predisposição, isso pode aumentar o risco de tromboses. Embora esses quadros sejam menos frequentes, o alerta médico é claro: ficar sentado por muito tempo, sem pausas, não é neutro para o sistema circulatório.

Além disso, a redução da circulação afeta a oxigenação dos tecidos. Menos oxigênio significa menor eficiência celular. Com o passar dos anos, esse processo pode contribuir para o envelhecimento precoce de órgãos e tecidos, algo que raramente associamos ao simples ato de sentar.

Músculos desligados e dores que se acumulam

Quando estamos sentados, especialmente em cadeiras inadequadas, vários grupos musculares entram em estado de subutilização. Glúteos, abdômen e músculos das costas deixam de cumprir sua função de sustentação ativa. Esse “desligamento” muscular enfraquece a musculatura de suporte da coluna, favorecendo dores lombares e cervicais.

Ao mesmo tempo, outros músculos permanecem tensionados de forma contínua, como os do pescoço e dos ombros. Essa combinação de fraqueza em algumas regiões e tensão excessiva em outras cria desequilíbrios posturais. Com o tempo, eles se transformam em dores crônicas, rigidez e limitação de movimentos.

O corpo, ao perceber a falta de uso, começa a reduzir a massa muscular nessas áreas. Esse processo, conhecido como atrofia por desuso, ocorre de forma lenta, mas constante. O resultado é um corpo menos estável, mais suscetível a lesões e com menor capacidade de absorver impactos simples do cotidiano.

Metabolismo mais lento e ganho de peso invisível

Ficar sentado por longos períodos interfere diretamente no metabolismo. A atividade muscular reduzida diminui o gasto energético basal, fazendo com que o corpo queime menos calorias ao longo do dia. Mesmo sem mudanças na alimentação, isso pode favorecer o ganho de peso gradual.

Além disso, a inatividade prolongada afeta a ação da insulina, hormônio responsável por regular os níveis de açúcar no sangue. Com menor eficiência na captação da glicose pelas células, o organismo tende a armazenar mais gordura. Esse mecanismo ajuda a explicar a associação entre tempo excessivo sentado e maior risco de desenvolver diabetes tipo 2.

O metabolismo de gorduras também é impactado. Enzimas responsáveis por quebrar lipídios no sangue tornam-se menos ativas durante longos períodos de sedentarismo. O resultado é um perfil metabólico menos saudável, mesmo em pessoas que aparentam estar dentro do peso considerado normal.

Coluna vertebral sob pressão constante

A posição sentada exerce pressão significativa sobre a coluna vertebral, especialmente na região lombar. Diferentemente do que muitos imaginam, sentar-se pode sobrecarregar mais a coluna do que ficar em pé. Isso ocorre porque o peso do tronco é distribuído de forma desigual, comprimindo discos intervertebrais.

Com o tempo, essa compressão contínua pode acelerar o desgaste dessas estruturas. Hérnias de disco, protrusões e dores persistentes estão frequentemente associadas a longos períodos sentados, sobretudo quando não há apoio adequado para a lombar.

A postura encurvada, comum diante de telas, agrava ainda mais o problema. A cabeça, que pesa em média cinco quilos, passa a exercer uma força muito maior sobre a coluna cervical quando projetada para frente. Esse esforço adicional explica o aumento de queixas de dor no pescoço e nos ombros na vida moderna.

Impactos no cérebro e no estado emocional

Os efeitos de ficar muito tempo sentado não se limitam ao corpo físico. O cérebro também sente as consequências da imobilidade prolongada. A redução da circulação compromete a oxigenação cerebral, o que pode afetar concentração, memória e clareza mental ao longo do dia.

Além disso, a falta de movimento está associada a alterações no humor. Estudos indicam que longos períodos sentados podem contribuir para sintomas de ansiedade e desânimo. O movimento estimula a liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como endorfinas e serotonina. Quando o corpo permanece inativo, essa produção diminui.

Não é raro que pessoas que passam o dia inteiro sentadas relatem sensação de cansaço mental, mesmo sem esforço físico aparente. O corpo parado envia ao cérebro sinais de baixa estimulação, o que influencia diretamente a disposição e a motivação.

Digestão prejudicada e desconfortos silenciosos

A posição sentada por longos períodos também interfere no funcionamento do sistema digestivo. A compressão abdominal dificulta o trânsito intestinal, favorecendo a constipação. Além disso, a digestão tende a ficar mais lenta, aumentando a sensação de estufamento e desconforto após as refeições.

Em alguns casos, a postura inadequada pode contribuir para o refluxo gastroesofágico. A pressão sobre o estômago facilita o retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, causando azia e queimação. Esses sintomas, muitas vezes tratados apenas com medicamentos, têm relação direta com hábitos posturais.

A longo prazo, esses pequenos desconfortos podem se transformar em problemas recorrentes, afetando a qualidade de vida de forma significativa.

Como pequenas pausas fazem grande diferença

A boa notícia é que o corpo responde rapidamente a mudanças simples. Levantar-se, caminhar por alguns minutos e alongar-se ao longo do dia já produz efeitos positivos. Essas pausas reativam a circulação, estimulam os músculos e “acordam” o metabolismo.

Não se trata de abandonar a posição sentada, mas de quebrar a continuidade. Alternar entre sentar, ficar em pé e caminhar devolve ao corpo a variabilidade que ele precisa para funcionar bem. Ajustes ergonômicos, como cadeiras adequadas e apoio lombar, também ajudam a reduzir os impactos negativos.

Mais do que uma questão de conforto, movimentar-se ao longo do dia é uma estratégia de saúde. Pequenas mudanças de hábito, repetidas diariamente, têm potencial de prevenir problemas que levariam anos para se manifestar.

O corpo foi feito para se mover

Ficar sentado por muito tempo é um hábito comum, mas não inofensivo. O corpo humano reage à imobilidade de maneira silenciosa e progressiva. Circulação, músculos, coluna, metabolismo e cérebro são afetados. Os sinais iniciais costumam ser sutis e facilmente ignorados. Com o tempo, porém, eles se acumulam e ganham importância clínica. A rotina moderna exige atenção redobrada a esses detalhes. Movimento não é luxo, é necessidade biológica. Respeitar essa lógica é investir em saúde a longo prazo.

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